Pan 2007 e o Orgulho
Por Antonio Carneiro em 14/07/2007 - Categorias: Panamericano, editorial, esporte

Este é um sentimento perigoso: não devemos ter orgulho demais a ponto de acharmos que somos melhores que os outros. Mas não devemos ter orgulho de menos para não pensarmos que somos piores que os outros.
A realidade que presencio no dia a dia, a minha volta, é bem mais próxima do segundo caso. O brasileiro, e talvez em especial o carioca, sofre do chamado Complexo de Vira-Lata. Está tão acostumado a ficar por baixo, a sofrer com os problemas, que tem até dificuldade de reconhecer quando algo positivo acontece, de reconhecer sua vitória e levantar a cabeça cheia de um orgulho saudável. Pois bem, eu tenho satisfação de dizer que estou orgulhoso.
Orgulhoso pelo Brasil. Orgulhoso pelo Rio. Orgulhoso por Copacabana. A cerimônia de abertura foi linda, digna das melhores aberturas que eu já vi. Alguns pontos outros países fizeram melhor, em outros nós fizemos melhor. Mas certamente, a apresentação foi no mesmo nível que a feita por países de primeiro mundo.
E foi criativa, contrariando quem pensava que teria apenas escola de samba, funk, mulher com pouca roupa e futebol. Homenageou os grandes nomes do nosso esporte (sem mostrar o óbvio Pelé), dando destaque para atletas que conseguiram grandes feitos no passado mas que acabam caindo no esquecimento da nossa cabeça vira-lata que faz pouco de quem não mata um dragão por dia, todo ano, eternamente.
Homenageou nomes da música que muita gente torce o nariz (inclusive não fazem exatamente o meu gênero), mas são legítimos representantes nacionais e que não merecem ficar jogados no limbo. Homenageou a praia de Copacabana, tão sofrida, tão abandonada, mas ainda tão bela.
Por mais que os políticos queiram abandoná-la, esta praia que foi eleita recentemente a mais bonita do mundo, ainda é um centro de importância mundial, sede de grandes shows, de competições esportivas e da mais espetacular queima de fogos que existe. A cidade como um todo está respirando o PAN, está imersa em uma energia de paz, de esporte, de união. E ao contrário do que diziam os profetas do apocalipse, por enquanto o mundo não acabou. Tudo está funcionando direitinho. E o governo quando quer investir sabe fazer. O povo quando quer ser civilizado (e tem a chance) sabe aproveitar tudo na paz, sem violência ou vandalismo. Não estou sendo cego, sei que existe grande probabilidade de tudo voltar ao normal após o PAN, e talvez os novos centros esportivos fiquem abandonados e depredados… mas ao menos provamos a nós mesmos que SOMOS CAPAZES. Então basta querer. Tendo vontade, podemos ter tudo o que admiramos nos países desenvolvidos. Não depende deles ou do vizinho. Depende de nós.

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