Já fazia um tempo que o pai tinha vontade de ir na Fenadoce (FEira NAcional do DOCE – Pelotas/RS). E agora com todas as propagandas na TV, rádio, revista, jornal, nos resolvemos e fomos à luta. Luta contra o regime, porque a feira é uma tentação enorme.

O pai ficou encarregado de reservar o muquifo hotel pra gente. Depois de muita pesquisa, ele encontrou um hotel em conta – Hotel Rex (um belo nome, para um belo hotel). Custo? R$ 50 a diária por quarto. Preço ótimo, ainda mais que eram 2 quartos, um triplo, e outro de casal.

Depois do Hotel estar reservado, chega o dia da viagem.

Lista de passageiros: Eu, minha irmã , meu cunhado, meu pai e minha mãe.
Destino: Fenadoce – Pelotas / RS

Sábado, 10:00 da madrugada manhã, saímos de Estância Velha, rumo à Pelotas. Retas compridas. Lindos campos de aveia, arroz e azevém. Uns 2 ou 3 engenhos de arroz. Cenários lindos, dignos de filme francês, quando os namorados vão passear de carro pelos parreirais, e tem aquelas colinas verdes que só elas. A paisagem convidava a dormir, um sono tranqüilo, sono de bebê.

Depois de uma longa viagem, quase 20 reais em pedágio até lá, e ainda assim, alguns buracos pelo caminho, chegamos à Princesa do Sul. Pelotas, terra de gaúcho macho, e berço de João Simões Lopes Neto, grande escritor gaúcho. A cidade histórica fica a 250km de Porto Alegre, mas com a chuva que caía, e a demora da viagem, pareciam uns 500km.

Chegamos ao nosso destino lá pelas 13 horas, fomos direto conhecer o hotel. Até achar o bendito, rodamos uns vários minutos. Sabíamos apenas que ele ficava na Praça General Pedro Osório, a famosa praça da cidade, onde está localizada a Fonte das Nereidas, ponto turístico.

Pensei com meus botões que seria um hotel pra lá de 5 estrelas (mas com esse preço?). Ledo engano. Um prédio antigo de uns 8 ou 9 andares (praticamente um Empire State Building pelotense). Ao adentrar a recepção, que devia medir uns 2 x 2 – a imagem que até hoje está marcada nas minhas retinas – lá dentro: uma parede com espelhos, um orelhão na outra parede, um balcão velho e pequeno, um armário com as chaves dos quartos, um elevador velho – daqueles de gradezinha ainda, e uma escada, pra quem tivesse medo de enfrentar o elevador. Do segundo andar, apenas conseguia escutar o ruido da TV ligada e uns outros mais esquisitos. Mas irei falar um pouco sobre “O segundo andar” mais tarde, num momento apropriado.

Após os 10 minutos iniciais, em que ficamos admirando aquele cubículo que era a recepção, ouve-se um ruído tremendo, e de repente a porta do elevador abre. Sai lá de dentro uma figura única. Vestida com uma calça de veludo azul marinho chiquérrima, e uma blusa rosa pink, uma tia entroncada, uma cara fechada, mais braba que touro de rodeio, e com um bom humor matinal da 1 e meia da tarde de um sábado chuvoso. Nem fiquei encarando muito ela, vai que a Górgona me transforma em pedra antes mesmo de falar alguma coisa?

O pai avisa que temos uma reserva e ela tasca:

– Tu é o Alexandre?.
– Não.
– Hmm… Tá..
– Podemos conferir o quarto?
– Sim.

Foram o pai, a mãe, a mana, e a tia do mal conferir o quarto. Entraram os 4 no elevador, e a tia fechou a grade, com aquele barulhão característico. Eu e meu cunhado ficamos na recepção preenchendo a ficha do outro quarto. Quando terminamos, os 4 desceram de volta. E resolveram ficar. (Até hoje não sei como resolveram isso)

Enquanto o pai preenchia a “ficha”, desce um elemento pelas escadas, passa pela velha e ela pergunta: Vai almoçar? Nisso o cara resmunga alguma coisa de volta, foi até a porta, abriu, e ficou uns 2 minutos ali parado, e eu espiando de canto de olho. Então ele voltou, e subiu as escadas novamente.

Pegamos as malas no carro, e os 4 subiram novamente na frente. Eu e meu cunhado, esperamos. Pois o elevador era pequeno mesmo. Subiram os 4, a tia desceu de volta, e subiu com a gente. Durante o trajeto vertical, reinava um silêncio sepulcral (a não ser no segundo andar, que devia estar em festa), e só sentia que o elevador estava se mexendo, porque apareciam os números dos andares pintados na parede. O Goonie que ficava puxando o cabo de aço devia estar cansado de levar a tia gorda pra cima e pra baixo. Chegando no 6º andar, ela indicou: – Fim do corredor!

Eu e o Joni saímos do elevador, e estávamos em um corredor, comprido, alto e estreito. Cenário perfeito para um filme de terror. Acho que “O Albergue” foi filmado ali. Devia ter uns 20 metros de distância até os quartos, que eram de frente um pro outro. No caminho até o fim do corredor, passamos por uma portinha, que dava pra um quartinho, menor que a recepção, onde tinha uma banheira (enferrujada e suja), e um chuveiro (pingando) talvez tenha sido usado recentemente, e o detalhe, sem porta. Mais uns metros pra frente, outra abertura, um chuveiro (pingando também), um vaso sanitário, e sem porta.

Com medo do que íamos encontrar pelo caminho, aceleramos o passo e chegamos no “Fim do Corredor”. Ao que ouço a mãe já dizendo: “Aqui não dá”. Ela já foi enumerando os detalhes nojentos encontrados no hotel. Colchão mais fino que massa de Pastel de Santa Clara (aproveitando a onda dos doces de Pelotas), lençol furado, quarto pequeno, elevador assustador. E na mini-reunião da família no quarto do hotel, resolvemos que não ficaríamos lá. Eu e o Joni fomos descendo pelas escadas, enquanto pai, mãe, e mana, foram pelo elevador assombrado. Na escada, passamos por cada tipinho mal encarado, e o segundo andar, ah, o segundo andar merece um parágrafo só pra ele, vou escrever sobre ele no final desse post.

Resumo da ópera, enquanto o pai cancelava o hotel com a górgona que atendia, os outros 4 sobreviv
entes foram levar as malas no carro.

O Segundo Andar

Quando estávamos na recepção, do segundo andar vinham risadas, e o barulho da TV. Tudo muito normal, pensei, deve ser a sala de TV.

Não tinha passado por lá, até a hora de descer de volta, pra cancelar o hotel. E que susto, chegando no segundo andar, passa pela gente uma velha loira, com umas roupas muito esquisitas, que eu acho que era pra indicar o status de “dona da zona“. As roupas dela, tão esquisitas quanto às da Górgona da recepção. Uma mini-saia mais parecida com um cinto, e uma blusa florida, no melhor estilo salsa e merengue. Ao passar pelo segundo andar, nem olhei muito pros lados, era um lugar escuro, com cheiro de comida e claro, os barulhos característicos, muita risada, e barulho de tv. Embora não tenha muito material sobre este andar, pressenti que era um lugar especial. Tinha uma aura diferente do restante do aconchegante edifício. E achei que merecia um parágrafo especial.

Perguntas que não querem calar:

  1. Quem é Alexandre?
  2. Seria bom ou mau ser o Alexandre?
  3. Qual o nome da Górgona do Hotel?
  4. O que o tiozinho que desceu e ficou com a porta aberta tava fazendo?
  5. Porque a tia do segundo andar usava mini-saia se estava frio demais?
  6. O QUE TAVAM PENSANDO QUANDO RESOLVERAM FICAR NESSE HOTEL?

Espero que tenham gostado do Post! Foi uma jornada e tanto…

PS: Pelotas é uma cidade velha e antiga, mas não a desmereço neste post. Desmereço o hotel mesmo, e o atendimento, que foi horrível.

PS²: Nenhuma Górgona foi machucada enquanto escrevia este post, ou durante a viagem.

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Comentários do Blog

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  1. custodio disse:

    olá,

    Obrigado por participares no concurso para ganhares mil euros. Já ficou registado!

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