Hoje. Como quase todo dia. Estava indo pra casa da minha mãe almoçar (sim, eu me aproveito da velha, mas só um pouquinho), carregando minha irmã na garupa (sim, ela trabalha comigo).
Pra quem conhece as bandas da região metropolitana de Porto Alegre, fica mais fácil a descrição de caminho que farei agora. Quem não conhece, imagine em sua cabeça, pode ficar até mais interessante…

Pois bem, eu trabalho no Bairro Anchieta, em POA, e minha mãe mora em Cachoeirinha (cidade vizinhade POA). Por isso, tenho de pegar um pedacinho da FreeWay, coisa de uns 10Km, geralmente demoro somente uns 7 minutos para fazer o trajeto. Minha YES 125 , aguenta bem meu ritmo, entre 100 e 110 Km/h (variando de 80 até 120 km/h, mas isso depende mais do vento do que de mim). Embora a velocidade e o tempo curto, a coisa que mais me chama a atenção nesse percurso é a paisagem. Quem conhece deve estar se perguntando: – Mas que diabos ele vê nisso? Só tem pasto, vaca e o horizonte…

Mas esse é meu problema. O horizonte. Que raios de atração ele tem sobre mim, que não consigo ficar sem admirá-lo?

Hoje me passou uma explicação meio diferente. Mas que no meu caso, tem todo o sentido. Quando eu era piá, não conseguia entender o que tanto os adultos tiravam fotos de paisagens, porque pintavam o pôr-do-sol do Guaíba? O que isso tudo tinha de tão admirável? Justamente por eu ser criança, isso não fazia diferença. Pois o tempo todo eu estava em contato com a rua. Com o céu. Com o horizonte visto de cima das árvores. Isso tudo era NATURAL.

Hoje, vivo enclausurado num escritório. Quando posso ver a rua, geralmente já está escurecendo. Não perguntem sobre o o final-de-semana, este fica reservado pra dormir. Meu único contato com as imagens que o mundo tem pra me mostrar, é na internet, ou na minha vasta coleção de wallpapers. Parece que agora, quase que nem aquela propaganda, em que as pessoas ficavam admiradas em ver um plantinha nascendo no canto do escritório, um pequeno momento de beleza tem de ser BEM admirado. quase como algo SOBRENATURAL.

Agora tento passar esse meu fascínio pelas belas imagens, através do photoshop, por algumas fotos mal tiradas, e por alguns pensamentos vãos. Talvez pra consolar uma infância que não volta mais.

PS.: Se o tema dessa comunidade no orkut que participo, fosse real, este post teria imagens reais desse meu dia-a-dia.

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