No capítulo anterior (ehuehue), postei conceitos básicos sobre virtualização, explicando bem por cima o que é e pra que serve. Como eu disse, o assunto é tão abrangente quanto as soluções, seja para home office ou empresas, então, resolvi fazer uma trilogia.
Neste post, abordemos mais o “como funciona” da coisa, detalhando melhor como essa maravilha tecnológica funciona em termos de hardware (do verbo “como minha máquina consegue fazer isso?!?!”) e software, passando por algumas soluções de alguns fabricantes (do adjusto adverbial “como meu sistema operacional entende isso?!?!”).

Sabemos que virtualização é, resumindo, transformar uma máquina física em várias máquinas virtuais (VMs) e, nelas, instalar os sistemas operacionais que quisermos (desde que suportados pela ferramenta e pela máquina física, obviamente), independente do sistema operacional instalado na máquina física. O que não sabemos é como o hardware da máquina física lida com as instruções das duas máquinas ao mesmo tempo e isso, no começo do mundo virtualização, provocou dores de cabeça e horas de análise em muito processador, memória RAM e disco por ae.
No começo, toda máquina física que possuía uma VM tinha seu hardware compartilhado. Ok, nada mais óbvio, né Aidemin? Se uma VM está em uma máquina física, elas compartilharão do mesmo processador, da mesma memória RAM, do mesmo HD e da mesma placa de rede! Logo, quando há uma requisição de processador feita pela VM, o processador da máquina física inicia um processo (thread) que atende a si próprio E a VM! Ou seja, o processador trabalha em dobro, digamos, pensando alto e dizendo alto “Faça a conta 1+1=2!”, faz a conta e retorna o resultado pras duas máquinas.

Mas, e quando uma máquina física hospeda mais de uma VM e nessas VMs estão aplicações e sistemas operacionais que exigem MUITO processamento?? Ae é que entram os fabricantes de hardware e software que comentei no episódio 1! A partir do momento que fabricantes de processadores viram o tamanho do monstro que estava virando a virtualização, começaram a dar atenção ao trem… e deram MESMO!
Cria-se o conceito de “virtualização assistida pelo hardware” ou “hardware-assisted virtualization”. A AMD ajustou seus Athlon 64 X2 e seus Opteron com a tecnologia AMD-V, e a Intel, seus Core com o Intel VT. Mas no que isso adiantou?! Bem… digamos que agora nossos processadores são menos doidos, ou seja, enquanto a VM está fazendo a conta de “1+1=2”, a máquina física sabe o que está rolando mas não repete a conta e nem quer saber o resultado! Ou seja, com a tecnologia introduzida pelos “gigantes”, temos agora virtualização no nível do hardware, onde um processador tem seus processos (threads) físicos e virtuais rodando separadamente. Dessa forma, a performance da caixa como um todo aumenta e, tendo recursos físicos sobrando, encaixa-se mais VM!!!

Agora… e o software sensacional pra gerenciar tudo isso? Bem, temos vários sabores, senhoras e senhores do conselho, mas vou focar nos que uso. Um vem do líder absurdamente absurdo e absoluto de mercado, o outro vem da empresa que tá correndo atrás do prejuízo.
VMWare era uma companhiazinha até alguns anos atrás até que a gigante em sistemas de armazenamento corporativo chamada EMC² a comprou. Como besta é o gato (que bebe leite e não molha o bigode) a EMC² tratou de atrelar as soluções da VMWare aos seus clientes e TCHARAM… hoje a VMWare é uma empresa de alguns bilhões de dólares e líder de mercado no segmento corporativo. Tendo feito o merchandizing gratuito, vamos às ferramentas.
As ferramentas disponibilizadas pela VMWare podem atender tanto aos usuários domésticos quanto aos corporativos. Os domésticos, iniciantes e entusiastas ficam com o VMWare Workstation e o VMWare Player… o Workstation é licenciado, mas você consegue criar, mudar, deletar, enfim… fuçar bastante no seu mais recente Data Center virtual caseiro e o Player é um software free para que você (ou seu irmão fução) possa rodar sua VM baseada em VMWare e outros softwares como “somente leitura”, sem recursos de edição ou configuração, ou seja, você (ou seu irmão fução) “play”. Já para os usuários corporativos, ah, meu querido amigo… Assim como pros usuários domésticos, existem as ferramentas free e as soluções pagas.
As free são as que tem o Virtual Server, por exemplo. O software permite que você crie, edite, delete e faça quase tudo com uma VM. A ferramenta é leve no servidor e possui uma console para administração do seu Data Center virtual “mais sério”, entre outras ferramentas adicionais. Um dos recursos mais bacanas é a possibilidade de transformar uma máquina física em virtual (P2V ou Physical to Virtual ou físico para virtual em tupiniquim). Já as pagas são tão absurdamente completas que são chamadas de “soluções”. VMWare Server ESX é uma solução baseada em hardware (com virtualização, óbvio) disponibilizado numa caixa ou instalado num servidor e tem ferramentas para que você, por exemplo, mova sua VM de uma máquina física para outra sem perda de performance ou parada nos sistemas, cluster, dimensionamento, backup, mais o que vem com o VMWare Server free… enfim, o mundo.

Ae, correndo atrás que nem doido, vem a Microsoft com sua plataforma Virtual. Como disse no post passado, desde 2004 eles tem sua própria ferramenta de virtualização: Virtual PC, solução para usuários domésticos, hoje na sua versão 2007, que também pode ser adotada por usuários corporativos mas quase ninguém recomenda. Há uns 3 anos, criaram o Virtual Server 2005, hoje em sua versão R2. Ambas as soluções são free, mas se conhecemos bem nossa amiga, logo logo isso muda. Ambas contemplam virtualização por hardware. Ambas têm ferramentas de gestão das VMs, embora bem mais limitadas se compararmos com as da VMWare, por exemplo.
A razão por ainda não serem adotadas em larga escala em empresas, por exemplo, acho que é o tempo que eles têm no assunto mas, como conhecemos muito bem nossa amiga, logo logo isso também deve mudar. Material sobre o Windows Server 2008 a ser lançado no Brasil esse mês comprova a tendência de “assimilação” da Microsoft, deixando o sistema operacional melhor preparado para a tecnologia de virtualização.

Eu, particularmente, estou usando Microsoft Virtual Server 2005 R2 em casa no meu Windows Vista e usamos VMWare Server na empresa, por enquanto…
Todas as soluções de software tem por objetivo a virtualização, quer seja assistida pelo hardware ou não e cumprem bem o seu papel. Vai do que você quer fazer com a tecnologia e, de novo, de até onde sua máquina pode chegar.
No próximo e final capítulo da saga, abordaremos mais sobre cenários de utilização e algumas dicas pessoais.

Abraços!

Mais informações sobre virtualização por hardware:
http://www.amd.com/br-pt/Corporate/VirtualPressRoom/0,,51_104~117440,00.html
http://www.intel.com/technology/platform-technology/virtualization/

E sobre as soluções:
http://www.vmware.com/products/
http://www.microsoft.com/windowsserversystem/virtualserver/solutions.aspx

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Comentários do Blog

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  1. Rodrigo Rubio disse:

    ficou faltando falar sobre o Virtualbox da Innotek (possui uma versão opensource e outra fechada com mais recursos), que apropósito foi recentemente comprada pela Sun.

    o VirtualBox é um excelente virtualizador, assim como o QEMU (que é totalmente open).

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