Saiu na Revista Fapesp um artigo bem interessante sobre neurologia. A questão levantada é a seguinte: Por que gostamos tanto de comer bolos, tortas e bombons? Por que babamos toda vez que nos deparamos com a vitrine de uma doçaria…Gula? Não, os neurocientistas acreditam que seja mais complexo… Está ligado ao sistema dopaminérgico de recompensa.

Ligando o programa traduteitor-newserrado: dopaminérgico vem de dopamina. Sabe, aquele neurotransmissor responsável pela estimulação dos neurônios quando sentimos prazer ? Então, esse sistema regula a nossa satisfação da seguinte maneira: a gente faz uma coisa, o cérebro produz dopamina, a gente sente prazer e como o nosso organismo reage? Querendo mais…rs! Tá, não é tão simplório assim:

O sistema de recompensa (dopaminérgico) está presente desde os mamíferos mais primitivos. Ele tem participação fundamental na busca de estímulos causadores de prazer, tais como alimentos, sexo, relaxamento. Por meio do reforço positivo da recompensa, obtida durante essas experiências, o organismo é impelido a buscá-las repetidas vezes. Cria-se uma memória específica para isso. O sistema de recompensa, desse modo, é um importante mecanismo de autopreservação. (Cf. Neurobiologia da Dependência Química. Parte IV: O Sistema de Recompensa).

A minha explicação pelo menos estava mais engraçada.

Mas, voltando aos doces. O paladar também é uma forma de sobrevivência, pois na pesquisa publicada na revista, além do sistema de recompensa, o doce é rico em calorias, o que é meio óbvio. Mas, o que não é óbvio foi a descoberta de que o que o nosso cérebro, ou melhor, nosso sistema de recompensa busca nos doces não é a produção de dopamina, mas…acreditem…aff…as malditas calorias!

Radicado no Laboratório John B. Pierce, afiliado à universidade norte-americana Yale, Ivan de Araújo acredita que o paladar, uma ferramenta para encontrar alimentos calóricos na natureza, ajuda os animais a sobreviver. […] Ele, em conjunto com outros pesquisadores, montou um experimento usando camundongos geneticamente modificados que não produzem uma proteína necessária para sentir sabores doces, amargos ou de aminoácidos.

Verificou-se que se puderem optar por beber água pura ou com sacarose, camundongos normais preferem a água doce. Para os alterados, não faz diferença.

O pesquisador deu então aos camundongos alterados um tempo maior para que pudessem usar os efeitos metabólicos para avaliar cada um dos líquidos. Em dias alternados, punha em um lado da gaiola uma garrafa com água pura ou uma garrafa com água doce no lado oposto. Ao oferecer cada líquido separadamente, o animal tinha tempo suficiente para absorver – ou não – o açúcar e sentir seus efeitos.

O resultado apareceu no comportamento: quando o pesquisador punha garrafas de água nos dois lados das gaiolas ao mesmo tempo, os camundongos sem paladar rapidamente preferiam o lado da gaiola onde nos dias anteriores encontravam água adoçada. Eles tinham aprendido a associar a localização da garrafa ao conteúdo energético do líquido.

Fica claro que a recompensa que  os animais buscam não é o paladar, mas as calorias! Concluiu Araújo.

Agora a desculpa para um docinho à noite já está garantida: Benhê, é questão de sobrevivência!

Fonte: Revista Fapesp, artigo ‘O doce da vida‘ (maio de 2008).

Postado por Tags: , , Categorias: Ciência & Tecnologia
908

Comentários do Facebook

Possuímos dois sistemas de comentários, você pode escolher o que mais lhe agrada. :-)


Comentários do Blog

10 Comentários

  1. deby disse:

    CHOCOLATE É BOM E EU GOSTO!!! NÃO ABRO MÃO E NÃO TENHO ESPINHAS!!!!!

  2. Mr Bark disse:

    je te remecrie pour ces images 😉

  3. fernando disse:

    essa pesquisa foi uma perda de tempo, isso é meio óbvio… sexo é bom por que? mesma coisa….

  4. Marilia Pupo disse:

    chocolate é a melhor coisa que pode existir, mas ultimamente até cerveja ta se saindo como uma boa amiga pra saude… acho que no fundo é o exagero que é o prejudicial das coisas!

  5. Buscar calorias: tudo bem. Mas pra mim ainda é só gula, :-)

Deixe uma resposta