Segundo a Folha de São Paulo, o Brasil fechou o mês de maio de 2008 com US$ 197,9 Bilhões de reservas internacionais. Só esse ano o Banco Central já adquiriu US$ 13,2 bilhões.

O perfil da dívida externa continua a se alongar: a dívida de curto prazo caiu de US$ 39 bilhões para US$ 38,2 bilhões, enquanto a de médio e longo prazo subiu de US$ 162,6 bilhões para US$ 164,8 bilhões.

A dívida externa total, confirmada em março, estava em US$ 201,6 bilhões (a estimada para maio é um pouco maior, totalizando US$ 203 bi). Ou seja, em breve o país terá dinheiro suficiente em caixa para pagar toda a dívida externa, uma das antigas assombrações da nossa economia, juntamente com a inflação.

Claro que o Brasil não vai pagá-la de uma só vez (existem débitos privados e públicos, por exemplo), mas isso demonstra a nossa solvência e assim garante taxas de juros e prazos melhores nos novos financiamentos ou ao renegociar os antigos.

É importante notar que manter reservas internacionais não sai de graça: Para adquirir os dólares, o BC vende títulos públicos atrelados à taxa Selic, hoje bem alta. Quando aplica os dólares em títulos no exterior, a remuneração é baixa, pois são juros internacionais. Assim, existe um custo claro nessa diferença de taxas.

Apesar disso, vale a pena: a segurança, a confiabilidade e a proteção contra turbulências externas dão uma estabilidade que não tem preço. Inclusive, esse é um dos motivos do Brasil estar ganhando um Investment Grade atrás de outro. Investment Grade é uma espécie de recomendação, de selo qualidade, que deve atrair investimentos de longo prazo ao país.

O Brasil, dessa forma, tem aproveitado o preço baixo do dólar pra aumentar as reservas. Há algum tempo vem trocando a dívida externa pela interna. Com isso, não ficamos tanto nas mãos do ambiente externo. Quando uma próxima crise externa elevar o dólar não sofreremos tanto. E os juros internos, o novo bicho-papão da nossa economia, é regulamentado pelo próprio Banco Central. É só o governo acordar do delirium tremens e resolver baixá-lo a níveis decentes, que a dívida interna diminui.

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