Pois bem. Dia 15 de outubro chegou, não vi nenhum E.T. Mas, para variar é dia de alguma coisa. Para variar, mais ainda, é dia do professor. Para quem não sabe, o dia 15 de outubro é na verdade consagrado à “educadora” Santa Teresa de Ávila, por decreto de D. Pedro I, em 1827. Mas, o feriado tal qual nós conhecemos é de 1963.

Para comemorar esse dia, geralmente nas escolas daqui do interior de São Paulo, são feitas algumas solenidades, comes e bebes, para homenagear os professores. Pensando nesse dia famigerado, lembrei de uma tremenda profesora que eu tive aos 8 anos de idade: Dona Bia!

Quem nunca teve um professor mala, sádico, carrasco e/ou frustrado, que atire a primeira pedra! Eu tive vários, mas nenhum, nem mesmo meu antigo orientador da pós-graduação (o cara é uma espécie de Dr. House sem muletas) chegou aos pés da Professora ¨Bia¨.

Estudei toda minha vida em escola pública, exceto o período que fiz curso pré-vestibular. Todos que já estudaram numa escola municipal ou estadual, como eu, sabem que a rotina desses profissionais é muito barra pesada: a jornada de trabalho é intensa, as salas de aula são cheias, os salários são péssimos e muitas vezes sobra trabalho para casa e para os finais de semana! Sem falar que quando chegamos em casa, no caso das mulheres, ainda tem os filhos, o marido e a casa.

A “Dona Beatriz”, minha professora da segunda série do Ensino Fundamental, no entanto, estava prestes a deixar de comer o pão que o diabo amassou e entrar no tão desejado mundo da aposentadoria. Faltava apenas um ano para sua aposentadoria e, por isso, a diretora da minha antiga escola resolveu agraciá-la com uma classe mais sossegada, mais tranqüila e de fácil controle, bem longe da bagunça, das pirraças e das mal-criações púberes dos alunos do Ensino Médio. Ela era, na verdade, professora de matemática no Ensino Médio. Não tinha, portanto, muito traquejo com os alunos mais novos, nem aquele ar carinhoso, paciente e maternal que as “tias” costumavam ter.

Definitivamente, não tinha. Me lembro bem da primeira aula. Apesar de ter apenas 8 anos, eu consegui absorver muito daquela aula inaugural, na qual ela explicou tudo isso que eu já escrevi até agora e completou que seria muito interessante e “gratificante” se toda a classe “colaborasse” para que seu último ano como professora fosse tranqüilo. Assim, bem na lata, bem direta, bem “Dona Bia”!

Depois, ainda, explicou algumas regras de como deveríamos nos comportar em suas aulas e como deveríamos tratá-la (as palavras não foram exatamente essas, mas depois de anos e anos remoendo esse período traumático, foi o que pude salvar em minha memória):

Nada de canetinhas coloridinhas, glitter ou outro frufruzinho. Esse recado é para as garotas: caneta vermelha ou qualquer outra cor parecida com vermelho, só eu posso usar! E já está mais do que na hora de vocês usarem caneta, né? Lápis só será aceito para rascunhos e na hora de resolver as continhas, porque o resultado tem que estar caneta! Preta ou azul.

Eu acho que todo mundo aqui já é bem grandinho e pode cuidar do próprio material. Não vou ficar verificando material de nenhuma criança relaxada! Nem espero ter que mandar bilhetinho para os pais, por favor!

Como não sou parente de ninguém aqui nessa sala, não quero que me chamem de “Tia Bia”. Só Bia, ou Beatriz, está de bom tamanho. Quem quiser pode me chamar de Professora. Tia, não! Não sou irmã da mãe de ninguém aqui, não é mesmo?

Depois de tanto tempo e escrito dessa maneira, o episódio se mostra bem cômico! Na época, claro, foi um pouco mais assustador: acabei tirando minha primeira nota vermelha, um “D” em matemática, o que levou minha mãe a me colocar para fazer aulas particulares. Até que eu gostei, tirando o fato que eu tinha que fazer a tabuada do 2 ao 9, dez vezes cada uma, por ter ido mal na prova de matemática da professora Beatriz!

God Save Teacher Bia!

Feliz dia dos professores!

😀

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2 Comentários

  1. Eu não lembro de nenhuma professora deste nível no ensino fundamental ou médio mas como passei por mais escolas do que os anos de estudo fica até complicado lembrar, algumas eu conheci por poucos meses.

    Mas na faculdade, tinha um professor que era o pavor de todos, até do filho dele, Professor Omer, se algum colega da Info PUC/RS lê isso aqui, sabe quem é. Aquele sujeito era sádico de verdade, ele tinha prazer em torturar os alunos.

  2. Hamilton disse:

    Eu na 4ª série, num colégio municipal daqui de SL, tive minha mãe como professora. Minha mãe também se chama Beatriz. Sei o que é não chamar uma professora de “tia Bea” e “mãe”. Beatriz não tem como, não chamo minha mãe pelo nome, isso é raro acontecer.

    Me lembro de ter ficado meio perdido nos primeiros dias, mas depois foi de boa. Comecei a chamar ela de “prof” que tava tudo certo. Pelo menos ficou. 😛

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