Essa é uma das justificativas do Dogma 95 para “banir” a trilha sonora dos seus filmes. Para quem não sabe, o Dogma 95 é (ou foi) um grupo de cineastas, entre eles Vintenberg (diretor de Festen) e Lars Von Trier (diretor de Dançando no Escuro, seu filme mais conhecido e que não faz parte da lista de filmes do Dogma!), que diante da banalização da sétima arte, excesso de efeitos especiais e outros aspectos que deixavam a atuação, a roterização e a direção em segundo plano, propuseram algumas regras para seus filmes: utilização de iluminação natural, assim como as alocações. Além das falas dos atores, o único som permitido seria o ambiente, uma vez que a vida real não tem trilha sonora.

A vida real não tem trilha sonora. De fato, isso é verdade. Mas, perceberam como é comum encontrar alguém com fones na rua? Antigamente, esse hábito era comum apenas entre os office-boys. Talvez pelo fato dos walkman não serem tão acessíveis quanto são os mp3 players atualmente. Caminhando pela avenida Paulista, em São Paulo, ou, mesmo dentro dos mêtros ou dos ônibus de qualquer cidade de porte médio, como Ribeirão Preto, é cada vez mais comum pessoas com fones. Aliás, eu sou uma dessas pessoas. Faço dos passeios e da malhação uma oportunidade para ouvir as músicas que “abaixo” da internet. O que me fez reconsiderar o fato de que nossa vida não tem trilha sonora.

Mesmo quem não tem esse hábito, costuma associar algum fato da vida com uma música. É comum os namorados terem uma música, a gente assoviar uma melodia qualquer quando está feliz, cantarolar durante o banho e fazer o filho pequeno pegar no sono mais rápido com uma cantiga de ninar. Sem falar nos jingles que grudam na nossa memória ficando quase impossível dissociar produto-marca-propaganda. Tem também as gírias. Você já deve ter escutado alguém classicar uma situação, ou uma pessoa, de acordo com gêneros musicais: “Aquela festa foi punk!” ou qualquer coisa nesse sentido.

Acabei fugindo um pouco do assunto, mas o que eu queria mesmo escrever é que apesar de não tocar naturalmente “The Trooper” quando eu começo a correr, eu posso carregar meu iPod com as músicas do Iron Maiden e ponto! Aliás, ainda bem que isso não acontece, caso o contrário eu me encaixaria num quadro de esquizofrenia! Ufa!

E, vocês, o que costumam ouvir quando estão no trânsito, no carro a caminho da faculdade, ou do trabalho, ou ainda na hora de fazer exercício? Alguém tem uma playlist para as horas do banho? Comentem!

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Comentários do Blog

1 Comentário

  1. Efeitos especiais e sonoros, ângulos de câmera e iluminação diferentes e outros recursos do gênero fazem parte da linguagem do CINEMA. É ridículo eliminá-los “porque a vida não é assim”. Eles não estão fazendo a vida, estão fazendo um filme. Esses recursos buscam suprir fatores que existem na vida e não são possíveis de se capturar em filme, assim trazendo a emoção e outros sentimentos que o diretor gostaria de expressar.

    Cada arte tem seus truques e linguagens e não podem ser jogados no lixo com uma desculpa estapafúrdia dessas.
    Felizmente os pintores impressionistas, por exemplo, não concordavam com essa visão da arte.

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