Produtos que incentivam pirataria
Em um post que fiz há algum tempo, questionei o porquê das empresas fabricantes de eletro-eletrônicos lançarem produtos claramente apoiados no mercado pirata, tornando melhor e mais fácil a vida de quem faz downloads ilegais: dvds com DIVX e MP3players. Inclusive, entre elas, está a própria Sony, que como produtora de filmes e músicas seria bastante prejudicada pela pirataria.
Hoje em dia até podemos encontrar conteúdo oficial em MP3 para se comprar, embora muito pouco se comparado a quantidade e variedade de produtos que tocam esse formato. Até pouco tempo atrás, achar qualquer conteúdo em MP3 sem ser pirataria era impossível.
Quanto ao DIVX, um visitante chegou a levantar a questão de que os players existiriam pois existem câmeras que gravam nesse formato. Você conhece alguma câmera que filme em DIVX? Eu também não. Mas fizemos uma pesquisa e realmente encontramos duas da Casio e 7 da Pentax. Nenhuma delas barata e obviamente nenhuma vendida no Brasil. Existem ainda 2 celulares da LG que também gravam em DivX. Já os dvd players que rodam DIVX são vendidos no Brasil a preço bem acessível. Praticamente todos os players novos aceitam esse formato.
Novamente, existe uma discrepância enorme entre a disponibilidade do arquivo por meios legítimos e a quantidade de players vendidos no mercado.
Eu questionei e questiono a fabricação e venda desses players, pois estas empresas jamais foram importunadas pelo governo ou por associações como MPAA ou RIAA. Nâo foram perseguidas, questionadas, multadas ou pressionadas de qualquer forma. O mesmo não acontece com o consumidor.
Na Folha de São Paulo, o escritor Cristovão Tezza também levanta essa questão, e ainda lembra da TV e do Home-Theater com entrada USB e do lucro obtido na fabricação e venda de CDs e DVDs virgens.
Também é estranho que uma empresa como a Sony lance um produto que irá prejudicar a ela mesma, já que a pirataria seria responsável por roubar tanto lucro das produtoras.
Pirataria e a Propaganda Boca a Boca
Aí entra outra questão: será que a pirataria rouba mesmo tanta renda dos produtores culturais? Será que um filme como Tropa de Elite seria o estouro que foi sem o boca a boca? É claro que se todo mundo que viu o filme pagasse ingresso, a renda seria maior. Mas tenho certeza que a maioria simplesmente não teria assistido. Ainda mais se tratando de um produto nacional, que sofre com o preconceito do grande público. A pirataria divulgou o filme e fez com que muitas pessoas que preferem ver no cinema fossem às salas de projeção e aumentasse a bilheteria. Ao mesmo tempo diversas pessoas viram a versão pirata, gostaram muito do filme e então pagaram o ingresso para assistir na qualidade que só uma boa sala de cinema proporciona (assumindo que na cidade em que o consumidor mora exista uma boa sala de cinema ou exista qualquer sala de cinema!).
Não é segredo para ninguém que muitos canais de televisão acompanham o download ilegal das séries e o sucesso que elas fazem em cada país, para então investir mais num determinado seriado ou gênero. Até os livros também se beneficiam da propaganda positiva de quem baixou ilegalmente, gostou e contou aos amigos. Afinal, a maioria do público prefere ler o livro em papel mesmo, não em tela de monitor ou palm.
Conclusão
Assim, parece que ficam claro duas coisas:
1) a pirataria recebe o incentivo de grandes empresas multi-nacionais que sabem o que o consumidor deseja e em vez de uivarem para lua angustiadas ou irritadas, resolveram se adaptar e atender ao mercado.
2) A pirataria está diretamente relacionada com a propaganda boca a boca. Assim, um bom produto é beneficiado por ela, enquanto um produto ruim é prejudicado.