israel-palestinaMinha opinião pessoal, de forma bem rápida e simplificada, é que Israel está agindo de forma extremamente idiota e violenta: fomentando o ódio e criando futuros inimigos, com sua política de atacar de forma indiscriminada, selvagem e extremamente cruel.

Ao mesmo tempo, acredito que o Hammas é outro idiota, que sabe que não pode sequer ferir Israel e faz questão de efetuar disparos de míssil sobre a população isralense, sabendo que o exército irá retalhar com toda força. Ou seja,  na verdade o Hammas não está dando a mínima para as vidas dos palestinos que supostamente ele defende.

Os civis palestinos também estão comendo mosca ao não denunciar paras as autoridades de Israel quem são e onde estão esses bandidos. Embora nesse sentido eu entendo que eles possam ter o mesmo medo que impede a população das favelas de denunciar os traficantes à polícia. Ainda assim, considerando a aniquilação promovida pelos judeus, talvez valesse a pena correr o risco de denunciá-los. Ou ao menos pedir asilo político a algum país, sair de lá a qualquer custo.

Bem, mas toquei nesse assunto pois resolvi publicar aqui um texto que fala exatamente disso, publicado no jornal DCI – Comércio, Indústria e Serviços de hoje. O autor, Afrânio Barbosa de Souza, é advogado, administrador de empresas, diretor  e conselheiro de algumas empresas nacionais. Ele consegue passar em poucos parágrafos o sentimento que eu – e muita gente – também sente sobre esse conflito e sobre a humanidade.

Leiam, reflitam e me digam o que vocês pensam sobre o que foi dito:

“DEUS! Ó, DEUS! ONDE ESTÁS QUE NÃO ME RESPONDES?

Em minha vida poucas vezes tenho tido vergonha de pertencer à raça humana. Esta espécie cheia de conflitos. Muitas vezes orgulhosa, algumas vezes generosa. Que luta pelo progresso e pela liberdade para de repente se tornar feroz, destruidora. Sonhadora como Colombo em busca do Novo Mundo para se tornar animalesca como Cortez na destruição da civilização Inca. Certamente a humanidade que chegou ao Século XXI não é a espécie pretensiosa do Homo Sapiens que julga ser, mas a destruidora raça do Homo Belicus.

Nenhuma vez entretanto senti tanta vergonha de pertencer à espécie humana como quando tomei conhecimento da barbárie cometida pelos nazistas contra o povo Judeu durante a segunda guerra mundial. Os relatos, os números, os requintes de perversidade cometidos pelos nazistas contra os indefesos Judeus que nenhum crime contra o estado ou pessoas cometeram e cuja única culpa era a de… serem Judeus. E isto em pleno século XX. Quando vejo fotos das pessoas em pele e osso saídas dos campos de concentração, quando vejo fotos dos homens, mulheres e crianças caminhando indefesos em direção aos crematórios e dos cadáveres empilhados, choro. Tenho vergonha por pertencer a esta espécie desumana que destrói seu semelhante sem qualquer piedade ou sentimento de culpa.

Carregando em minha genética o conflito da espécie, creio na criação e ao mesmo tempo aceito o evolucionismo como duas teorias que se completam e não se conflitam como pensa a maioria. E torço para que os cientistas acelerem logo a evolução para que uma nova espécie, um Homo Pacificus substitua rapidamente o Homo Belicus.

A pequena parte de generosidade que habita a alma humana permitiu que após a guerra mundial os Judeus e seus descendentes constituíssem uma nação. Considerando os séculos e séculos de perseguição que culminaram com a selvageria nazista acredito que nenhum homem de paz e bom senso possa ser contra este desejo.

Entretanto, criada a nação, inicialmente por falta de habilidade política tanto de Judeus como de Palestinos brotou o eterno conflito da luta do homem por um pedaço de terra. Por não ter existido um Gandhi do lado Judeu, ou um Cristo do lado Palestino o conflito se degenerou em ódio cruel transmitido de geração em geração. Apoiado pelo poder econômico americano e pelo seu próprio poder bélico o Estado de Israel se tornou um estado guerreiro e cruel que mata e destrói sob o pretexto de não ser morto ou destruído. Inferiorizados os palestinos recorrem ao fanatismo religioso que transforma a vida em instrumento de morte. Fanatismo que se sustenta e abusa das ilusões e esperanças dos jovens. Assustada com tanta loucura e ódio, a razão abandonou ambos os lados. Abandonou até mesmo toda aquela região que passou a atrair de todas as partes do mundo os fanáticos que para lá se mudam – Judeus e Mulçumanos – para participarem, cada um de seu lado, desta longa e estúpida carnificina.

Atualmente o Estado de Israel bloqueou a faixa de Gaza e a transformou em um Gueto Palestino, onde a comida, os remédios os recursos humanitários são bloqueados na fronteira tal como os nazistas faziam com os infelizes Judeus nos campos de concentração.

Mas eu não tenho coragem de chamar o Estado de Israel de estado nazista. Não em respeito aos seus políticos atuais, mas em respeito aos milhares de judeus que indefesos foram assassinados durante quase uma década na Alemanha e nas nações ocupadas.

Seria um insulto a memória destes mártires.

Portanto só me resta voltar no tempo e recorrer à imagem da escravidão do século XIX.

Como é possível ouvir um dirigente do Estado de Israel afirmar que morrem mais crianças palestinas que judias porque os israelenses cuidam melhor de seus filhos? Sitiados na faixa de Gaza e bombardeados pela tecnologia bélica do Estado de Israel os palestinos se tornaram escravos humanos deste poder bélico. Não estou defendo o Hammas, estou defendo o povo indefeso que ali mora encurralado. Não estou defendo os ataques suicidas, não apoio nem acredito em fanatismo religioso de qualquer religião. Estou sofrendo com a destruição de um povo. Os negros de diversas nações africanas estão sendo destruídos pela fome. Pela insensibilidade nossa. Pela nossa omissão. Mas os palestinos da faixa de Gaza estão sendo destruídos pela ação de outros seres humanos.

Seres da minha espécie.

Que vergonha! Só me resta apelar para parte de minha alma que acredita na criação e repetir o grito do poeta Castro Alves em defesa dos negros: Deus! Ó Deus! Onde está que não respondes?

Afrânio Barbosa de Souza”

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Comentários do Blog

5 Comentários

  1. […] pouco tempo, eu publiquei aqui um belo texto de Afrânio Barbosa sobre a questão Palestina x Israel. Eu recebi um outro texto dele sobre taxa de juros, política econômica e dogmas. O texto foi […]

  2. Hamilton disse:

    É muita emoção envolvida. Por parte de política, cultura, religião… O pessoal também é bastante radical, assim não vão se entender. Acho que nem querem, tão afim de impor e pronto. Vão acabar se exterminando um dia… Lamentável.

    Belo texto. O Afrânio não tem blog não?

    Abraço.

  3. Alexandre disse:

    O texto publicado mencionou que ambos os lados estam agindo de forma errada e violenta. Mas em relação aos ataques de Israel, por um lado, eu apóio porque precisam se denfender dos ataques do Hamas. Mas pelo outro, esses ataques estam massacrando os palestinos com a maioria inocentes que não queriam que esse conflito acontecesse. Só porque o Hamas faz esses ataques não quer dizer que que todos os palestinos são terroristas. Espero que a ONU ou os EUA criem um cessar fogo para que de começo possam fazer Israel e a Faixa de Gaza pararem de vez com esses ataques. Talvez possa ser o 1° passo para que terminem com todos os conflitos do Oriente Médio.

    • Acredito que a maioria até deseja paz. Entretanto uma minoria radical (de ambos os lados) é muito eficiente em insuflar o ódio e manter viva a guerra.
      A forma mais eficiente de unir um povo e convocá-lo para apoiar a violência é fomentar o medo. Para se auto-preservar, o ser humano é capaz de qualquer coisa.

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