Em nenhuma atividade a diplomacia brasileira foi e continua sendo tão incompetente como na área humanitária em relação aos próprios brasileiros. Nenhuma outra dívida moral e econômica, no passado ou no presente, cai tão pesada sobre nossos diplomatas, sobre o governo e sobre toda a sociedade brasileira como a que adquirimos perante milhares de brasileiros que nos últimos vinte anos, fugindo do desemprego e da miséria, se auto-exilaram no estrangeiro em busca de oportunidades que lhe são negadas em sua pátria. Estrangeiros lá fora, imigrantes forçados e não desejados pela maioria das nações que os receberam, estes heróis durante vinte anos vêm enfrentando as mais adversas condições econômicas, sociais e psicológicas. Sobrevivem com honra e humildade, sem qualquer apoio ou reconhecimento da sociedade brasileira.

Pois são estes milhares de brasileiros, sofrendo as dificuldades da adaptação, muitas vezes em situação ilegal no país que os recebe, que ajudam economicamente sua pátria ingrata com enormes recursos econômicos enviados em moeda forte para suas famílias que aqui ficaram. Estes recursos, mais que ajudar as famílias, estas humildes economias diárias, fruto do suor dos filhos mais honrados que esta nação já produziu, ajudam anualmente nossa balança de pagamentos com bilhões de dólares enviados do Japão, dos Estados Unidos, da Europa ou de qualquer parte do mundo onde haja um imigrante brasileiro que tenha aqui família. Tão forte e lucrativa para nossa economia tem sido a ajuda de nossos exilados econômicos que o Banco do Brasil abriu agência em Tóquio que se nutre do produto de seus trabalhadores locais e das quantias enviadas aos seus familiares. O Brasil precisa resgatar esta divida moral e econômica com estes anônimos brasileiros.

Existem demagogos que se dedicam a nos acusar pelos erros de nossos antepassados. Existem sociólogos e filósofos de bibliotecas que pesquisam crimes sociais cometidos séculos atrás querendo que a sociedade do Século XXI resgate dívidas prescritas das sociedades brasileiras dos séculos XVIII e XIX. Existem Ongs e advogados apoiados em estranhas pesquisas geradoras de palavras inventadas como quilombolas –  um derivativo sociológico bastante tóxico – que buscam sangrar o Estado com indenizações e direitos aos descendentes de escravos e índios cujos ancestrais – exploradores e explorados – já morreram há séculos. Mas não existe nenhum programa que incentive nossos irmãos a regressar a pátria. Não foi criado sequer um bordão de forte  apelo e óbvio afirmando que lugar de brasileiro é no Brasil.

Enquanto isto a crise econômica mundial atinge estes brasileiros em cheio em todas as nações onde se encontram. São os primeiros a serem demitidos. No momento continuam desamparados e economicamente desesperados. Recente reportagem de uma rede de televisão mostrou brasileiros desempregados, morando debaixo de pontes no Japão. Certamente existem outros  na mesma situação sendo discriminados nos Estados Unidos e na Europa. E o que a reportagem informa é que o governo brasileiro só oferece passagem de volta para quem comprovar seu estado de extrema necessidade e mesmo assim largando-os em Cumbica  certamente para morar debaixo dos inúmeros viadutos de São Paulo.

Não é à toa que os brasileiros descendentes de terceira geração de imigrantes europeus, mesmo considerados de classe média ou acima, estão buscando ansiosamente a nacionalidade de seus ancestrais para obter um passaporte europeu. Parece que ser brasileiro tanto lá fora como aqui, deixou de valer a pena. Os  principais responsáveis por termos chegado a este estado de coisas são os três poderes da republica: Executivo, Legislativo e Judiciário e especialmente o Itamaraty responsável por assistir os brasileiros no exterior. E enquanto permanecerem  calados, a imprensa e toda a sociedade brasileira.

Como diria Boris Casoy se fosse o autor deste artigo: Isto é uma vergonha!

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3 Comentários

  1. Damnati disse:

    Se você pudesse conferir in loco o comportamento do brasileiro médio na Europa – como eu já vi – repensaria esse ponto de vista de que o brasileiro é injustiçado !!!

  2. Não gostei muito do título do post, pois fica a impressão de que a idéia central seria que brasileiro não deve sair do Brasil. O texto em si, no entanto, é muito bom, e mostra o contrário: o quanto esses brasileiros ajudam a nossa economia e como nós os abandonamos à própria sorte quando são eles que precisam de ajuda.

    Outro fato interessante é que alguns brasileiros no exterior parecem ser mais dignos de proteção do que outros, pela ótica do governo: a doida na Suiça recebeu apoio imediato, enquanto os dois rapazes espancados e roubados na Grã-Bretanha não receberam nenhuma manifestação oficial pública de apoio.

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