criseNeste primeiro trimestre de 2009 fomos bombardeados com noticias ruins da área econômica vindas de todas as partes do mundo. Não há jornal, não há rede de televisão ou página da internet que não divulgue diariamente alguma desgraça do mundo financeiro internacional. Ora são os PIBs dos países que desabam, ora são executivos malandros que pagam bônus a si mesmo por quebrarem empresas salvas pelo governo. As fotografias e filmes das passeatas de desempregados em Paris, Londres, Roma, Berlim e Detroit  se repetem. Nossa sociedade se prepara para o pior a cada dia que passa.  A crise de 1929, que tanto maltratou a humanidade, se transformou em desenho animado de fantasminha diante deste monstro que abala e apavora o mundo globalizado.

Reconheço a gravidade da crise. São visíveis seus efeitos, as dores e o sofrimento em todas as economias adiantadas e em desenvolvimento, e não poupa nem o Brasil. Mas não participo da insegurança generalizada quanto ao futuro próximo. Estou convencido que estamos no fundo do poço. Não há mais onde cair e antes que 2009 termine veremos sinais de recuperação aparecer tanto em nossa economia como na dos demais paises. Naturalmente, será o ano da recessão econômica mundial, mas enquanto as pessoas buscam enxergar luz no final do túnel eu consigo ver luzes dentro do túnel. Não é preciso utilizar nenhum conhecimento econômico sofisticado para chegar a esta conclusão.  Basta usar o bom senso e estudar o que já passou. Estas são as luzes que estão brilhando no túnel da crise e que fechamos os olhos para não ver.

  1. As maiores perdas dos conglomerados financeiros mundiais já foram identificadas. Ainda poderão aparecer mais ativos contaminados, mas serão apenas residuais diante dos valores já conhecidos;
  2. As dificuldades da indústria automobilística mundial estão contabilizadas e medidas;
  3. A crise resultante da falta de confiança que travou o crédito e a circulação monetária mundial chegou a sua contração mais profunda. Não tem mais onde reduzir. Brevemente veremos o inicio de sua distensão, isto ainda no ano de 2009. Será uma distensão demorada, lenta e gradual como dizia Geisel;
  4. A crise mundial tem o seu epicentro no setor financeiro. Mas o setor financeiro não é o único mercado existente. Existem o mercado industrial, o mercado da tecnologia da informação, o mercado agrícola, o mercado de serviços, o mercado da pesquisa cientifica, o mercado de lazer e entretenimento, etc. E estes mercados, apesar de afetados pela falta de circulação monetária, continuam saudáveis e intactos;
  5. E, finalmente, os consumidores não morreram.

fimdacriseOra, quando se conhece um problema, quando se começa a analisar e medir sua extensão e conseqüência (e hoje o problema financeiro mundial é de conhecimento tanto da área de negócios como da área política), a solução vem a seguir. Não será fácil aplicá-la como pode parecer nosso argumento, mas está sendo e será amargamente aplicada.

Na verdade, os problemas já começaram a ter solução. A crise derrubou os preços do petróleo. Mas era sensato o petróleo custar 140 dólares o barril?! Ou o minério de ferro ser reajustado 70% ao ano baseado no consumo da China?! Fazia sentido a especulação mundial nos preços de commodities, os créditos baratos e de longo prazo gerados pela abundância de liquidez na economia mundial? As operações de alto risco aprovadas por executivos gananciosos de olho não na segurança das corporações que administravam, mas nos bônus que os transformavam em pessoas bilionárias com o menor esforço possível? A crise atual fez tudo isso aparecer. A maioria destes executivos foram ou estão sendo afastados. Sob esta ótica, quais anos foram melhores: de 2004 a 2007 – os anos da especulação – ou 2008 e 2009 – os anos da purgação?

Já no inicio do segundo semestre deste ano a crise, como todo tsunami, começará a perder sua força. Certamente a forma de administrar negócios, principalmente dos grandes conglomerados financeiros mundiais não será a mesma. E tomara que não seja. Por outro lado, a importância que o setor financeiro possuiu nas economias mundiais deverá dar mais espaço para as atividades de outros setores. Claro que o setor financeiro é importante e gera riquezas. Esta crise prova isto. Porém ocupou espaços que não lhe pertencia, desenvolveu produtos de má qualidade, confundiu investimento com especulação e por isso, é o mais afetado.

E assim,  veremos que o mundo, por ser maior, não coube dentro da crise e, portanto, não pôde ser engolido. E em 2010 sobreviveu a ela.

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