Uma das estréias mais aguardadas na TV é a série FlashForward. Tem sido comparada à Lost, o que não sei se é algo positivo, mas até que a premissa é bem interessante. A história foca nos acontecimentos posteriores a um grande “FlashForward”, evento em que o planeta pára por uns 2 minutos e nesse tempo diversas pessoas tem visões do futuro (leia mais detalhes na Wikipédia em inglês). Essa idéia parece uma mistura de Village of the Damned com The 4400.

Com 13 episódios já encomendados pela emissora ABC, a série é baseada em um livro escrito em 1998 por Robert J. Sawyer e ganhou o Prêmio Aurora (a melhor premiação da ficção científica do Canadá). Sawyer escreveu outros 18 livros, inclusive Hominids, vencedor do prêmio Hugo.

Sou assinante da Newsletter da Tor/Forge e na edição de agosto veio uma coluna escrita pelo Robert J. Sawyer, que achei interessante e reproduzo abaixo, devidamente traduzida:

flashfoward-book

“Estou enfrentando dissonância cognitiva relacionada com FlashForward. O meu romance é sobre ver o futuro, mas encontro-me constantemente voltando para o passado quando eu penso sobre ele.

Vejam, ainda que haja uma série televisiva baseada no meu livro estreando quinta-feira, 24 de setembro de 2009, eu terminei de escrever o romance em 1998 (e a Tor publicou em junho de 1999).

Nos últimos dez anos, eu tinha esquecido muito do que escrevi no livro. Eu nunca releio meus romances depois que eles forem publicados, mas, uma vez que sou um consultor sobre a série televisiva (e até mesmo escrevo um dos episódios), eu rompi com a tradição e, recentemente, li FlashForward novamente.

Para dizer a verdade, nunca foi um dos meus favoritos (de todos os meus livros, Factoring Humanity é o que eu gosto mais). Isto não tem nada a ver com o livro em si, mas sobre como me sentia quando eu escrevi, e por razões que já não lembro, eu não tinha muito prazer de trabalhar em FlashForward.

Mas outros sabiam  que FlashForward era especial logo de cara. Ele rendeu a minha primeira “crítica estrelada” no Publishers Weekly, denotando ser um livro de excepcional mérito. E Vince Gerardis, meu agente em Hollywood, estava tão entusiasmado com FlashForward que ele conseguiu me convencer a recusar uma oferta pelos direitos de filmagem de um grande estúdio de Hollywood, porque sentiu que o livro era destinado para coisas ainda maiores.

Neste caso, o meu agente foi melhor em predizer o futuro do que eu! Com toda certeza, FlashForward é o projeto mais aguardado da TV americana neste outono, e estou bastante feliz que esperamos até que Vince fosse capaz de costurar o negócio ideal.

Ainda assim, em defesa da minha própria capacidade em predizer o futuro, gostaria de observar que o assunto pelo qual eu recebi mais e-mails em toda a minha carreira é uma referência em FlashForward que em 2009 o nome do Papa seria Bento XVI. As pessoas sempre perguntam se eu tive meu próprio flashforward permitindo-me acertar em cheio.

Estou encantado com o trabalho de David Goyer, Jessika Goyer, Brannon Braga, e Marc Guggenheim ao adaptar o meu romance. Claro, eles fizeram algumas alterações, que é de se esperar. Mas há uma que eu apreciei bastante: a data do “flashforward” na série de TV foi deslocada de 21 de abril de 2009, que eu especifiquei no livro, para 29 de abril de 2010 – meu quinquagésimo aniversário!

E, você sabe o que mais? Relendo o livro após uma década, eu fiquei – sem falsa modéstia – muito satisfeito. E eu espero que você fique também.”

Robert J. Sawyer

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Comentários do Blog

5 Comentários

  1. Pablo Carneiro disse:

    E já estão a ligar os motores do Grande Colisor…

    Aqui tem parte do livro em português, e completo em inglês e espanhol:
    http://flashforward.com.br/flash-forward-livro-download-t268.html

  2. Afranio B. de Souza disse:

    Epa! Esta previsão sobre o Papa Bento XVI escrita em 1998 é real?
    Onde posso encontrar este livro?
    Quanto a mim nunca tive um flash foward. Mas consigo muito bem saber o que está vindo do futuro, lendo o passado.Isto é, tenho flash back! Estas leituras dificilmente falham. Mas não se deve voltar muito ao passado como os geologos que falam em 10.000 a 100.000 anos. Daí nasceu conclusões delirantes.

  3. Só uma correção, quase todas as pessoas do planeta tem esta visão do futuro, os que não tem são os que estavam inconscientes ou … bom, supõem-se que os que estavam conscientes e não viram nada, estarão mortos no dia da visão.

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