caminho-das-indiasAcabou a novela Caminhos das Índias. Que pena! Fazia tempo que eu não assistia uma novela boa assim. Aliás, fazia um bom tempo que eu não via novela. Não tenho mais paciência. Mas essa foi diferente: bem produzida, personagens interessantes, boas tramas e, principalmente, saiu da mesmice. A mudança de cenário, com parte da novela se passando na Índia, foi muito positiva. Mesmo tendo-se exagerado em alguns aspectos, como a ênfase nas superstições, transmitiu-se alguma cultura para a grande massa popular. E como tempero, mantiveram as músicas e dancinhas que, apesar das piadas do Casseta e Planeta, fazem parte de todas as produções de Bollywood.

Mas não foi só o molho indiano que diferenciou essa novela. Geralmente eu assisto ao primeiro capítulo de uma novela da Globo e já sei como ela vai terminar. Nessa, se eu tivesse feito apostas teria quebrado a cara. Ou alguém imaginaria no começo que a Maya não ia ficar com o dalit Bahuan,  e em vez disso iria se apaixonar pelo marido cujo casamento foi arranjado? Tanto Raj quanto Maya eram apaixonados por outras pessoas, indivíduos estigmatizados (uma mulher estrangeira e um homem pária), mas forçados a casar um com outro pela força dos costumes de uma sociedade preconceituosa. Ora, em qualquer novela eles iriam se libertar dessas amarras e lutar pelo amor proibido. Idéia reforçada pelos bebês que tiveram. Em vez disso, se apaixonaram. O Dalit quase virou vilão!

Outros núcleos também apresentaram algumas surpresas, ajudando a manter o interesse na novela. Ao ver a Tônia, por exemplo, eu achava que ela ia dar uma de patinho feio e uma hora iria aparecer linda e toda produzida. Mas embora ela tenha ganhado mais confiança e aprendido a tomar as rédeas de sua vida, manteve o seu visual tímido.

As interpretações também foram muito boas, como a do Raul, que convenceu como idiota-vítima e o esquizofrênico Tarso. Aliás, o Bruno Gagliasso vem se mostrando ser um ótimo ator. Ele também estava bem em Paraíso Tropical, outra boa novela.

Claro, eu poderia fazer algumas críticas. O último capítulo, por exemplo, correu com algumas coisas e se arrastou com outras. Mas o importante é que botando na balança, a Globo acertou nessa. Além de ter o público noveleiro de sempre, conquistou a audiência de pessoas que não costumam assistir por osmose qualquer novela.

bebeUma idéia que pensei, mas duvido que se concretize: a Globo poderia produzir daqui a alguns anos uma continuação “Companhia das Índias”, mostrando a nova geração. Afinal, nunca vi uma novela com tantos bebês (a maioria tem o pai trocado): temos o bebê da Maya, o do Raj, os gêmeos da Camila e  o bebê que a Surya adotou secretamente como sendo seu. Além da gravidez revelada da Sílvia e o núcleo infantil indiano, já consagrado. Novos personagens poderiam aparecer, como um filho inseminado do César (pai do pitboy), por exemplo, e alguns antigos poderiam retornar.

Se filmes e livros podem ganhar diversas continuações e séries de TV podem ganhar spin-offs, por que uma novela não pode gerar uma continuação futura?

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1 Comentário

  1. Sinceramente, bem que eu tentei ver alguns capítulos mas é impossível ficar mais de 5 minutos na frente da TV vendo novela, eu achei praticamente todos canastrões, tudo pasteurizado e repetido ad-nauseum e no padrão Glória Perez de grandiosidade minúscula.

    O último capítulo tentei, nem que fosse pra acompanhar a esposa e a mão na frente da TV mas preferi ir pegar chuva na rua, é muito ruim, mesmo.

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