Foi divulgado semana passada o resultado da premiação mais prestigiada na comunidade científica, o prêmio Nobel.

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            Este post é dedicado ao Nobel de Fisiologia ou Medicina deste ano, “pela descoberta de como os cromossomos são protegidos pelos telômeros e pela enzima telomerase”.

É a biologia tomando conta do Nobel de Medicina, já que (ainda) não tem categoria própria…

Os laureados são Elizabeth H. Blackburn (University of California, San Francisco, CA, USA), Carol W. Greider (Johns Hopkins University School of Medicine, Baltimore, MD, USA) e Jack W. Szostak (Harvard Medical School; Massachusetts General Hospital, Boston, MA, USA; Howard Hughes Medical Institute), cujo trabalho é sobre as extremidades cromossômicas, que por muito tempo permaneceram uma incógnita.

Depois de descoberto o mecanismo de replicação do DNA e visto que, devido a uma característica da DNA polimerase (a enzima que adiciona os nucleotídeos na cadeia nova de DNA), uma extremidade da fita de DNA fica mais curta que a outra, pensava-se em como as células fariam para não perder as informações contidas nas extremidades dos cromossomos, uma vez que a cada ciclo de replicação, o DNA perde um pedacinho da sua extremidade.

Descobriram então que as extremidades cromossômicas são constituídas por uma sequência de nucleotídeos repetitiva não-codificante, que protege o cromossomo de perder sequências gênicas por causa dessa perda de extremidade. Então a cada ciclo de replicação, perde-se um pedaço dessa sequência repetitiva protetora ao invés de perder informação gênica.

Três cromossomos duplicados, mostrando os telômeros em vermelho.

Três cromossomos duplicados, mostrando os telômeros em vermelho.

Já foi discutido aqui no blog sobre os telêmeros no post Clonagem – entendendo o que é um clone. Vamos recapitular:

 “Nas extremidades dos cromossomos (filamentos de DNA super compactados) existe uma região chamada telômero, que é uma seqüência de DNA que atua como um “relógio” para a célula. A cada divisão celular, o telômero se encurta um pouquinho, e quando a célula atinge um número x de divisões, o telômero está tão curto que a célula percebe que se continuar se dividindo ela vai começar a perder partes importantes do cromossomo e a célula é encaminhada para apoptose (morte celular programada).”

 Não bastasse essa descoberta revolucionária, descobriram que há uma enzima, a telomerase, que produz os telômeros e em alguns casos os regenera. OPA! Então quer dizer que a cada replicação, os cromossomos perdem um pedaço dos telômeros e eles são regenerados? Não necessariamente.

Normalmente, a telomerase só fica ativa em células embrionárias, que precisam se multiplicar muito rapidamente sem que haja morte celular significativa e em células tumorais, que perdem a habilidade de reconhecer que a célula está velha e que precisa morrer justamente pela ação dessa enzima, que regenera os telômeros e com isso a célula não recebe o sinal para entrar em apoptose.

Legal, né? Eu fico babando com essas coisas, e você?

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Comentários do Blog

1 Comentário

  1. Lin disse:

    Bom, eu babo geralmente com outras coisas, mas o assunto é deveras interessante…
    Citando a fonte:
    “In conclusion, the discoveries by Blackburn, Greider and Szostak have added a new dimension to our understanding of the cell, shed light on disease mechanisms, and stimulated the development of potential new therapies.”

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