Os brasileiros já não sabem mais como exprimir a indignação Origem e História do Panetonequanto ao comportamento imoral dos políticos em todas as esferas: federal, estadual e municipal. De todos os lados, tanto no governo, como na oposição. Desanimados, chocados, acompanham o noticiário do ultimo escândalo vindo de Brasília, agora envolvendo o Governo do Distrito Federal. Quase todos os membros da cúpula daquele governo foram filmados recebendo dinheiro vivo, inclusive o próprio governador. E diante de provas estarrecedoras que levariam a confissão até traficantes execrados como Fernandinho Beiramar, insistem em jurar inocência, com panetônicas explicações. O que está ocorrendo no Governo do Distrito federal seria classificado como atividade de quadrilha, por qualquer estudante de direito se o caso fosse colocado em prova.

E ainda vem o Presidente da Republica, que desta vez não tem, nem ele nem seu partido, qualquer envolvimento direto ou indireto, dizer que fotos e filmes não são o que parecem. Diz que não deseja julgar. Mas esta afirmação não é um julgamento, é uma defesa. E porque defender quem se encontra enlameado por graves acusações?  Parece mensagem subliminar para a oposição: não condenem meus pecados da mesma forma que não condeno os seus.

Até quando os homens que governam este país, seja no executivo, seja no legislativo, seja no judiciário continuarão a debochar da paciência e da passividade do povo brasileiro? Até quando empresários gananciosos e corruptos irão participar deste botim imaginando que o crime de quem corrompe é menor do que o crime de quem é corrompido?

Todos são culpados.

A primeira culpa vem do setor privado. Do setor privado? Sim, do setor privado. De nada adianta as empresas sérias desenvolverem regras de Governança Corporativa, de ética empresarial, se não reagem contra empresários, dirigentes e administradores das empresas que se lançam na corrupção. Um empresário ou empresa que se entrega a corromper como forma de competir e ganhar mercado, é antes de tudo um mercenário, um bandido que deve ser excluído dos órgãos de classe em que atua, e sua empresa deve receber um rating negativo dado pelo setor privado de modo que nenhum governo sério queira desenvolver negócios com ela. O que os órgãos de classe irão fazer com a empresas do Sr. Paulo Otavio e de todas envolvidas neste escândalo? Culpo o setor privado por sua passividade e por ver grandes empresários honestos do país, como os Gerdau, os Diniz, os Setúbal, os Ermírios sem reação acreditando que isto não os afeta. E como afeta! Reajam empresários, antes que o povo o faça. Se o povo reagir a politicalha irá usá-los como bodes expiatórios.

O segundo culpado é o Judiciário. Lento, preguiçoso, em todos os níveis, burocrático, dando mais valor a formalidade que aplicação da lei. O judiciário brasileiro se transformou no palco ideal dos litigantes sem razão. Não pode mais vigorar o refrão a justiça tarda mais não falha. No século 21, no século da informática, justiça que tarda já falhou. Os membros da cúpula do judiciário estão mais dedicados a construir carreira, a elaborar curriculum de saber jurídico que em distribuir justiça. Ainda no mês de novembro o Supremo Tribunal Federal em decisão inacreditável, eliminou o principio de que decisão judicial não se discute, se cumpre, para decisão judicial não se cumpre, se interpreta. Outro dia num coquetel um empresário que teve terras invadidas pelo MST ao relatar sua angustia ouviu de um juiz de alto cargo no judiciário: Se você não tivesse terras, não teria este problema. Como diria Boris Casoy: Que vergonha! Sabemos que existem exceções. Mas são tão raras que não conseguimos identificar nomes para citação. Hoje, os homens do Judiciário brasileiro mergulharam e habitam um poço profundo repleto de Excelências, de Meritíssimos e de vetustas vaidades pessoais.

Os terceiros culpados são o legislativo e o executivo. A corrupção fundiu estes dois poderes em um só. Não existe mais separação entre eles. Não existe a independência do legislativo pela qual lutou no passado aqueles que contestaram a ditadura militar. Antes o legislativo era submetido ao poder das baionetas do executivo. Agora esta submetido ao poder da corrupção, sendo o executivo o corruptor e o legislativo o corrompido. Elaboração de leis, aprovação de projetos, liberação de verbas, construção de usinas tudo é tabelado e comercializado em milhões de dinheiro vivo. E tudo é apresentado como verba de campanha, apontando a democracia como culpada da desgraça. No executivo devemos excluir do lamaçal o íntegro vice-presidente Jose de Alencar. Desgraçadamente, com tantos para atacar, a doença foi escolher logo o melhor.  No legislativo, depois que a viúva do senador Jéferson Perez apossou-se de verba de viagens do defunto marido temos receio para identificar qualquer exceção, embora elas existam.

Lula_Foto_OficialDesde que o atual presidente assumiu o poder, por seus méritos e de sua equipe econômica, a economia do país só fez melhorar. Mas desde que permanece no poder, por seus defeitos, por sua arrogância rústica e de sua equipe política, que o assessorou e que o assessora, o país tornou-se palco de corrupção permanentemente. Mudam-se os atores mas a peça é a mesma. E assim será até que o futuro elimine esta geração que está no poder e que nos dá nojo.

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(artigo publicado em 10/12/2009 no DCI – Diário do Comércio e Indústria)
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3 Comentários

  1. O senhor acha mesmo (sério) que tudo isto é novidade?

    Na minha opinião tudo isto sempre existiu e não em maior ou menor grau. A única diferença é que hoje é público e notório.

    • Afranio Barbosa de Souza disse:

      Concordo que tudo isso sempre existiu.
      Discordo que era em igual ou maior grau. Era em menor grau.
      Discordo que nao era publico. Sempre foi publico. Agora com a internet e apenas mais rapido a divulgaçao.
      Nao e por ter existido que a atual existencia nos impeça de protestar e lutar para reduzir, punir, indignar-se.
      A acomodaçao ou a aceitaçao por nao haver puniçao e a pior de todas a atitudes.
      Reajam jovens. O futuro e de voces.

  2. […] This post was mentioned on Twitter by Matheus Paviani, Antonio Carneiro. Antonio Carneiro said: Novo Post: No Reino da Imoralidade (http://bit.ly/5CIeHm) […]

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