Há mais de quarenta anos sou eleitor. Não porque seja exigente, mas talvez por idealismo – sentimento que hoje só existe na descrição dos dicionários, e residualmente em meu coração – nestes anos todos tenho votado sempre no candidato que em minha opinião representa menor risco para a sociedade. Votar em cargos executivos é escolha mais fácil, pois o número e a exposição dos candidatos facilita a seleção do “risco menor”. Mas para os cargos do legislativo a escolha sempre foi difícil. E olhe que houve eleições para cargos legislativos até mesmo no tempo da ditadura. Mesmo naquela época, votando nos candidatos do MDB, a escolha não era fácil. Tancredo, Ulisses Guimarães e Thales Ramalho eram apenas três e alguns medebistas, quando eleitos, a primeira medida que tomavam era trocar o partido pela segurança da ARENA, o partido oficial.

Mas nestas eleições escolher candidatos para senador, deputado federal e estadual tornou-se tarefa dificílima. Como adquiri o hábito há anos de não reeleger ninguém para tais cargos, em minha tentativa solitária de oxigenar os poderes legislativos, encontro-me agora angustiado.

Os tribunais eleitorais tem divulgado de forma didática quais são as atribuições de cada um dos cargos que estão em disputa nestas eleições com o objetivo de orientar os eleitores. Em minha opinião deveriam elaborar um curso para orientação dos candidatos.

Há candidatos a deputados estaduais que prometem reduzir impostos, atividade da área federal. Há candidatos aos cargos federais que prometem reduzir os pedágios e as multas de trânsito, atribuições do executivo estadual. Outros candidatos a cargos federais prometem creches, aumento do salário de professores, água e esgoto, atividades das esferas estaduais e municipais. Minha caixa postal está cheia de emails de candidatos com tais propostas. Todos abraçam com fervor a ecologia e a figura hoje popular do presidente da república. Nas se preocupam com a cloaca suína em que se tornou a política e a gestão da coisa pública nesta administração, pois embora administradores do palácio sejam envolvidos em denúncias graves, tudo é invenção da imprensa. A demagogia perdeu o disfarce da esperteza e tornou-se estúpida, ignorante e debocha do bom senso do eleitor. Pela primeira vez na vida andei cogitando anular meu voto para estes cargos. Mas fui educado que anular o voto é prática de quem desiste da democracia. A eleição se aproxima e entre tantos candidatos encontro-me sem candidato.

Então, para tentar votar em alguém, desenvolvi quatro perguntas. Os candidatos que desejarem o meu voto e responderem tais perguntas de forma simples e objetiva podem deixar suas respostas nos comentários deste post. Espero receber bastante retorno para votar naquele que melhor responder.

Primeira pergunta: As passagens aéreas semanais fornecidas aos deputados federais e senadores a pretexto de visitarem suas bases foram criadas quando Brasília foi construída e não havia os meios de comunicação com os eleitores e as “bases”. Hoje, existe a internet, os sites de relacionamentos, os Blogs que qualquer político pode implantar e se comunicar com os eleitores, prefeitos e cabos eleitorais, imediatamente e diretamente do Congresso ou da residência que a nação lhes dá de graça. Assim, caso seja eleito, você se compromete a só viajar para sua cidade durante as duas férias congressuais, a não fornecer passagens aéreas para terceiros e a não viajar para o exterior a custa dos impostos que indiretamente até os mais miseráveis deste país são obrigados a pagar ao tomar um copo de leite ou comer um prato de feijão? Em outras palavras, concorda em passar todos os fins de semana, exceto nas férias, em Brasília?

Segunda pergunta: Você terá direito na Câmara Federal ou no Senado entre 10 a 15 assessores legislativos. Existem nos quadros públicos – BACEN, BNDES, BB, FGV, IBGE, EMBRAPA e no próprio CONGRESSO – os melhores assessores para ajudá-lo a ser um parlamentar competente e a apresentar as melhores propostas para os interesses da sociedade. Você se obriga a só colocar em sua assessoria pessoas deste grupo e não a fazer “troca-troca” com outro parlamentar, nomeando os parentes dele para seu gabinete para que seu colega retribua nomeando os seus para o gabinete dele, praticando assim nepotismo proibido?

Terceira pergunta: Você se compromete a não mudar de partido durante todo o seu mandato? Além disso, esta prática poderá fazê-lo perder o mandato, apesar de sempre haver um jeitinho patrocinado pelo próprio governo em busca de maioria.

Quarta pergunta: Se você for pego envolvido em alguma atividade ou ato desonesto se compromete a se defender com os meios e imunidades que a lei lhe coloca a disposição e a não acusar a mídia de mentirosa e de persegui-lo?

Não peço e nem tenho esperanças de que o candidato em que irei votar seja honesto. Não estou esperando que não participe de maracutaias de qualquer partido. Como escrevi anteriormente meu idealismo está desgastado, rôto. Espero que aquele em que eu irei votar compreenda que se atender minhas colocações estará revestindo seu mandato de um véu mínimo de ética. Só quero evitar que meu voto indeciso se transforme em voto indecente. E assim, por ainda acreditar na democracia, que não é a mesma idealizada pelo atual governo, não me sentirei imbecil por não ter anulado meu voto. Não pisoteiem na minha ultima esperança: a democracia.

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