horda de zumbis

Conto apocalíptico… com zumbis!

Pequena história sobre mortos-vivos e o fim da civilização como a conhecemos.

Pessoal, uma pequena pausa nos posts habituais para um pouco de literatura. Sim, porque conto de zumbis também é literatura. Essa é uma pequena idéia que me veio na cabeça e fui pensando nessa história. Na hora de escrever, ela foi se “escrevendo sozinha” e surgiram alguns detalhes, enquanto outros sumiam. Quem gostou, não entendeu ou odiou, comente. Prometo que quando virar zumbi eu deixo seus miolos por último.

* * *

horda de zumbis

Enfim, ele chegou. O Apocalipse Zumbi chegou. Veio de mansinho, foi crescendo e tomou conta do mundo. E nada desses zumbis moderninhos, que correm velozes e furiosos. Eram os clássicos mortos-vivos, lentos, silenciosos, decompostos e com muita fome. Não buscavam apenas miolos, mas qualquer pedacinho suculento de gente.

Bem, tecnicamente, os zumbis não devoravam somente gente, mas qualquer ser vivente. Os primeiros a desaparecerem das cidades foram os gatos, cães vira-latas e pombos. Depois os ratos. Tinha gente que estava até gostando da idéia e começaram campanha na internet – Salve um Zumbi – com camisetas e recolhimento de donativos. Quando a população de rua, como mendigos e pivetes, começou a desaparecer, houve certa polêmica, mas a campanha “Salve um Zumbi” ganhou ainda mais força.

Claro que nem todo mundo estava alienado dos perigos dessa ameaça. Zumbis já fazem parte do nosso folclore por tempo suficiente para que algumas pessoas percebessem o risco e tomassem providências. Fugiram para as montanhas. E nunca mais se ouviu falar delas.

Quando algumas pessoas da classe-média começaram a desaparecer, particularmente atletas madrugadores ou jovens boêmios, a zumbi-mania começou a dar lugar a revolta. Grupos foram organizados para localizar e exterminar ninhos de zumbis, porém esbarraram nos defensores dos direitos humanos. Afinal, um zumbi ainda seria um ser humano. Decomposto, ressuscitado e com fome canibal, mas ainda uma pessoa, nossos amigos e parentes. Uma longa batalha jurídica ocorreu, enquanto os zumbis saíam da sombra e começavam a se banquetear cada vez mais frequentemente.

Por fim, as mais altas cortes e tribunais reconheceram que os direitos humanos acabam quando a pessoa morre. Mesmo a alegação de que se fosse assim, Jesus não teria direito algum quando ressuscitou não foi levada em consideração. Zumbis não eram gente, estava decidido.

Antes mesmo que os grupos de caça fossem organizados, surgiram os ecologistas: Se zumbis não eram humanos, então eram uma raça inteiramente nova, uma espécie desconhecida, e esta não poderia ser exterminada. Deveriam ser estudados, compreendidos, e não destruídos. Já levamos muitas espécies à extinção, matamos “perigosos” tigres e tubarões, e isso nunca ajudou em nada, só piorara as coisas. Talvez os zumbis tenham surgido como uma resposta da Natureza a nossas constantes agressões.

E assim, o combate aos mortos-vivos foi mais uma vez freado. Eles se proliferavam, enquanto a humanidade enfrentava cada vez mais obstáculos para uma reação: burocracia, corrupção, politicagem, oportunismo, manipulação religiosa ou simplesmente incompetência fez com que os zumbis cada vez mais conquistassem terreno.

Os homens foram sendo empurrados para áreas  mais distantes, fugindo dos zumbis. A essa altura, já eram tantos que nem mesmo uma nova determinação de enfrentá-los adequadamente obteve sucesso. Não tínhamos mais polícia organizada e as Forças Armadas apanhavam feio. Cada nova vítima se transformava em um soldado inimigo – se não fosse completamente devorada, é claro. Ninguém poderia nos ajudar mais. Esse seria o nosso fim, como previsto não pela Bíblia ou por Nostradamus, mas por Romero.

E então, surgiu uma reação eficiente. Uma explosão no coração de “zombietown”, varrendo da face da terra milhares de mortos-vivos de uma só vez. Duas explosões, agora em outro ninho zumbi. Quem teria feito isso? Ouviram falar que alguns árabes tinham tentado ataques suicidas, mas os homens-bombas eram devorados antes de chegar ao centro dos ninhos, sem causar dano significativo. Aviões, mísseis… Não sobraram muitos depois que os homens desesperados apontaram suas armas uns aos outros e provocaram mais mortes do que qualquer horda zumbi.

A distância, os combatentes anti-zumbi que restavam puderam observar alguns homens e mulheres andando entre os mortos-vivos e derrubando-os um a um. Primeiro com armas de fogo, depois com antiquadas espadas e machados. Curiosamente, não havia combate. Eles andavam calmamente por entre os zumbis, como se esses não os percebessem ali. Andavam até um, matavam e passavam para outro. Em pouco tempo, fizeram uma limpa naquela área. Antes que os soldados conseguissem alcançá-los, porém, eles sumiram.

Logo, histórias semelhantes começaram a pipocar. Os zumbis estavam sendo exterminados por um pequeno grupo que conseguia andar por entre eles sem serem molestados. Em comum, essas histórias só tinham o fato que os ataques se davam à noite e que em menos de 12 horas, todos os zumbis da área eram liquidados por esse misterioso e silencioso grupo.

A humanidade foi, aos poucos, retomando seu espaço. Curiosidade, no entanto, é uma das características que nos torna humanos. Não bastávamos sermos salvos. Tínhamos que saber quem eram nossos salvadores. Falar com eles, agradecer, perguntar como eles conseguiam fazer o que ninguém mais conseguia.

Espiões foram enviados às áreas infestadas de zumbis, para conseguir observar esse misterioso grupo e talvez até fazer contato. Era uma missão muito arriscada, quase suicida, mas não faltaram voluntários. Poucos retornaram. Os que conseguiram voltar, nada relataram de útil.

Uma curiosidade sobre esses espiões sobreviventes: todos voltavam abatidos, anêmicos e desenvolveram uma grave fotofobia. Exames minuciosos foram feitos e nenhuma doença foi detectada. Apenas duas pequenas perfurações em seus pescoços. Não eram mordidas de zumbis, não devia ser nada pra se preocupar…

24 comentários sobre “Conto apocalíptico… com zumbis!”

  1. Sou militar sou do quartel 02-078 de São Bernardo do Campo,e vira e mexe quando trabalhamso vagabundos vem a imprensa fala merda e os direitos humanos,o raça essa sim deveria ser exterminada se fica-se no caminho.

  2. adorei! o final entao, MARAVILHOSOOO!! Um Filme com base nesse conto seria sensacional.. parabéns! tem segunda parte?? eu quero ler se tiver rsrs.

  3. Cara, muito bom. Queria colocar um link do seu site no meu. Também escrevo sobre zumbis.

    Na verdade o meu blog é onde eu disponibilizo capítulos da história que estou escrevendo. O nome é Armagedon – Um Mundo em Caos. É sobre um grupo de sobreviventes num apocalipse zumbi. Mas como sempre digo, por trás há muito mais que isso. Já estou com 21 capítulos publicados.

    Faz uma visita lá: http://ummundoemcaos.blogspot.com

    Abração…

    1. Fernando, fique a vontade para linkar, e obrigado pelo elogio.
      Depois vou dar uma olhada no teu blog, parece interessante.
      A idéia de escrever uma história aos poucos, em um blog, é boa. Se não me engano, o excelente livro Apocalipse Z começou dessa forma.

  4. BACANA este conto fantastico.
    Mas eu descobri o que os combatentes anti Zumbis fizeram para derrotar os Zumbi. Falavam baixinho para só os Zumbis ouvirem.

    ” – Por que voces se chamam Zumbis?
    -Em honra ao ZUMBI DOS PALMARES o libertador dos escravos e nosso libertador.
    – Voces sabiam que o ZUMBI DOS PALMARES tinha escravos. Duvidam? Leiam o livro Historia do Brasil Politicamente Incorreta. Vcs sabiam que o dia da consciencia negra em honra a Zumbi dos Palmares na realidade presta homenagem a um escravocrata?”

    Os Zumbis liam (para Zumbi ler basta pensar no livro) e morriam de desgosto.

    Ajudando os leitores a decifrar o Autor.
    Um abraço,
    Afranio B. de Souza

  5. Olá, Antonio Carneiro.

    Que conto sensacional. Um dos mais inovadores, envolvendo zumbis, que li nos últimos meses. Curto, rasteiro, inteligente e intrigante.

    Muito bom. Parabéns.

    Grande abraço.

  6. Mario Jorge, zumbi é o que, senão ficção científica?
    não precisa de uma nave pra uma história ser considerada ficção científica

  7. A meu querido,e eis que o senhor escreve uma estoria…e que devo dizer que ficou bem legal.Mesmo.
    Se um dia imaginasse que o senhor escreveu algo,na minha cabeça o unico genero possivel seria ficção cientifica,mas vejo que os ventos da mudança chegaram ,e o senhor escreveu sobre zumbis!Zumbis!

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