Ter só um filho ou aumentar a família? O que devemos considerar na hora de decidir entre dar um irmão ou investir mais no filho único?

irmãos brothersQuando minha primeira filha nasceu, várias pessoas vieram me perguntar sobre o segundo filho. Geralmente é assim, mal nasce o primeiro filho e já perguntam quando virá o próximo! Nem deu tempo ainda de sentir-se mãe/pai, e já querem saber se teremos mais filhos! Só que no meu caso, uma das poucas certezas que tive quando decidi ter o meu primeiro filho, é que eu teria o segundo. Quando decidi ter um, já sabia que seriam dois.

Atualmente, quando me vêem com duas crianças, meus amigos e conhecidos procuram conversar comigo e expõem suas dúvidas a respeito de aumentar ou não sua prole. Invariavelmente, o principal argumento para justificar a dúvida é o aspecto financeiro: “nós não poderemos manter o padrão de vida e dar coisas boas para os dois. Se tivermos mais um filho, não poderemos dar os mesmos cursos, as mesmas viagens, as mesmas festas que um só teria”.

É fato que todos os pais querem o melhor para seus filhos. Ao meu ver, o grande problema deste discurso é que ele não dimensiona os benefícios de ter um irmão. Não vou entrar no lugar comum de afirmar que situação financeira não é imutável. Todos estão carecas de saber que situação econômica (tanto a pessoal como a de um país) é uma variável e não uma constante. A minha pergunta é: como traduzir monetariamente o companheirismo de um irmão? Como agregar valor, estabelecer um preço no crescimento emocional causado pelo nascimento de um novo membro da família?

Tenho para mim que ter um irmão é a primeira lição de cidadania que uma criança recebe. O que ela fará com esta lição depois, é outro problema. Mas não podemos negar que com irmãos ela aprende a dividir o que há de mais importante e vital na primeira infância: a atenção dos pais. Posteriormente, aprenderá a dividir os brinquedos e a respeitar o espaço alheio, muito mais rápido do que alguém, sem irmãos, aprenderia.

Estou longe de afirmar que o relacionamento de irmãos é sempre prazeroso e saudável, mas, boa ou ruim, a experiência não pode ser reduzida monetariamente nem substituída por cursos de natação, inglês, viagens pelo mundo, intercâmbios, etc. Todas essas coisas são positivas, e, podendo ser oferecidas, trazem seus benefícios, mas não há base de comparação com o exercício da irmandade. O que estou querendo dizer é que, por serem de natureza tão profundamente diversas, as decisões de dar essas coisas já citadas ou de dar irmãos não podem ser postas numa mesma balança por não haver um denominador comum que possa fazer a comparação entre elas.

De minha parte, posso afirmar, sem sombra de dúvida, que jamais trocaria a minha irmã por nenhum curso ou viagem que fiz ou deixei de fazer. Tenho plena consciência de que as lições que eu aprendi na minha convivência com ela formaram a base que sedimentou todas as outras relações futuras.

Hoje, quando olho minhas filhas brincando juntas, quando vejo a mais nova, tão séria e  econômica nos sorrisos, gargalhar com as graças da irmã mais velha, tenho certeza de que tomei uma boa decisão. Quis que elas também recebessem o mesmo melhor presente que meus pais me deram. E, não importa o que o futuro traga, a lembrança mais marcante, aquela que sempre levarei comigo, são as risadas das irmãs. Minhas e das minhas filhas.

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Nota do Editor: Conversando com a Lu sobre esse texto, ela me recomendou uma música do Toquinho, que estaria relacionada com o tema discutido. Eu não encontrei um video oficial, mas vale a pena seguir o link para a letra dela: Meu Irmão.

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1 Comentário

  1. Tio Claudio disse:

    Hmmmm, não sei se isso seria regra. Compartilhar a atenção do pai e da mãe, pode ser, num certo grau. Imagino que o choque e adaptação à nova realidade (de ter alguém(ns) que vai(vão) agora dividir essa atenção) sejam maiores para o primeiro filho. Mas para os seguintes, essa realidade já existe desde o primeiro dia na família.

    Tenho 6 e 8 anos de diferença pros meus irmão/irmã mais velhos, e não me lembro de ter que dividir nada. Eles sempre estavam na fase seguinte.

    Lembro sim, de receber muita coisa usada deles: brinquedos, roupas, sapatos, livros…

    Esse tema deve dar prá um livro (ou vários).

    Beijos,
    Tio

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