Desde 2009, quando o grave problema das hipotéticas hipotecas americanas sacudiu a economia mundial, obrigando os governos a se transformarem em hospitais de grandes corporações financeiras internacionais, a economia mundial permanece em crise. Às vezes a febre baixa, alguns países apresentam pequenos crescimentos econômicos, mas logo surgem convulsões febris nas economias dos países que ainda se denominam orgulhosamente de Primeiro Mundo. Começam nos países periféricos como Islândia, Grécia, Portugal e ameaçam economias maiores como Espanha e Itália. Enquanto soluções definitivas não são aprovadas, os países líderes da União Européia substituem soluções por reuniões e discursos. Os Estados Unidos que foram o guia e exemplo do capitalismo mundial, por terem cometido pecados capitais contra o próprio capitalismo seja jogando fora recursos vultosos em guerras políticas e econômicas, seja por viverem acima das riquezas que dispõem estão rapidamente se transformando de poderoso credor que foi no século XX em perigoso devedor neste inicio de século XXI.

Longe dessas agruras, brilhando no céu da economia mundial como uma bela lua cheia, navega o Brasil. Já vivemos no passado momentos de euforia econômica igual. Nos governos militares quando na década de 70 a economia crescia 10% ao ano, comandada pelo tzar da sabedoria econômica da época, vigorava na mídia o bordão “Brasil ame-o ou deixe-o”. Os militares julgavam-se acima do mal e produtores do bem eterno. Este refrão foi atualizado e lubrificado pela moderna afirmação demagógica “nunca antes neste país”. Baseados no crescimento econômico atual os administradores de nossa demagógica democracia também se julgam eternamente certos e, assim como os militares fechavam os olhos para a tortura, nossos democratas de plantão consideram a corrupção apenas um detalhe.

brasil ame-o ou deixe-o

Será que agora, baseados no atual crescimento econômico que ninguém pode negar, estaremos realmente entrando no futuro tão sonhado pelos brasileiros. Será?

Neste domingo, um jornal de São Paulo publicou uma manchete econômica de fato tão repetido que nem merecia figurar com tamanho destaque: “Índios impedem hidroelétrica de funcionar”. E o texto da reportagem esclarece: “Em julho do ano passado os cinta largas e os araras ocuparam a usina e só deixaram o local depois de acertarem o recebimento de oito caminhões com tração nas quatro rodas, equipados com radio amadores, além de oito barcos de alumínio com motores. Também ficou acertado que seriam construídas duas casas de alvenaria de 120 metros quadrados cada uma… No mês passado os índios voltaram a invadir a usina. Desta vez, desapareceram os computadores que seriam utilizados nos últimos testes da hidroelétrica.”

Mais esclarecedora que o texto é a foto que acompanha a reportagem mostrando vários “índios” vestindo calças jeans, alguns de sandália havaiana outros calçados, dorso pintado. Atrás da foto uma caminhonete cabine dupla. No Brasil para se apresentar como índio basta tirar a camisa, pintar o corpo e colocar um colar em volta do pescoço. Com esta identidade você pode matar, pode roubar, pode estuprar que nada lhe acontecerá porque você é índio. Uma pessoa acima da lei, como são os políticos de todos os partidos. Caso você tenha perdido a ultima eleição não se preocupe. Declare-se índio.

O Brasil dos direitos humanos criado pelos nossos democratas é uma nação que subverteu o princípio legal de que a cada direito corresponde uma obrigação. Basta se declarar membro da minoria, de qualquer minoria existente ou fictícia para se tornar titular de todos os direitos e de nenhuma obrigação. Se você é negro e quer se tornar dono do lugar onde mora junte duas ou três famílias de vizinhos e declarem-se quilombolas. A seguir contrate uma ONG que fará um estudo genealógico provando que todos são descendentes de Zumbi dos Palmares. Se você é viciado em maconha faça uma passeada em favor da descriminalização de seu uso em nome do direito da livre manifestação do pensamento. Primeiro diga que produzirá para uso próprio, mas como em seu apartamento não dá para fazer uma plantação de maconha, a seguir você fará outra passeata em favor do produtor e traficante que planta e comercializa para fins medicinais. Se você é político seja deputado, senador ou governador nem precisa provar a nação que faz parte de uma minoria, pois todos sabem que políticos e governantes em qualquer lugar do mundo fazem parte de uma minoria. Por isso aprove leis e regulamentos que lhe concedam todos os privilégios e isenções possíveis e a seguir leis bastante brandas para punir os crimes econômicos dos quais sua minoria se alimenta e frutifica.

O mundo atual sofre uma permanente crise econômica. Mas o Brasil não. No Brasil a economia vigora como nunca e atrás deste biombo se esconde enorme crise ética e moral comandada e usufruída por diversas minorias ou em nome delas, da mesma forma que o sucesso econômico da ditadura militar escondeu a sombria tortura que vigorava nos porões.

Se Golbery do Couto e Silva e Jose Dirceu, em épocas diferentes, ocupando as mesmas funções de comando são dois extremos que se tocam, para onde vai o meu Brasil?

Acho que estou tendo pesadelos. Ao longe ouço sons de clarins…

toque de alvorada

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