Crítica do último filme do Harry Potter, por alguém que gostou de todos os livros, mas não se veste como nenhum personagem

harry potter e as reliquias da morte parte 2 filme crítica

Quando coloquei as mãos pela primeira vez em um livro do Harry Potter estávamos em 2000, eu era uma criança e ele ainda não era todo esse fenômeno mundial. Admito que “A Pedra Filosofal” me pareceu perda de tempo. Só fui ler a obra quando a maioria dos meus colegas já estava fascinada por aquele mundo de magia. Em breve se eu não o conhecesse seria o excluído da turma. Eles me olhariam com cara de surpresa e pena que diz: “Como assim você não conhece Harry Potter?”.

Então, diante dessa ameaça li, gostei, virei fã. Acompanhei como muitos outros o lançamento de cada novo volume da série. Odiei Draco, torci para Harry ir morar com Sirius Black ao descobrir que ele não era o traidor da história, assisti o reerguer do lorde das trevas, vi como este ganhou forças e por fim perdi o fôlego com a morte de Dumbledore. Aguardei de forma impaciente pelo lançamento do livro sete. Ao descobrir que ele havia “vazado” morri de medo do final chegar aos meus ouvidos antes da hora. Depois de tanto tempo esperando para saber como tudo acaba… Decepcionei-me. Esse foi o réquiem da minha “Era Harry Potter”.

Mais ou menos quatro anos depois, eis que “Relíquias da Morte” ganha sua versão cinematográfica e minha expectativa estava bem baixa. Contudo, como era o último, decidi abrir meu bolso e coração e assisti na tela grande a última jornada. Ou pelo menos o que agora é aceito como a última jornada, pois J. K. Rowling pode dar “uma de George Lucas” daqui a algum tempo.

Sobre essa Parte 2, vale falar que ela não consegue despertar novamente a magia da infância, porém como acreditei,valeu o ingresso. Não chorei. Não me emocionei loucamente. Não fiquei com as mãos doloridas de tanto aplaudir. Não achei que foi a coisa mais brilhante da história do cinema.

reliquias da morte

Mas valeu o ingresso, como mencionei, e isso por si só significa muito diante de outros finais de franquias que me deram vontade de pedir o dinheiro de volta, como: Matrix (sem comentários) ou Lost (até hoje estou p*). O fim de uma saga é um fardo e esse filme do garoto bruxo consegue carregá-lo, conduzindo bem o expectador, sem cansar até o clímax.

O trio de protagonistas principais está um pouco desgastado depois de tantos anos. Não é de espantar como outros personagens e atores podem fazer os minutos passarem mais rápido do que eles. Harry é o tipo ideal de herói, é o bom moço que supera os obstáculos com sua moral inabalável e salva o dia. Seu casal de amigos também é raso, os três sempre foram, e isso não é demérito, é a realidade. Potter, Rony ou Hermione nunca tiveram muitas “camadas” como um personagem de Kafka ou mesmo alguns dos sobreviventes da ilha de Lost, mas isso não os impediu de se tornarem os personagens da literatura infanto-juvenil mais amados.

Porém, a afeição pelos personagens secundários, que ganharam um pouco mais de espaço, é evidente. McGonagall é exemplo, ela está ótima nesse ultimo filme. Mesmo uma cena especifica tendo me desagradado, quando a mesma manda o zelador conduzir os alunos da Sonserina para as masmorras depois da fuga de Severo. Pense comigo: um dos temas principais da saga é a denúncia do preconceito e crítica ao autoritarismo. Quando Minerva realiza esse ato e as outras casas aplaudem, parece-me que ela está sendo preconceituosa e autoritária, dizendo que os alunos desse clã precisam de um tratamento diferenciado, generalizando-os como “ruins” e impondo a opinião de uma maioria (que aplaude o ato) sobre a minoria que não tem poder de contestação nesse meio.

O anti-herói Snape interpretado por Alan Rickman está perfeito. O personagem dá margem para complexidade e permite ao ator se destacar. Ele pode não estar fazendo nada de muito chamativo, por exemplo: Estar “apenas” calado olhando alguma coisa, algo que qualquer ator por mais medíocre que seja faz, porém Rickman faz com diferencial. A forma como ele se movimenta, olha, faz pausa entre as palavras. É o melhor do filme. Ajudado sempre pela trilha sonora que amplia todo o sentimento em suas cenas. O momento das memórias dele sendo reveladas na penseira é o melhor capitulo do livro “As relíquias da morte” e mesmo sendo mais  curto no cinema é uma cena digna de ser vista e revista.

Para não me estender mais, pois sem dúvida existe muito mais a se falar em um universo tão rico como esse,  em minha opinião o Filme Sete acaba sendo melhor que o livro que o originou. Tendo como mérito não ser demasiado fiel ou se prolongando no que não funciona. Quando os créditos sobem não fiquei com tanto do gosto insosso de “é só isso?” que J. K. Rowling me proporcionou ao terminar aquele chumaço de quase 600 páginas.

Postado por Tags: , , , , Categorias: TV & Cinema
15969

Comentários do Facebook

Possuímos dois sistemas de comentários, você pode escolher o que mais lhe agrada. :-)


Comentários do Blog

Deixe uma resposta