Minha crítica pessoal do filme The Hunger Games

jogos vorazes

Em uma palavra: Gostei. Em três: Vale o ingresso.

Em mais palavras: Bem interessante o filme. A história já tinha me chamado a atenção quando peguei o primeiro livro da trilogia em minhas mãos. Acabei não comprando porque minha prateleira se recusa a receber qualquer livro novo enquanto eu não ler mais alguns da fila de “não lidos”. Mas a curiosidade ficou. E essa bela produção cinematográfica só atiçou a curiosidade pra ler os livros originais.

A história: no futuro distante, em que a Terra sofreu alguns cataclismos, o que sobrou da América do Norte organizou-se num país chamado PANEM (derivado de Pan et Circenses). Esta nação totalitária é dividida em Capitol (o rico e fútil distrito capital) e 12 distritos satélites, cada um especializado em algum tipo de produção, de tecnologia à mineração. Os distritos são mais pobres que a capital e já se revoltaram um dia, mas perderam a guerra civil, que custou inclusive um distrito inteiro: o 13° foi varrido do mapa. O tratado de paz incluiu a criação dos jogos anuais em que cada distrito tem um rapaz e uma garota, entre 12 e 18 sorteados para participar de uma luta televisionada, onde só 24 competidores entram, mas apenas um sai vivo. O nome da competição/reality show é The Hunger Games, que no Brasil recebeu a bela tradução de Jogos Vorazes, mas a tradução em Portugal é mais honesta: Jogos da Fome. A situação na maioria dos distritos é tão ruim que morrer de fome é comum. Muitos jovens aceitam receber porção extra de comida em troca de inserir mais cupons com seu nome no sorteio.

Vou ser sincero: apesar da minha expectativa positiva, assim que o filme começou, fiquei de má vontade. Isso porque a câmera seguia aquele estilo realista que tem andado na moda, ou seja, mesmo pra filmar duas pessoas sentadas à mesa fica balançando de um lado pro outro como se fosse um documentarista amador. Isso me irrita muito (aliás, era uma das minhas implicâncias com o reboot da série Galactica). Felizmente, ou isso atenuou, ou deixei de reparar após 5 minutos. A outra coisa que me irritou foi quando mostraram as pessoas de Capitol com cabelos e barbas ridículos. Mas depois eu percebi que isso é proposital, para retratar bem como eram os habitantes desse lugar. Os moradores dos outros distritos não tinha esse visual imbecil. Pelo que soube, no livro é descrito que até o sotaque da capital é afetado.

Uma coisa importante: se você deseja apenas ver a sanguinolência do combate na arena, vai ficar decepcionado. A parte da arena é muito boa, mas talvez para evitar uma censura maior nos cinemas, muito sangue e violência estão ausentes. Quem sabe uma versão unrated seja lançada em vídeo? Seria uma boa. Mas a questão é que o filme retrata muito mais do que isso. A crítica a sociedade, que obviamente é tão atual quanto possível, é excelente. O filme vale pela combinação da ação da arena com a crítica social do início. Claro que a parte emocional que envolve a personagem principal também é interessante, e nem um pouco piegas. Comparam a sucessos juvenis como Harry Potter e Crepúsculo, mas eu acho injusto. O filme poderia ter a mesma força se os personagens da arena tivessem entre 20 e 40 anos. Mas é inegável que ver uma garotinha de 12 anos tentando sobreviver contra um bem treinado grupo de jovens entre 16 e 18 anos adiciona ao drama.

O final é bom e deixa um gosto de “quero mais, o que será que acontecerá a seguir?”. Felizmente, como o sucesso de bilheteria tem sido enorme, não há dúvidas que todos os 3 livros serão levados para a tela grande.

Não poderia encerrar a crítica sem dizer que o filme reacendeu a vontade de assistir o filme japonês Battle Royale (que também surgiu de um livro e gerou uma série de manga). Nessa história, os adultos estariam preocupados com a delinquência dos jovens e para mantê-los sob controle sorteiam anualmente uma turma escolar inteira para competir até a morte, onde só haveria um sobrevivente. Diferentemente da obra americana, no entanto, parece-me que a ênfase é quase toda na arena em vez do retrato da sociedade.

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Comentários do Blog

1 Comentário

  1. Alexandre disse:

    Pessoalmente eu gosto deste estilo de câmera ma nem percebi ele de forma muito forte. Achei que foi muito bem usado nas cenas mais subjetivas para mostrar o ângulo da Katniss, em especial nas cenas de morte da Arena e na primeira entrevista dela no show.

    Gostei ou melhor, achei impressionante o trabalho detalhado de cenários e em especial de figurinos nos habitantes da capital.

    Claro que toda a parte de crítica social é muito interessante e creio que para os próximos filmes o foco vai ser mais político.

    Eu achei o filme muito acima da média, esperava um bom filme mas assisti a um filme excelente, merece uma nota 8 com possibilidade de revisão para 8,5.

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