Saiba porque a Taxa de Juros no Brasil não deveria voltar a subir.

A taxa Selic é a taxa oficial de juros no Brasil. É chamada oficial porque seu índice estabelece o percentual que o Tesouro Nacional paga pelos títulos da divida do país, bem diferente das taxas de juros que as empresas e as pessoas físicas pagam pelos empréstimos aos bancos, conhecida como taxa de mercado.

A Ameaça

Há mais de um ano o Banco Central, tecnicamente ou por pressão governamental, vem reduzindo a taxa Selic que estava em 12% para atingir o patamar atual de 7,25% ao ano. Durante todo este período, a cada redução divulgada pela autoridade monetária, economistas financeiros escrevem artigos, dão entrevistas, participam de seminários alertando que a baixa dos juros fará a inflação subir. Escrevem que o Banco Central perdeu a independência. Saudosos da era Meireles só faltam dizer que ele era a independência ou morte do Banco Central. Asseguram que os juros baixos são decisões políticas de alto risco e não técnicas. São as cassandras da aflição econômica que filosoficamente se nutrem na ciranda financeira das altas taxas de juros.

Durante um ano de redução da taxa Selic a inflação não disparou. Durante um ano a demanda não ficou aquecida. Pelo contrário manteve-se contraída. Durante um ano os créditos externos permaneceram e permanecem abertos ao pais e não fugiram dos títulos do governo. Agora estas mesmas cassandras preveem a subida da taxa Selic para 2013, sempre como única formula para evitar a volta da inflação.

monstro da inflação

Os Benefícios

Como durante um ano o velho dragão não voltou, vamos falar dos benefícios da queda dos juros para a economia nacional, porque temos certeza que até hoje nenhum economista, nenhum cientista financeiro escreveu sobre isto. Está na hora de alguém apontar este lado.

A dívida pública brasileira atingiu em setembro a quantia de 2,5 trilhões de reais. Supondo que durante um ano a taxa Selic se mantivesse em 12% ao ano o país pagaria 300 bilhões de reais de juros sobre esta dívida. E supondo que a taxa Selic tivesse sido reduzida de uma só vez para 7,25% ao ano teríamos uma redução na taxa de juros de 4,75% que sobre o valor da divida de 2,5 trilhões. A economia seria de 119 bilhões de reais. Claro que não foi este o valor da redução do custo porque a queda da taxa se deu gradativamente, mas caso o governo mantenha a taxas Selic neste patamar até outubro de 2013 esta comparação faz todo sentido.

E que significam 119 bilhões de reais de economia com juros para o Brasil? Vamos comparar este valor com os maiores projetos de infraestutrura que estão parados.  Trem Bala Rio a Campinas: 33 bilhões; Aeroportos de Guarulhos, Brasília e Viracopos: 5,5 bilhões; Usina Hidroelétrica de São Manoel (Pará) 2,24 bilhões; Hidroelétrica de Sinop (MT) 1,3 bilhões; Concessão BR 101(ES) 2,14 bilhões; Porto de Manaus (AM) 1,4 bilhões. Somados estes 6 investimentos teremos 46 bilhões de reais. Isto significa que com o dinheiro economizado com a redução da taxa Selic de 12% para 7,25% em apenas um ano o país poderia ter construído duas vezes e meia os 6 projetos citados. Mais de três trens balas que não sai do papel há anos.

Se os juros caíram por que não construiu? Por que não tendo dinheiro em caixa o governo teria que emitir títulos para financiar tais projetos o que seria uma irresponsabilidade total. Não lhe parece estranho, leitor, que seja irresponsabilidade governamental emitir títulos para financiar projetos de infraestrutura, mas seja – usando um termo da moda – economicamente correto emitir títulos em montante maior para pagamentos de juros da divida?  Qual escola de economia, qual doutrina econômica defende esta tese? Harvard? USP? FGV? MIT? Sourbone?

Conclusão

Não estamos defendendo a emissão de títulos para financiamento de obras, mas atacando a emissão para pagamento desnecessário de altas taxas acima das que o mercado europeu vem exigindo para comprar os títulos emitidos pela Espanha que passa por notórias dificuldades.

As altas taxas de juros em país de moeda estável – e o real é uma moeda estável – não reduzem, mas pelo contrario geram inflação. Para pagar as altas taxas de seus títulos, o governo federal precisa arrecadar mais, isto é, eleva os impostos. Os estados precisam elevar também seus impostos para pagar suas dívidas junto ao governo federal. As prefeituras precisam elevar suas taxas e impostos para pagar suas dívidas junto ao estado e ao governo federal. As empresas precisam elevar o preço de seus produtos para pagar os juros que devem aos bancos e os impostos que devem as prefeituras, aos estados e ao governo federal. O que é isto senão enorme inflação de custos de produção que somados a outros problemas nacionais chamamos de Custo Brasil?

Defendemos a baixa da taxa Selic para que o governo gaste menos recursos de impostos jogando dinheiro desnecessariamente fora porque ele tem crédito externo abundante para pagar juros menores se quiser. O Brasil pagar juros elevados para evitar inflação em 2013 é como exigir de um atleta que coloque ponte de safena para evitar um infarto. Pagando juros justos ao mercado os governos poderão optar por reduzir a carga tributária. Com menores custos financeiros e fiscais as empresas poderão investir em tecnologia, competir em produtividade com concorrentes estrangeiros aqui e no exterior. E com custos reduzidos venderão mais. Com mais vendas a arrecadação dos impostos crescerá. Por isso, taxa Selic elevada nunca mais. Que caia para 5% ao ano em 2013 e a inflação cairá para 4%. O Brasil inteiro agradece. O país inteiro não, o mercado financeiro entristece.

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