Existe lugar melhor para começar o Apocalipse Zumbi do que em um show da Madonna em pleno Réveillon de Copacabana?

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Madonna correu para o centro do palco, sacando desajeitadamente o revólver. Chutando com força, ela acionou uma alavanca que elevou a plataforma principal, na tentativa de evitar que fosse cercada e sobrepujada pelos atacantes. Mas não podia hesitar, o tempo era curto: O primeiro a ser atingido foi o maltrapilho que carregava um fuzil. Mirou no próximo: um senhor de terno impecável e maleta executiva, que vinha pela esquerda. Um tiro certeiro e o homem caiu. Mais um tiro e ela conseguiu derrubar o último adversário: um jogador de futebol com uniforme da Argentina.

O público foi ao delírio. Gritos, fogos, aplausos. Sua produção acertou de novo, o que não é surpresa, já que Madonna não trabalha com amadores, só com os melhores. O encerramento de sua turnê mundial não poderia ser melhor: um espetáculo para mais de um milhão de pessoas no réveillon de Copacabana. A música final, uma regravação de Bang, Bang (My Baby Shot Me Down), contava com bailarinos vestidos como os piores inimigos do país anfitrião perseguindo-a durante a música toda, mas finalmente sendo abatidos pela cantora. Nos EUA, eles estavam vestidos de terrorista árabe, comunista soviético e tubarão de Wall Street. No Brasil, eles estavam de traficante, político corrupto e jogador da seleção argentina.

Mas o show ainda não acabou de verdade. Estão programados 3 músicas para o Bis. Nos bastidores, ela arrancou em único gesto a roupa que usava, ficando apenas com sua lingerie extravagante de Like a Virgin, as luvas de couro que iam além do cotovelo e as botas de salto alto que alcançavam a coxa. Com dois ou três rápidos gestos, seu estilista mudou completamente seu penteado, enquanto uma moça passava gel em seu corpo e o cobria com purpurina verde e amarela, as cores nacionais do Brasil, segundo disseram à Madonna.

Ela estava prestes a voltar quando seu produtor a impediu. Disse que estava ocorrendo alguma coisa. Um tumulto dos grandes no público. Madonna não se impressionou. Um calor de matar, uma multidão bebendo, celebrando, a música hipnotizando e sensualizando sem parar. Não seria o primeiro show desse tipo a contar com um tumulto. Claro que pela quantidade de gente aqui, as coisas poderiam ficar sérias. Mas se tem uma coisa que Madonna sabe fazer é segurar as rédeas e tomar o controle de qualquer situação. Entrou no palco disposta a acabar com qualquer balbúrdia que pudesse eclipsar seu show. Os críticos não iriam perdoá-la se a turnê terminasse de forma desastrosa, mesmo tendo sido um sucesso absoluto até agora.

Mas assim que pisou no palco, ela percebeu que algo estava errado. Não era o empurra-empurra ou a briga ocasional que ela conhecia. Lá no fundo, onde nem conseguia enxergar direito, as pessoas pareciam disparar morteiros umas contra as outras. A uma distância média, via a massa de pessoas vestidas de branco correndo em direção aos prédios ou ao mar. Outra massa empurrava mais gente ainda pra frente, em direção a onde ela estava. Perto, iluminadas pelos holofotes do show, ela podia ver a expressão de terror de quem estava sendo esmagado entre a multidão e o cordão formado por grades, seguranças parrudos e policiais de choque. Um helicóptero de uma emissora de TV circulava no alto, como um urubu que farejou carniça. Além do cordão de segurança ficava a enorme área VIP (Madonna nunca viu um demarcação tão grande para supostos Vips). Estes já tinham nocauteado os seguranças à sua frente e escalavam as grades para alcançar o palco.

Madonna voltou pros bastidores. Precisava cair fora dali, pois com certeza a situação estava fora de controle. Algum golpe de estado, atentado terrorista, tiroteio entre bandidos ou o que quer que seja a ameaça corrente neste país estava acontecendo. Ela afivelou o cinturão que usava na música anterior, que continha um pequeno chicote e a arma com munição de festim. Ninguém precisava saber que as balas eram falsas, na confusão, uma arma é uma arma. Correu em direção ao bailarino vestido de traficante. Ele era brasileiro, e se queria sair dali com vida, ela iria precisar de um guia local.

Fim da Parte I. Fique ligado, em breve continuaremos com as aventuras de Madonna, Caçadora de Zumbis.

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Comentários do Blog

5 Comentários

  1. […] os links para ler as partes I, II e […]

  2. […] O que acontece quando o apocalipse zumbi começa no show da Madonna, durante a festa de reveillon em Copacabana, no Rio de Janeiro? Leia aqui a  parte 1. […]

  3. […] O que acontece quando o apocalipse zumbi começa no show da Madonna, durante a festa de reveillon em Copacabana, no Rio de Janeiro? Leia aqui a  parte 1. […]

  4. Mario Jorge disse:

    Quem precisa de “Abraham Lincoln x zombies” se temos “Madonna x zombie”?

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