Em poucas palavras: Vale o Ingresso

poster cinema

Primeira Parte x Segunda Parte

O primeiro De Pernas pro Ar é engraçado, mas é um filme mais voltado para mulheres ou casais. Ele discutia como a obsessão com o trabalho pode prejudicar um relacionamento, mesmo que leve ao sucesso financeiro e profissional. Além disso, a maioria das piadas eram relacionadas ao sexo. Achei a segunda comédia do diretor Roberto Santucci, bem melhor, Até que a Sorte nos Separe, afinal foi um filme voltado para um público mais amplo.

Assim, fui assistir ao filme sem muita expectativa, a não ser a de passar cerca de 90 minutos leves e divertidos. No entanto, o filme é muito melhor que o primeiro e me fez rir o tempo inteiro, seja das situações criadas ou pelas interpretações dos atores. Um fato interessante é que vi com um amigo que não tinha assistido ao primeiro e ele se divertiu da mesma forma. Ou seja, enquanto ter visto o primeiro filme enriquece a experiência, não é condição essencial.

O Filme

Com menos ênfase nas piadas de cunho sexual, embora elas estejam presentes – e não tem como ser ao contrário – essa continuação mudou o foco, atingindo um público maior.

O filme é dividido em 3 “atos”: O início, no Rio de Janeiro, dá continuidade ao filme anterior e mostra como está a vida da personagem interpretada pela Ingrid Guimarães; depois tem o spa onde ela é obrigada a se internar pra tratamento; e finalmente o clímax em Nova York, onde ela supostamente estaria apenas tirando férias para relaxar, porém foi mesmo inaugurar a primeira filial da sua Sex Shop no exterior.

A cena do restaurante e da reunião em Nova York são ótimas. Mas o Spa, em minha opinião renderia um spin-off ou ao menos uma série curta, com a viciada em internet, o jogador de futebol Mano Love que é doido por sexo, a mulher com mania de limpeza, o workaholic cool, o hacker traficante de celular, a diretora sargentona, etc.

spa mano wagner

Cinema é a maior diversão

Na minha infância, na fachada dos cinemas tinha a frase “Cinema é a maior diversão”. Infelizmente parece que tem gente que esqueceu disso, soterrado por preconceitos. Por isso estou aproveitando esse espaço (privilégio de editor!) que normalmente teria apenas a crítica do filme, para convidá-lo a pensar comigo antes de engolir qualquer coisa que os críticos dizem ou de pré-julgar a favor ou contra um filme só por conta do seu gênero ou nacionalidade.

Algumas pessoas fogem só porque o filme é nacional, acreditando que o cinema brasileiro é uniforme e de baixa qualidade, como se nos EUA e Europa todos os filmes fossem fantásticos. Outros, ao contrário, fogem apenas porque um filme é norte-americano, politizando o prazer.

Intelectuais defendem que somente filme de arte ou de reflexão prestaria, querendo impor seu gosto pessoal como regra. Ainda temos as velhas panelinhas do cinema brasileiro que, acostumados a viver de subsídios governamentais e a fazer filmes sem compromisso com o público, criticam quem obtém sucesso nas bilheterias, como se ganhar dinheiro com a 7ª arte fosse um pecado.

Preconceito por origem, se algum dia fez sentido, hoje é completamente estúpido. A globalização atingiu o cinema. Hollywood trabalha com profissionais da Índia, Europa, Ásia e até Brasil, misturando os estilos e visões particulares de cada um ao seu caldeirão. O cinema europeu, seja inglês, francês, alemão ou mesmo sueco, aprendeu com os americanos como aproximar seus filmes do grande público internacional. O cinema indiano já não está mais confinado às suas fronteiras. E o Brasil não ficou imune, melhorando tanto os filmes em si como o trabalho de marketing relacionado. Claro que ainda produzimos algumas bombas ruins de doer, mas deixamos de ter filmes que só eram exibidos pra cumprir cotas protecionistas pra ter filmes tão bem sucedidos junto ao público que geraram continuações, como Eu Sou Você e Tropa de Elite. No caso de Pernas pro Ar provavelmente teremos uma trilogia, o que acredito ser inédito por aqui.

Só pra encerrar, no espírito dos parágrafos anteriores, eu não diria que De Pernas pro Ar 2 é um bom filme pros padrões brasileiros. Diria que é um bom filme.

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