Largue o preconceito e assista, rapaz!

Recentemente, eu escrevi sobre como sempre acreditei que desenhos animados não são apenas para crianças. Felizmente, essa batalha já está ganha: ninguém tem vergonha de dizer que curtiu um desenho da Pixar, por exemplo.

Mas uma barreira demora mais a cair: desenho de menina x desenho de menino. As garotas foram mais rápidas em superar os preconceitos impostos e muitas assistem com gosto aos programas com super-heróis, monstros ou naves espaciais. Mas como convencer um menino – ou um homem – a ver um desenho com personagens fofos e cor de rosa? Nos 2 segundos necessários para apertar o botão de mudar de canal ninguém pode notar como esses desenhos evoluíram e tem como alvo um público mais amplo. Eu mesmo só os assisti porque sou pai de uma menina de 4 anos. Mas foi como acabei descobrindo que existem essas pérolas.

Falando com alguns amigos, consegui convencer alguns e eles não se arrependeram de dar uma chance a estes desenhos novos, mesmo com muita reserva inicial. Dessa forma, como se diz nas redes sociais, #ficadica.

My Little Pony – A Amizade é Mágica

É, amigos, se você julgava esse desenho por conta da versão antiga, esqueça. Se julgava porque achava que era algo tosco feito só pra vender brinquedos, esqueça. Existe qualidade de verdade aqui. Claro que a intenção inicial era aumentar a venda de brinquedos, mas a fabricante Hasbro fez questão de produzir uma série de primeira aqui, e direcionada a um público geral, não apenas meninas. Ou seja, os desenhos ganharam autonomia própria, viraram um produto cultural em si, independente da obrigação de vender bonequinhos e cadernos. E, além disso, muitos desenhos que hoje são cultuados foram criados pra vender brinquedos, portanto isso não é desculpa pra tacar pedra.

Enfim, o que ninguém esperava era o sucesso que essa série ia fazer, alcançando público mais amplo ainda do que eles miraram. Não agrada apenas aos meninos e meninas, mas aos pais e até mesmo aos homens adultos sem crianças. Foi criado um termo para essa base de fãs: os Bronys, uma mistura de Brother e Pony. E antes que você ria deles, saiba que o Brony mais famoso e poderoso do mundo é o ex-Presidente dos EUA Bill Clinton! Ele respondeu a 3 perguntas sobre o show num programa de rádio e não errou nenhuma, acertando sem pestanejar. Aliás, como não gostar dos Democratas: Clinton é um Brony e Obama é Trekker. A propósito, uma das formas que usei pra convencer algumas pessoas a assistir foram as referências que o desenho faz a Star Trek, Doctor Who, Guia do Mochileiro da Galáxia, etc.

Leia mais sobre o fenômeno MLP:FiM (sigla em inglês) na Wikipédia e sobre os seus fãs. Além de passar na TV paga, é fácil encontrar os episódios na internet. Aliás, existem vários vídeos do tipo mashup criados por fãs que são bem legais. Em breve postarei alguns.

Barbie: Life in the Dreamhouse

Os longas animados da Barbie evoluíram muito com o tempo: os primeiros eram tão toscos que davam vergonha, enquanto os mais recentes além de serem caprichados no design dos personagens e na animação gráfica, tem músicas muito boas. A Princesa e a Pop Star, pro exemplo, tem até uma versão de Girls Just Wanna Have Fun, da Cindy Lauper.

Entretanto, a recomendação aqui é pra web-série Barbie: Life in the Dreamhouse (Vida na Casa dos Sonhos), que estreou em maio de 2012 e está em sua segunda temporada. São episódios bem curtinhos, cerca de 3,5 minutos cada, que podem ser vistos no site oficial ou no YouTube. Descobri por acaso e morri de rir com cada um deles. Fico até surpreso que seja algo oficial, porque essa série é uma paródia do próprio mundo da Barbie. É como se aquelas piadas sacaneando a Disney que vimos em Shrek fossem feitas pela própria Disney.

No estilo reality-show, seguimos Barbie, suas irmãs, amigas, rivais e animais de estimação em algum momento especial, como uma viagem à praia, uma festa de aniversário ou um confronto com um armário dotado de inteligência artificial no estilo HAL de 2001, Uma Odisséia no Espaço. Os personagens são bonecos mesmo, dá pra ver as articulações, as roupas vem em cartelas de plástico e alguns objetos de cena, como escova de cabelo são gigantescos.

Embora com uma base de fãs menor e menos influente que os Bronies, a série também tem seus seguidores fiéis, os Dreamhousers. Leia mais sobre essa websérie da Barbie na Wikia ou assista logo pelo YouTube.

homens podem curtir desenhos de meninas

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Comentários do Blog

5 Comentários

  1. […] outro post eu falei sobre como a série animada MLP quebrou as barreiras do público imediato (meninas) e […]

  2. jic disse:

    inclui “pegasister” no texto : pegasus + sister

  3. Mario Jorge disse:

    demais.

  4. Mario Jorge disse:

    Não, não…
    My Little Pony é de mais para mim.
    Só vou ver isso quando for uma versão em stop motion dirigida pelo Tim Burton.

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