Nós brasileiros temos assistido nos últimos anos a agonia e empobrecimento da Argentina. Temos pelos argentinos o mesmo sentimento que temos pelos portugueses. Gostamos de usá-los como personagens de piadas, mas sentimos por Portugal e pela Argentina sincero elo indissolúvel.  Por isso sofremos quando nossos amigos portugueses e portenhos andam mal. Portugal, por encarar a realidade, está mais próximo das soluções para seus problemas.

brasil e argentina

Argentina

O grande mal dos nossos vizinhos do sul é serem governados seja na ditadura seja na democracia por governos voluntariosos. Governos salvadores da pátria. Desde Perón quase todos os ditadores e os presidentes argentinos apresentam-se à população como donos da única solução para o país. Assim foi durante a ditadura militar e assim permanece durante os governos democráticos de Menen aos Kischner. As ditaduras empurram suas soluções econômicas goela abaixo e as democracias também o fazem goela abaixo do povo, mas adocicadas pela demagogia.  E quando não dá certo, em vez de reconhecerem o erro e tomar a direção correta, apontam o dedo para terceiros. Primeiro para governos estrangeiros. Na Argentina, a Inglaterra é alvo preferencial. Depois empresas estrangeiras, depois os empresários internos, a seguir os sonegadores e finalmente a mídia que insiste em divulgar os fatos.

Quando os números começam a registrar as falhas, mudam a metodologia, expurgam valores reais, inventam números fictícios e duas economias convivem separadamente. A real, repleta de ágios e  cambio paralelo, e a oficial cor de rosa, índices de baixa inflação, protecionismo exacerbado para amparar empresas internas falidas e benefícios sociais sem lastro para bajular o povo e os sindicatos. Este é o retrato econômico atual da Argentina que, apesar do pedido na canção deverá continuar chorando e lamentando em ritmo de tango enfadonho e sofrido.

Brasil

Mas o Brasil não tem nenhum motivo para se excluir deste quadro e muitas razões para se preocupar com sua realidade. Partimos de 2010 quando éramos considerados a estrela brilhante do hemisfério sul para chegar em 2013 debaixo de sombrias nuvens econômicas.

Nossa balança comercial tornou-se um brilhante fracasso. Em janeiro importamos 20 bilhões de dólares e exportamos 15,9 bilhões de dólares com déficit de 4,1 bilhões de dólares. Mas janeiro não foi o grande culpado. O erro vem de 2012 quando a contabilidade maquiada da Petrobras inflou o saldo comercial daquele ano em exatamente 4,5 bilhões de dólares.

Não é apenas na Petrobrás que o governo brasileiro utiliza a cartilha econômica argentina. Em 2012, para maquiar as contas publicas, o governo federal fez a Caixa Econômica assumir através da capitalização de ativos do BNDES o montante de 5,4 bilhões de reais com o objetivo de fingir que cumpria a meta fiscal do ano. Com a queda da receita em 2012 decorrente do baixo crescimento econômico e de diversos benefícios fiscais concedidos a setores privilegiados a receita do governo caiu. Como governos democráticos tem horror ao corte de despesas, para cumprir metas econômicas iniciou-se o processo de engenharia aérea. Chamamos de engenharia aérea a manipulação contábil bolada pelos economistas públicos que não gera valor, apenas camufla a realidade. Depois da engenharia aérea surgem expurgos dos eventos não previstos, a estiagem, a mudança dos métodos de medição, a acusação aos governos estaduais que não colaboram para a redução do custo da energia, a utilização da semântica. Apagão foi no governo da oposição há 12 anos, nós temos um apaguinho.

E assim, com o governo fugindo e negando a realidade, como se ainda estivéssemos em 2010, o Brasil segue displicente rumo a sua argentinização econômica. Mas isto não importa. A popularidade das presidentes, aqui como lá, continua nas nuvens. Tango lá samba e carnaval aqui. Ah, o dia em que a popularidade entender de economia…

Postado por Tags: , , , Categorias: Economia & Política
24732

Comentários do Facebook

Possuímos dois sistemas de comentários, você pode escolher o que mais lhe agrada. :-)


Comentários do Blog

Deixe uma resposta