O que acontece quando o apocalipse zumbi começa no show da Madonna, durante a festa de reveillon em Copacabana, no Rio de Janeiro? Leia aqui a  parte 1.

zumbi yin yang

Madonna correu em direção ao bailarino vestido de traficante. Ele era brasileiro, e se queria sair dali com vida, iria precisar de um guia local. Até alcançá-lo, já tinham se juntado a ela um dos guitarristas e um sushiman. O músico girava a guitarra à frente deles como se fosse uma espada medieval de duas mãos. Isso conseguiu abrir passagem até saírem da área do palco. Uma fumaça espessa tomava conta do lugar. Um incêndio, pensou Madonna. Mas na verdade era apenas a fumaça dos efeitos especiais. Sem ninguém para desligar os controles, a fumaça continuou sendo borrifada, dificultando a visão.

“Temos que sair daqui logo,” falou ela. Olhando para os containeres que serviam de apoio ao show, o guitarrista sugeriu que se trancassem no que fora o camarim da Madonna. “Tem uma porta de aço, ar condicionado, comida… podemos esperar a confusão passar em segurança”, disse ele. A idéia de ficar trancada em um pequeno cubículo enquanto o mundo desabava a sua volta não a agradava. Mas, de qualquer forma, correram para lá, nem que fosse para ter tempo de pensar no que fazer.

Assim que desceu da estrutura montada para o palco e pulou na areia, um vendedor de refrigerantes agarrou seu braço, gritando coisas ininteligíveis em português. Com um golpe rápido do chicote, ela conseguiu fazer com que o homem largasse seu braço. Um outro grupo corria em sua direção, mas ela sacou a arma e deu dois tiros de festim pro alto, fazendo o grupo mudar a direção, mas não o ritmo da sua correria.

Quando abriu seu camarim, ficou petrificada: um corpo estava caído sobre seu tapete artesanal de 20 mil dólares, enquanto uma outra pessoa mordia e devorava pedaços de sua vítima. “Canibais,” pensou Madonna, “estamos sendo atacados por alguma seita canibal!”. Mas assim que o atacante parou de comer e olhou em sua direção, ela percebeu que não havia nada de humano ali. Recuou, sem tirar os olhos da ameaça, que avançou lentamente em sua direção. Sangue cobria o rosto e a roupa do monstro. A pop star apontou a arma, mas isso não teve o efeito esperado. Deu um tiro pra cima e nada. Apontou bem na cabeça da criatura, que se encontrava a menos de 1 metro e atirou. Claro que não fez nada, já que a bala era de festim, mas a falta de um reflexo de defesa a surpreendeu . Suas unhas arranhavam os braços enluvados da cantora, quando esta deu um passo à frente, socou o cano da arma nos olhos brancos e vazios e atirou. Mesmo sem ter um projétil no revólver, o gás quente expelido em alta velocidade, estourou o globo ocular, jogando gosma pra todo lado e, melhor, acabou derrubando o monstro.

Ainda no chão, a criatura balançava a cabeça, tendo fortes espasmos. Mas seu grupo não esperou pra saber se estava morta ou não. O bailarino puxou-a pelos pés e deixou do lado de fora da porta do camarim. Assim que todos entraram, trancaram a porta e arrastaram um móvel contra ela. A única janela no camarim não abria, pois era blindada, e tinha película escura, mas também ganhou uma barricada improvisada.

O corpo do infeliz morto pela criatura continuava no centro do camarim. Madonna reconheceu o colete preto como sendo da equipe de segurança. Revistou-o rapidamente e encontrou uma pistola, que nem chegou a ser usada. Jogou a arma de festim pro bailarino e colocou a pistola no seu coldre. Havia um celular, mas travado com senha de acesso. Com a ajuda dos homens, enrolou o morto no tapete arruinado e colocaram junto à porta, reforçando a barricada.

– Infelizmente, até o tumulto passar ele tem que ficar aqui. – disse o guitarrista. – Vamos por o ar condicionado no máximo senão vamos morrer assados. Alguém liga uma TV aí.

– Não tem televisão no meu camarim, mas podemos tentar a internet, ela funcionava bem antes disso tudo.

Felizmente, a rede sem fio ainda não tinha caído, e através de um notebook, o grupo conseguiu acessar notícias e assistir vídeos curtos sobre o pandemônio que os cercava. Precisavam entender melhor a situação. Pânico só leva a decisões impensadas e à morte. No entanto, era difícil ignorar as pancadas e gritos ao seu redor. As batidas eram fortes e frequentes. O mini-bunker improvisado aguentava bem por enquanto, mas era óbvio que mais cedo ou mais tarde teriam que sair dali.

Aguardem em breve a Parte 3 dessa história, onde Madonna e seu grupo de sobreviventes assiste a alguns vídeos do caos que os cercam. Será que conseguirão encontrar uma informação sobre como esse terror aconteceu? E como conseguirão fugir do camarim cercado por zumbis e uma multidão enlouquecida?

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Comentários do Blog

3 Comentários

  1. […] os links para ler as partes I, II e […]

  2. Antonio Carneiro disse:

    A parte 3 está quase pronta, com cenas variadas do caos zumbi a sua volta. Tô repensando a parte 4 porque a forma que tinha imaginado pra Madonna escapar não existirá mais.
    O sushiman é um cara bom pra se ter por perto mesmo, e factível de se encontrar nesses bastidores de estrelas. Só que acabei curtindo mais esse guitarrista que usa seu instrumento musical como uma arma anti-zumbi/anti-tumulto.

  3. Mario Jorge disse:

    Madona dando tiro de festim e chicotada na população pra chegar ao camarim, adorável de se imaginar rsrsrs
    Legal essa segunda parte, a ação contra os zumbis começa propriamente dita aqui. E essa equipe da Madonna tá ótima… Um sushiman em um apocalipse zumbi, nada mais útil huahua
    Agora é ver se esse “em breve” chega a parte 3, como está escrito, vai ser um em breve em breve. Ou se é um em breve estilo R. R. Martin.

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