O mundo fica mais pobre sem o Rei do Stop Motion.

Nesse 7 de maio de 2013, faleceu Raymond Frederick Harrihausen, com quase 93 anos. Mais do que um pioneiro dos efeitos visuais e mestre da animação stop-motion, ele foi um verdadeiro marco do cinema fantástico. Encantando platéias e influenciando futuros cineastas, Ray Harrihausen deu vida a criaturas que até então jamais poderiam ser vistas em um filme live-action.

exército de esqueletos

O seu fascínio por modelos animados começou quando ele assistiu aos 13 anos de idade ao filme King Kong de Willis O’Brien. Ele não conseguia entender como os efeitos foram realizados, e resolveu aprender. Dois anos depois, Harrihausen estava produzindo filmes caseiros com miniaturas animadas. Uma curiosidade: ele assistiu a King Kong junto de um amigo de infância, o mestre da ficção científica Ray Bradbury.

FILMES

Nos 46 anos seguintes, ele fez alguns dos filmes mais memoráveis do cinema fantástico, a maioria clássicos da Sessão da Tarde. Abaixo eu cito alguns exemplos, mas a cinebiografia completa pode ser conferida no site IMDB. Também aponto alguns destaques destes filmes:

Monstro do Mundo Perdido (Mighty Joe Young – 1949) – Também conhecido como Poderoso Joe, ou a “imitação” do King Kong.
O Monstro do Mar Revolto (It Came from Beneath the Sea – 1955) – Um polvo radioativo gigante ataca São Francisco.
A 20 Milhões de Milhas da Terra (20 Millions Miles to Earth – 1957) – Criaturinha trazida por sonda que foi a Vênus cresce e quase destroi Roma.
Simbad e a Princesa (The 7th Voyage of Simbad – 1958) – O primeiro dos filmes de Simbad. Lembro da princesa encolhida, do ciclope gigante e do pássaro de duas cabeças.
A Ilha Misteriosa (Misterious Island – 1961) – Na época da guerra civil, sobreviventes estão presos numa ilha deserta com animais gigantescos.
Jasão e o Velo de Ouro (Jason and the Argonauts – 1963) – Junto com Fúria de Titãs, é a sua maior obra. A famosa cena do exército de esqueletos durou 3 meses para ser feita. Outros destaques: o gigante de bronze, hárpias e uma hidra.
Os Primeiros Homens na Lua (First Men on the Moon – 1964) – Baseado no livro de H.G. Wells, essa ficção-cientifica tem um ar steampunk antes mesmo dessa palavra existir.
Mil Séculos Antes de Cristo (One Million Years B.C. – 1966) – Dinossauros e Rachel Welch usando trajes diminutos.
O Vale de Gwangi (The Valley of Gwangi – 1969) – Nâo lembro desse, mas a internet diz que são Cowboys x Dinossauros.
A Nova Viagem de Simbad (The Golden Voyage of Simbad – 1973) – Destaques: um demoniozinho alado, a estátua com 6 braços armados e o vilão interpretado por um dos mais famosos Doctor Who, Tom Baker.
Simbad e o Olho de Tigre (Simbad and the Eye of the Tiger – 1977) – O príncipe Kassim transformado em babuíno, um troglodita com chifre na cabeça e o minotauro de ouro que rema sem cansar são ótimos.
Fúria de Titãs (Clash of Titans – 1981) – Esse eu vi no cinema e fica difícil destacar algo no meio do espetáculo: Medusa, Kraken, a corujinha mecânica Bubo, os escorpiões gigantes, o barqueiro Charon… peraí que eu vou ali ver o filme de novo e já volto!

INFLUÊNCIAS

Em sua página do Facebook, a Ray & Diana Harryhausen Foundation lista algumas palavras de cineastas famosos sobre o mago dos efeitos visuais:

“Ray tem sido uma grande inspiração para todos nós na indústria de efeitos visuais. A arte de seus filmes, com os quais a maioria de nós cresceu, nos inspirou muito. Sem Ray Harryhausen, provavelmente não teria existido Star Wars.” – GEORGE LUCAS.

“O Senhor dos Anéis é meu filme ‘estilo Ray Harryhausen’. Sem seu amor por imagens e histórias maravilhosas, este filme nunca teria sido feito – não por mim, pelo menos.” – PETER JACKSON.

“Para mim, ele sempre será o rei da animação stop-motion.” – NICK PARK, autor de Wallace e Gromit.

“Ray, sua inspiração vive em nós para sempre.” – STEVEN SPIELBERG.

“O que fazemos agora digitalmente com computadores, Ray fez digitalmente muito antes, mas sem computadores. Apenas com os seus próprios dígitos (dedos)” – TERRY GILLIAM, do Monty Python.

“Eu acho que todos nós que trabalhamos na arte de filmes de ficção científica e fantasia agora sentimos que estamos de pé sobre os ombros de um gigante. Se não fosse a contribuição de Ray ao sonho coletivo, não seríamos quem somos.” – JAMES CAMERON.

“Você sabe que eu sempre digo para os caras com quem trabalho hoje em dia em computação gráfica? Façam como Ray Harryhausen.” – PHIL TIPPET, produtor e supervisor de efeitos visuais, responsável pela trilogia clássica de Guerra nas Estrelas, Robocop, Jurassic Park, Tropas Estelares, entre outros.

ray harrihausen poster

CINEMA É A MAIOR DIVERSÃO

Imagino que muitos sites, jornais e revistas farão entre hoje e amanhã uma merecida homenagem. Mas não posso deixar de lembrar que um dos nossos primeiros posts, feitos no primeiro mês de existência do NewsErrado, mostrava um vídeo de uma coletânea das criaturas de Harrihausen. Sem dúvidas, assisti-lo seis anos depois é tão bom quanto naquela época.

Só posso dizer que não só o seu legado é importante para história do cinema, mas assistir aos seus filmes mesmo hoje é uma viagem deliciosa pelo mundo da imaginação.

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