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O bailarino da Madonna conseguiu acessar alguns portais de notícia estrangeiros. Um tal de Dr Jorge Romano, xenobiologista latino-americano, havia previsto a existência desse tipo de epidemia, onde os seres vivos eram transformados em não-viventes através de contaminação sanguínea. As vítimas permaceciam num terceiro estágio de vida, não estavam  completamente mortos, mas não tinham vida como nós a definimos. Por isso, ele tomou emprestado de alguns cultos religiosos obscuros o termo não-vivente. O cientista fez uma comparação com os estados da matéria: “Antigamente só conhecíamos líquido, sólido e gasoso, depois aprendemos que existe o plasma. Da mesma forma, além da vida e da morte, descobrimos a não-vida”. Com todo seu conhecimento, no entanto, ele não sabia o que seria necessário para “curar” os contaminados. O que deveríamos fazer, segundo sua opinião? “Atirem na cabeça, queimem tudo, joguem água benta e, se tudo falhar, corram pras montanhas!!”

apocalipse zumbi com madonna

Um site americano tinha imagens ao vivo, mostrando um repórter a bordo de um helicóptero:

– O caos tomou conta da orla! Essa é a maior tragédia da história do reveillon de Copacabana, superando o naufrágio do Bateau Mouche em 1988 e a explosão dos fogos na areia, na virada do milênio. Milhares estão sendo empurrados e pisoteados. Armas são improvisadas: fogos de artifício, garrafas de bebidas alcoolicas e facões roubados dos quiosques. – Enquanto o repórter falava, a câmera ia mostrando tudo.

– Quem nós vemos agora – continuou ele – é o Prefeito da cidade. Ele foi rápido em perceber o perigo, abandonando a Área VIP juntamente com outras duas pessoas. Parece ser um guarda-costas e um ator norte-americano. Sim, é Sean Bean, famoso por sua atuação em Guerra dos Tronos e Senhor dos Anéis. Eles alcançaram a proteção no alto de uma torre de som, mas um outro grupo está tentando escalá-la também. Estão erguendo as mãos, pedindo ajuda desesperadamente. O prefeito está dizendo algo ao seu guarda-costas. Espera! O guarda-costas sacou uma pistola e abriu fogo contra as pessoas! É terrível, eu não acredito no que estou vendo. As câmeras estão gravando isso? Dá um zoom ali, rápido. Agora podemos ver que quem não morreu, desistiu de tentar subir naquela torre e correu em todas direções. Muitos foram pegos pelos tais não-viventes. Alguns destes monstros cercaram a torre de som. O que o prefeito está fazendo? Parece que ele está sinalizando para nós. Quer que tentemos resgatá-lo com nosso helicóptero de reportagem. Estúdio, está me ouvindo? O que nós fazemos?

Enquanto o repórter aguardava uma resposta da produção, os não-viventes subiam desajeitadamente a torre, balançando-a quase o tempo todo. Eles alcançaram o pé do segurança. À primeira dentada, ele soltou as barras, caindo no meio dos não-viventes. Os que haviam começado a escalar se jogaram atrás dele, ansiosos por um banquete mais fácil.

Sem esperar a resposta que nunca vinha, o repórter falou: “Comandante, é nossa chance, vamos pegá-los!” A produção podia não chegar a um consenso quanto ao resgate, mas nesse momento foi rápida para cortar pra uma imagem externa, feita a partir de uma câmera instalada no topo de um hotel. A aeronave desceu, planando a poucos metros do solo. Mantinha ainda uma certa distância da torre, evitando ficar colado nela. O helicóptero balançava muito, aparentemente mais devido ao estado emocional do piloto do que pelo vento. O ator Sean Bean não quis correr o risco de ser deixado pra trás pelo prefeito: desferiu um soco no político, correu para o alto da caixa de som e tomou distância. O pulo não seria fácil, mas ele estava acostumado a fazer muitas cenas de ação sem dublê. Correu e pulou. No instante que estava no ar, um rojão estorou perto da cabine, fazendo com que o piloto instintivamente se movesse em busca de proteção. Sean Bean caiu bem em cima do rotor de cauda, sendo fatiado na hora. Pedaços do ator voaram em todas as direções. Um dos pés acertou em cheio o prefeito, que se levantava do soco recebido. Desequilibrando-se, a autoridade caiu no meio dos não-viventes, sumindo no meio de mãos e dentes contaminados. O helicóptero começou a girar e caiu no chão mais adiante, explodindo em seguida.

O grupo de Madonna escutou e sentiu a explosão, muito perto dali. A internet saiu do ar.

Fim da Parte IV. Nas duas últimas partes, mostramos o que acontecia ao redor dos nossos sobreviventes, refugiados no camarim da Madonna. Na parte V, o foco retornará a eles e mostrará o que eles farão para tentar escapar. Conseguirá o guitarrista fugir com vida? Será que o bailarino vai “dançar”? Será que o sushiman irá fatiar zumbis? Irá a Madonna receber o cachê por este show? Não perca nesta mesma zumbi-série, neste mesmo zumbi-blog.

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