Reproduzimos aqui um post de Mat Miller em seu blog nos contando como foi capturar imagens das consequências do tornado em Oklahoma. As imagens são fortes, mas também nos ajudam a entender um pouco o que passam essas pessoas atingidas pela destruição.

A partir de agora o post é uma tradução do dele. O relato e imagens são um pouco fortes e tristes.


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Em Oklahoma, tornados são uma coisa comum. Toda primavera eles acontecem e cada habitante cresce sabendo o que eles são e o estrago que eles podem causar. Como um nativo, eu vi apenas dois tornados em pessoa, e depois de persegui-los. Na maioria das vezes, eles causam pouco estrago e dissipam-se rapidamente. As pessoas ficam mais preocupadas com o estrago que vem com uma chuva de granizo gigante, do que com os tornados.

No dia 20 de maio de 2013, um tornado com mais de 2 quilômetros de largura atingou Moore, em Oklahoma, mais ou menos 16km de distância da minha casa. Ele estava em uma direção nordeste, lentamente. Eu estava olhando o radar de perto com minha namorada, como sempre fazemos quando as sirenes tocam. Vimos imagens do tornado destruindo tudo dentro de território urbano.

Era 03 de maio de 1999 de novo.

Eu decidi viajar para o local depois para fotografar a devastação. Só a minha namorada sabia. Eu não sabia o que esperar. Quando eu estava saindo da minha casa, as sirenes tocaram novamente.

Corri de volta para dentro uma última vez para verificar o radar. Até onde eu sabia, o furacão estava passando a Interestadual 35 e que era seguro eu me dirigir para o sul. Saí e cheguei 30 minutos depois.

Depois de passar por granizo e estradas inundadas, eu estacionei meu carro e andei 45 quadras até uma fazenda que tinha sido atingida. Quando eu estava chegando perto da entrada da fazenda, eu podia ouvir tiros. Isto me confundiu no início, mas logo que cheguei mais perto percebi que ainda haviam animais vivos.

A primeira coisa que eu vi quando passei pela entrada de fazenda eram quilômetros de madeira triturada e amontoados de destroços, tanto quanto meus olhos podiam ver.

Enquanto eu caminhava mais, eu achei o primeiro cavalo morto. Dei um passo para trás para pensar se eu deveria continuar adiante. Então eu pensei, “Eu vim até aqui, eu não posso parar agora.”

Minha câmera estava na minha mochila, e eu percebi que eu deveria começar a fotografar para documentar a cena. De certa forma, foi um alívio. Consegui olhar para tudo como uma imagem, ao invés do horror que estava em frente de mim.

A fazenda foi o mais horrível. Haviam animais mortos por toda parte. Literalmente pilhas deles. Foi impressionante para mim, mas eu fui em frente.

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Eu tinha uma idéia que eu iria tentar seguir o caminho do tornado o máximo possível, e foi isso que eu fiz.

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A próxima hora e meia não foi nada além de eu cuidar onde pisava e fotografar o que eu via. Tentei permanecer respeitoso da melhor maneira possível, permanecendo nas ruas e fora das propriedades das pessoas.

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Em um momento, cheguei a um beco sem saída e um menino que vivia na rua me levou atrás de sua casa para me mostrar como dar a volta nos muitos bloqueios de estradas. De lá, eu tive acesso as áreas mais dizimadas do bairro.

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Muitas vezes eu tinha que ficar me lembrando de fotografar. Havia muito para ver e mais ainda para cuidar. Eu tentei focar no dano, e nas pessoas interagindo com ele. Eu estava usando uma lente simples, então não havia nenhuma maneira que eu poderia ficar ‘mais próximo’ das imagens com as regras que eu tinha definido para mim.

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As famílias ali estavam otimistas. Eu tinha chegado depois que as pessoas tinham sido levadas às pressas para hospitais, então eu não vi ninguém ferido. Perguntei várias vezes se alguém precisava de uma mão e foi rejeitado cada vez.

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Vi pessoas jogando fora suas cervejas enquanto polícias apareceram para ajudar, os anciãos em cadeiras na varanda em frente de suas casas estragadas, as pessoas passando por suas casas e encontrando seus animais de estimação, bombeiros e policiais ajudando as famílias.

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Eu fiz o meu caminho em torno da vizinhança, eu vi um monte de pessoas ajudando as outras. Eles foram até mesmo virando voluntários e aceitando somente os especialistas. Por mais estranho que achei que fosse, descobri mais tarde que estavam ocorrendo saques.

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Enquanto eu fazia minhas rondas, houve muitas vezes que eu queria entrar e começar a escavar pelos animais que eu podia ouvir chorar. Havia tantos. Havia tantos pobres cães que foram feridos . Eu pensei para mim mesmo: “O que eu faria com eles? Estou a 5 km do meu carro, e tudo que eu tenho é a minha câmera. Onde é que eu iria levá-los? “Eu não tinha idéia. Eu não estava preparado para algo assim. Meu coração estava pesado, mas era hora de ir.

Enquanto eu saia, mais e mais pessoas foram aparecendo para ajudar. Pessoal do controle de animais foram colocando cães em seus caminhões tão rapidamente quanto as pessoas traziam.

Encontrei pessoas estabelecidas fora do perímetro com pequenos kits de primeiros socorros ajudando qualquer pessoa saindo da área. Pessoas com água e lanternas foram chegando mais rápido que podiam andar. Isso me deixou orgulhoso de ver a nossa comunidade se unindo para ajudar um ao outro.

Voltei para o meu carro cerca de 45 minutos mais tarde. Eu estava exausto e desidratado, mas eu tinha um cartão de memória cheio de fotos que mostram o que o tornado  fez para esta comunidade.


via: petapixelflickr | bigpicture

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