O grupo de sobreviventes, não encontrou muita coisa no camarim que pudesse ser transformado em arma. O sushiman  suspirou e tirou de sua jaqueta branca um estojo. Desenrolando-o, revelou um jogo de facas de vários tamanhos. Colocou uma às suas costas, presa na cintura, e manteve as duas maiores em suas mãos. Deixou o estojo aberto, perguntando se alguém estava servido.

Sem hesitar, o guitarrista escolheu uma e amarrou-a em sua guitarra. “Agora minha ‘clava musical’ ficou mais letal”, riu.

O bailarino manteve a arma de festim, mas não quis saber das facas. Acreditava que seria inútil tentar lutar, o melhor seria manter-se ágil e concentrado apenas em correr. Enquanto isso, Madonna terminou de checar a munição da sua arma e prendeu o chicote ao cinto.

De alguma forma, ela sentia-se responsável pelo grupo. Se não fosse por seu show, nenhum deles estaria aqui, neste momento. Claro que ela não era culpada pelo surgimento desta epidemia monstruosa, mas ainda assim sentia uma pontada de culpa por atrair e expor milhões de pessoas a ela:  fãs, músicos, cozinheiros, vendedores, policiais, médicos, eletricistas, etc. Ela decidiu que sua missão pessoal seria não só escapar, mas garantir a segurança do seu grupo. Não podia salvar todas as pessoas, mas estas três sobreviveriam.

Alguém mais cínico poderia dizer que ela busca apenas aliviar a consciência, ou que está pensando apenas em si mesma, já que está sozinha em uma terra desconhecida e manter os três por perto podem aumentar suas chances de escapar. Quem sabe o que o nosso subconsciente está pensando? Talvez fossem análise válidas. Mas no meio dessa incerteza toda, ela sabia que precisava viver, e que faria tudo para que o trio também escapasse ileso.

Foi nesse momento que escutaram um celular tocando. Levaram um susto, lembrando em seguida que a vítima do não-vivente, enrolada em um tapete junto à porta, tinha um celular.

celular zumbi

Todos correram em direção ao celular, essa era a chance de pedirem socorro. Madonna chegou primeiro e atendeu logo. Antes mesmo que dissessem algo, ela se identificou, disse onde estava, quantas pessoas estavam com ela e prometeu uma recompensa milionária se fossem salvos.

O único problema é que a Madonna esqueceu que nem todo brasileiro fala inglês e muito menos ela entende português. Uma voz feminina começou a responder em português e ela passou logo o celular pro bailarino.

– Que voz de mulher é essa, Roberto? Eu aqui preocupada com você e tu já se aninhou com uma gringa DE NOVO? Sem vergonha!! Essa foi a última vez, esqueça que eu existo, Roberto! – E desligou.

– Acho que o resgate não vem. – traduziu o bailarino. – Culpa do Roberto – apontou para o falecido.

Foi olharem para o segurança que um susto maior tomou conta deles. Ele abriu os olhos e começou a se mexer.

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Continua na Parte VI. De graça.

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1 Comentário

  1. Mario Jorge disse:

    “O sushiman suspirou e tirou de sua jaqueta branca um estojo. Desenrolando-o, revelou um jogo de facas de vários tamanhos.”
    E assim surge o maior caçador de mortos vivos de todos os tempos…

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