Mais um capítulo do nosso conto sobre como o Apocalipse Zumbi começou durante um show da Madonna, no Réveillon de Copacabana.

Leia a primeira parte aqui.

O corpo do segurança, antes inerte, agora contorcia-se em espasmos. Emitia estranhos rosnados, bem baixos, porém assustadores. O seu olhar encontrou o grupo. A expressão vazia não mudou, mas surgiu uma determinação. Sentou-se, babando e rosnando alto.

Foi derrubado na hora com um golpe de guitarra. Madonna aproveitou para enrolá-lo novamente no tapete. Ele começou a se debater inutilmente, preso. O sushiman montou sobre ele e começou a enfiar as facas, retirando e enfiando-as rapidamente. Enquanto era esfaqueado, Madonna notou que Roberto – não era fácil enfrentar um não-vivente quando se sabe o seu nome, imagina se fosse alguém conhecido? – continuava debatendo-se violentamente. Parecia não estar disposto a morrer de vez. Só quando uma das facas atravessou-lhe a têmpora, ele parou.

O último golpe quebrou uma de suas facas, mas o sushiman não se preocupou em repô-la. Apenas citou o que o especialista tinha dito na internet: “Acertem a cabeça, queimem tudo e fujam paras as montanhas”.

madonna armada e perigosa

O guitarrista despejou uma garrafa inteira de cachaça sobre o corpo, mas antes que acendesse, foi impedido pela Madonna. A pop-star segurou seu braço:

– Vai tocar fogo no corpo e no camarim!
– Perderemos nosso único abrigo. – reforçou o bailarino.
– Aqui não é seguro, – cortou o sushiman – temos que sair logo dessa ratoeira.
– Eu posso rolar o corpo pra fora e acender lá. – Sugeriu o músico.
– Nós precisamos de um plano. – Disse a pop-star. – O momento do pânico passou. Se quisermos sobreviver, precisamos pensar, e não agir com o coração.

Nesse ponto todos concordaram. Infelizmente, o consenso foi só até aí. O bailarino queria ficar ali dentro o máximo possível. Caso precisassem sair às pressas, havia um alçapão no teto que poderiam usar. O guitarrista e o sushiman queriam sair imediatamente, aproveitando a noite para escondê-los. Queriam fugir da praia de uma vez por todas. O ideal seria alcançarem um dos muitos barcos que assistiam aos fogos do réveillon. De lá, por mar, conseguiriam ir para longe.

Cada um começou a falar ao mesmo tempo, as vozes aumentando e ninguém escutando o outro. De repente, um forte barulho lá fora e as luzes se apagaram.

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Continua na Parte VII. Ainda de graça. Mas se quiserem me mandar dinheiro, biscoitos, elogios e críticas, podem mandar. Menos as críticas.

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Comentários do Blog

1 Comentário

  1. Mario Jorge disse:

    Falar que eles deveriam fugir para as montanhas é ótimo. Sempre as montanhas.
    E o sushiman matou, nesse capítulo, 1 zumbi. É apenas o aquecimento…

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