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Assim que Carlos saiu, percebeu que algo estava errado. Sentiu isso no ar. Olhou em volta e viu que não foi o único a notar. Trabalhadores largaram suas rotinas e se entreolharam nervosamente.

De repente, foi como se uma sirene silenciosa tivesse tocado. Alguém encontrou o primeiro corpo sem vida e todos começaram a correr.

Alguns voltaram pra dentro, em busca da proteção dos seguranças. Outros, mais céticos, acreditavam que o perigo era maior do que qualquer coisa já vista. Quem disse que o governo poderia ajudar ou iria desejar fazê-lo? Entre ficar encurralado por tempo indeterminado ou a chance de escapar dali com vida, muitos escolheram a segunda opção. Inclusive Carlos.

Ele correu como um louco. Viu alguns conhecidos tombando do seu lado. O cheiro da morte impregnando o ar. Ele seguiu reto, depois mudou de direção várias vezes, tentando despistar o perigo.

Carlos só parou de correr quando não viu mais nenhum vestígio do ataque. Ou dos seus amigos. Ou da sua casa. Onde ele estava? Movido pelo medo, ele se afastou tanto que não fazia idéia de onde estava.

Ele começou a questionar sua decisão. Ele odiava a solidão. Não, ele tinha fobia. De que adiantaria sobreviver se todos que ele conhece se foram?

Talvez, mais por medo desse pensamento do que por otimismo, ele se recusou a acreditar nessa hipótese. Pensou que sempre existem sobreviventes, por pior que seja a tragédia. Ele os ajudaria e juntos reconstruiriam o que foi perdido.

Carlos resolveu agir, pondo-se em movimento mais uma vez. Seguiu em direção a um terreno mais alto. A razão dizia-lhe que do alto ele conseguiria se situar melhor.

Chegando ao topo, olhou em volta. O vento forte parecia um trovão. Mas ele não se abateu. Identificou alguns pontos que talvez ajudassem a encontrar o caminho de volta.

Foi quando o céu escureceu. Seu sexto sentido disparou novamente. Preparou-se para correr, mas era tarde demais. A última coisa que Carlos ouviu foi um trovão que parecia dizer:

“Menino! Pára de ficar matando formiga e vem comer!!”

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Comentários do Blog

1 Comentário

  1. Mario Jorge disse:

    Faltou a musiquinha de Alem da Imaginação no final. hehe

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