Quando eu era pequeno, “computador” era coisa de filme ou seriado de TV. Umas máquinas enormes, que ocupavam uma sala inteira. Não havia limite para as respostas incríveis que eles davam, fosse para desvendar mais um enigma do Charada ou para descobrir a data de nascimento da Jeannie.

O tempo passou e surgiram os computadores pessoais. Essas maquininhas viraram uma realidade, entrando em nossos lares e deixando todos pasmos com o que podiam fazer. Não eram caixas mágicas, tínhamos que programar páginas e mais páginas de linhas de comando em BASIC para que ele fizesse algo bem simples. Ainda assim, eram fantásticas.

Em vez de pendrive, disquetes ou DVD-ROM, tudo era salvo numa fita cassete comum, onde escutei pela primeira vez o som digital que os saudosos da internet discada se lembram bem. O monitor? Era a própria televisão, exibindo imagens em preto e branco.

Muita gente reclama dos preços dos impostos atuais, mas antigamente a coisa era pior. Nessa época, nossas lojas só tinham a disposição do consumidor máquinas caras e ultrapassadas, graças a uma lei de proteção contra importações. Ou seja, não adiantava você querer comprar o computador mais moderno, mesmo que aceitasse a exploração de pagar 3 vezes mais o preço americano ou europeu. Você simplesmente não encontraria outra opção para venda que não os poucos modelos fabricados no Brasil. Sem concorrência, pra que fazer um produto melhor ou mais barato?

No mundo atual, onde vendas de computadores on-line não só é uma realidade, como são bastante comuns, é difícil imaginar o que se precisava fazer para ter um computador pessoal do último tipo. Aliás, isso valia para outros produtos como videocassete ou videogame. Era preciso viajar pro exterior e trazer dentro da sua cota de dólares, ou conhecer alguém que tinha um amigo que conseguia comprar lá fora com mais facilidade. Aí, amigos e vizinhos não saiam mais da sua casa, todos querendo curtir o “brinquedinho”.

Os brasileiros conseguiram superar o período de proibições às importações e hoje qualquer um pode comprar o seu sonho de consumo, desde que possa pagar por isso. Agora, nossa luta deve ser outra: reduzir as tarifas de importação, de forma a democratizar o acesso aos computadores e outros bens. Não faz sentido pagarmos mais por um produto exatamente igual ao disponível na Alemanha ou Estados Unidos, países onde a média de renda da população é muito maior que a nossa.

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