Copas da Minha Infância

Eu sempre curti Copa do Mundo. Quando pequeno, na hora de brincar de futebol de botão com meu irmão, nunca era um campeonato local e sim um campeonato mundial. Eu arrasava quando jogava com a Iugoslávia, país que nem existe mais e deve ser desconhecido da garotada de hoje.

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Tendo nascido no ano do tricampeonato jamais tinha visto o Brasil ser campeão ou sequer chegar à final. Chegávamos perto, éramos “campeões morais”, mas nada de título. No entanto, isso não diminuiu meu interesse pelas Copas do Mundo. Continuava vidrado nelas. Eu assistia a todos os jogos possíveis, não só os da seleção brasileira e seus possíveis adversários. Além disso, eu aproveitava a Copa para conhecer algo sobre cada país: bandeira, hino nacional, onde ele se localiza e como é o seu povo.

Sempre curti a decoração nas ruas, quando todo mundo saia pra pendurar bandeirinhas ou pintar o asfalto, os muros e os postes. Vizinhos que nunca trocavam um alô, amigos de outros bairros, crianças, idosos, todos se uniam pra deixar a rua no clima pra Copa. Depois inventaram competição de rua-mais-enfeitada, com regras e prêmios, lembraram que é contra lei pintar hidrantes e colocar bandeiras nos carros. Até usar a bandeira nacional como vestuário seria ilegal. Isso tirou um pouco a espontaneidade brasileira. Mas o fato é que a festa é do povo e não dos governos, e ninguém pode tirar isso.

Copa de 1994

A Copa é um grande encontro de povos e nações, uma festa mundial ímpar. Em 1994, tive a sorte de estar estudando em San Francisco, nos EUA, quando a Copa chegou por lá. Olha a oportunidade que eu tive: vivenciar o clima de festa que já era incrível pela televisão, mas agora pessoalmente em uma cidade-sede do evento. Eu não poderia voltar ao Brasil sem ter assistido a pelo menos um jogo pessoalmente, no estádio local. Talvez por não ser um país com muitos fãs de futebol ou porque San Francisco está distante da Europa, mas confesso que não tive problemas em conseguir ingressos para ver o Brasil. Acabei indo em todas as três partidas que foram jogadas lá: Brasil contra Rússia, Camarões e até contra o anfitrião EUA, em pleno 4 de julho!

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Como sempre, tínhamos fé na seleção, mas não havia muita certeza de vitória. Ainda assim, valia a pena comprar um ingresso, pegar o trem até o estádio e participar dessa festa. Se assistir pela TV era bom, pessoalmente seria excelente. E qual foi minha surpresa? Depois de 24 anos, o Brasil foi campeão! Pé quente é pouco, não? A partir dessa Copa, a nossa seleção desencantou e chegou à final nas duas competições seguintes, chegando a conquistar mais um título.

Copa de 2014

Vinte anos se passaram desde a “Copa Pé Quente” dos EUA e aqui estou novamente em uma cidade-sede do Mundial. Dessa vez, minha própria cidade. Muita gente duvida que tenhamos chance de título, mas se você é supersticioso, lembre que da última vez que vi a seleção no estádio, ganhamos. Além disso, como eu falei antes, independente da disputa pela Taça, o clima de festa mundial que acompanha essa competição é muito bom e todos tem o direito de vivenciar isso ao menos uma vez na vida.

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