Viver é Reciclar

Tenho que confessar que sendo uma criança menor em uma família grande, eu não via com bons olhos as coisas usadas. Enquanto irmãos mais velhos ganhavam coisas novas, eu ficava herdando roupas, vitrolas (sim, sou desse tempo) e brinquedos. Não vou ficar reclamando, porque algumas dessas coisas eu realmente ficava de olho, esperando chegar a minha vez de ter. Mas nem tudo era do meu gosto.

Assim, por um bom tempo, eu tinha preconceito. Não entrava em brechó, por exemplo. Sebo? Só de entrar, a minha alergia atacava. Não é que fosse fresco, apenas tive uma overdose e quando existiram condições pra que eu comprasse algo novinho, era essa minha preferência. Nem cogitava em procurar usados.

Mas o tempo passou e descobri uma coisa: Existem coisas incríveis neste “submundo” que não encontramos em nenhum outro canto. É praticamente um mercado negro legal.

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Nas livrarias de sebo e outros mercados de usados posso encontrar livros dos gêneros e autores que adoro e não estão disponíveis mais nas lojas. Discos de música que não encontraria nas lojas nem em sonho. Revistas e livros importados ou outros objetos de consumo como brinquedos e eletrônicos que jamais foram lançados aqui.

O único problema é que uma vez que percebemos que o mercado de usados é uma boa fonte de tesouros, não nos basta mais fazer jornadas rumo ao desconhecido, como se fossemos um “Indiana Sebo”. Buscamos algo específico: uma peça, um livro, equipamento, assessório, instrumento musical, livro ou game.

Aí o que nos salva, paradoxalmente, é a tecnologia moderna. Se antes tínhamos que ir de brechó em brechó ou garimpar as páginas impressas de jornais de classificados, hoje tudo ficou mais fácil com a internet: basta acessar um site de anúncios grátis e encontrar tudo o que queremos.

O Outro Lado

Claro que se por um lado, o mercado de usados é bom pra encontrarmos preciosidades, ele também é legal pra nos desfazermos do que não queremos mais. Ou não podemos mais guardar, sob o risco de protagonizar aqueles documentários sobre acumuladores compulsivos.

Acredito que é sob essa ótica que foram feitos aqueles comerciais da OLX, com o bordão “desapega”. Ao contrário do concorrente deles que faz uma campanha em que a pessoa vende algo horrível e incômodo, nestes anúncios a pessoa vende algo decente, mas que não vê mais sentido em manter guardado, ocupando espaço.

A diferença é grande: enquanto uma empresa anuncia que seus serviços são bons pra você se livrar de uma porcaria que não pode ser boa ou agradável pra ninguém, a outra mostra as pessoas vendendo objetos normais, que podem ser úteis ao comprador também. É a disputa do “Vamos passar esse pepino pra frente” versus “Não quero mais, porém ainda pode servir pra muita gente”.

Conclusão

Se você tem algum preconceito em mergulhar no mercado de usados, da mesma forma como eu tinha, só tenho um conselho pra você: Desapega disso!!

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