inteligencia artificial realista

Faz tempo que a humanidade tenta criar um computador parecido com o ser humano. O objetivo dos cientistas é chegar a um nível em que não se possa distinguir entre uma inteligência biológica e uma inteligência artificial.

Lembro que foi uma grande conquista quando uma super-máquina venceu o campeão de xadrez. Grande coisa. Desde quando campeões mundiais de xadrez se parecem com seres humanos?

Bem, se considerarmos o padrão de quem construiu esses super computadores, dá pra entender. Aposto que não eram os garotos mais populares da escola. Deviam estar tentando criar um amigo eletrônico. Coitados, acabaram apanhando em seu único esporte e ainda devem ter sofrido bullying do super computador: “In your face, nerd!!”

Outro avanço foi um computador que conversa online com as pessoas sobre assuntos triviais e por um minuto chega a soar humano. Mas logo a “farsa” acaba e ficam evidentes as falhas de um conversa com uma máquina programada.

Na verdade, sabe o que eu acho que falta para computadores e máquinas reais (e até da ficção) se parecerem mais com os seres humanos? Falta incluir a fórmula da CHATICE. Especificamente, eu me refiro àquele fator que impede as pessoas de irem direto ao ponto. Os robôs inventados até hoje tem um objetivo e vão direto pra ele. Ora, isso não é humano! Veja uma mulher indo ao mercado ou ao Shopping Center. Entra pra comprar uma coisinha, vê 500 outras coisas, compra outras 10 e muitas vezes sai sem levar o que foi comprar. Qual robô faria isso?! São todos muito fakes pra isso. Imagina: “Preciso matar Sarah Connor, preciso… hmm, que parafuso bonito nessa vitrine, olha o platinado!”

Outro fator da Chatice que as máquinas ainda não incorporaram é a enrolação para contar uma história, como aquelas pessoas que vivem se interrompendo pra explicar outra coisa, esticando uma história de 2 minutos pra 10 minutos: “Eu estava passando pela Loja do Baú e – sabe qual é essa loja, né? Aquela na esquina da Rua Sei Lá com Não Tenho Ideia. Em frente à Loja Piorou. Tem um toldo azul-petróleo. Porque tem gente que acha que aquilo é verde, mas não é. Lembrou da loja?”.

Imagina se um computador tivesse essa fórmula em sua programação:
– Computador, quem descobriu o Brasil?
– Ah, o Brasil… grande país da América do Sul. Ele foi descoberto por um navegador de Portugal, que depois tomou posse e colonizou o Brasil. Provavelmente é por isso que os brasileiros adoram contar piadas de português. Você sabe onde fica Portugal, né? Um país pequeno do lado da Espanha. Lembrou? Mas lembrou mesmo ou tá concordando só por concordar?

O único robô da ficção que parece incluir falhas de personalidade humana é o Marvin, do Guia do Mochileiro das Galáxias. Ele tem depressão profunda e é um chato de galochas. É o robô mais realista que já vi. O C3PO também é chatinho. Os outros, sejam andróides bonzinhos como Data de Star Trek ou vilões como o Exterminador do Futuro jamais se passariam por humanos por muito tempo.

Eu ouvi dizer que algumas experiências que misturaram material orgânico com chips artificiais chegaram muito próximas de simular uma pessoa real. Mas infelizmente exageraram no fator Chatice e tiveram que encerrar tudo. As pobres cobaias inseridas na comunidade humana foram largadas à própria sorte. A maioria pelo menos está conseguindo levar uma vida feliz e produtiva como operadora de telemarketing e teleatendimento.

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Comentários do Blog

4 Comentários

  1. QUERIA PUBLICAR ESSE POST NO MEU BLOG da RECANTO DAS LETRAS…
    Eu bem que quero saber o nome do cronista e seus direitos pra colocar tudo isso no meu site que estou hospedado e que tem um site só meu! Lá os textos são respeitados na questão dos direitos autorais e eu nunca tive problemas por lá. Será que dá por autor dessa crônica me deixar copiar por completo e sem adições ou alterações de minha parte? Agradeceria se respondesse…
    Ah, o meu teclado tá esquisito aqui!

  2. Afranio B. de Souza disse:

    A cronica sobre inteligencia artificial esta muito boa.
    Ironica, escolheu como tema não a tecnologia em si mas a chatice humana. A ironia se apresenta suave, apropriada. E texto curto. Parabens ao autor. Uma verdadeira prova de inteligencia natural.
    Encomendo ao criativo autor uma cronica sobre o uso atual exagerado dos celulares em publico ou em particular.

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