O título deste artigo foi tirado da frase que iniciou o artigo de fundo do DCI (Diário Comércio Indústria & Serviços) no dia 10 de fevereiro passado ao analisar a perspectiva política para o corrente ano. Estou me apropriando dela, pois se aplica perfeitamente à economia.

Infelizmente toda a desgraça econômica que nos aflige foi cuidadosamente plantada pela administração federal no mandato anterior. Voltando a citar o DCI, no dia 29 de janeiro do ano passado escrevi neste jornal um artigo cujo titulo era “Dólar a R$2,80 e Selic a 12,8%”. O objetivo do artigo foi duvidar da Pesquisa Focus coordenada pelo Banco Central que projetava para o fim de 2014 taxa cambial de R$2,45 e Selic de 10,5% ao ano.

Ao ler o artigo, uma inteligente jornalista assustada com a diferença dos números alertou-me: “Olhe, vou cobrar, hein!”. Pois aqui está minha prestação de contas. A taxa de câmbio encerrou dezembro, apesar de contida pelo Banco Central, a R$2,70 e tão logo a política do atual Ministro da Fazenda entrou em vigor, a cotação buscou seu real valor. Agora supera minha previsão atingindo R$3,10. O mesmo ocorreu com a taxa Selic e vejam a quanto ela esta agora: 12,75%.

crise economia
Era fácil projetar no inicio de 2014 o resultado dos desatinos do Ministro da Fazenda anterior, que substituiu a gestão econômica tradicional pelos malabarismos da contabilidade criativa, fazendo transferências contábeis de ativos do BNDES para a Caixa Econômica, escondendo importações de petróleo nos últimos meses do ano para apresentar resultados maquiados de saldos da balança comercial, fazendo exportações fictícias de plataformas da Petrobras, etc.etc.

Isto durante três anos consecutivos. Esta mágica já havia sido feita há quase 20 anos atrás no Governo Sarney com o apoio do PMDB, chamada Plano Cruzado e nos sabemos no que deu. O pais quebrou, o governo decretou moratória internacional, mas o PMDB ganhou as eleições. O que se pode esperar de uma economia em que os Ministros da Fazenda e do Planejamento não entendem nada de economia e atendem cegamente instruções imperiais de quem acredita saber tudo e sobre tudo?

E estes administradores, criticados por um jornal de Londres, foram mantidos nos postos por pura teimosia com o argumento de defesa da soberania. Soberania de uma nação em risco por um jornal? Ou seria soberba? Custou caro ao país. Tal como nos tempos do antigo Ministro Funaro esbravejando contra o FMI que exigia austeridade contra a inflação. O resultado só poderia ser o atual. A inflação voltou, o país quebrou, mas a eleição foi ganha. Continuaremos no próximo artigo para falarmos sobre o que se pode esperar da economia de 2015, apesar dos esforços do Ministro Levy, se ele ainda lá estiver quando dezembro chegar.

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