Vocês pensaram que essa série de posts tinha sido cancelada sem um final? Nem pensar. Após um “pequeno hiato” continuamos com a história. E não se preocupe, o fim já está todo planejado e não falta muito.

Pra quem não se lembra da última parte, pode reler a parte 6 aqui. Quem quer pegar a história desde o início, pode ir pra parte 1.

Quem está chegando agora, o que está acontecendo é o seguinte: A popstar Madonna é a grande atração da festa de Reveillon em Copacabana, no Rio de Janeiro. O show corria às mil maravilhas até ser interrompido pelo Apocalipse Zumbi!

Será que a Madonna e um pequeno grupo de sobreviventes que se refugiaram em seu camarim – um contêiner na areia da praia – conseguirão escapar? Confira agora.

____________

A única iluminação vinha do notebook. O ar condicionado também parou de funcionar, deixando o ar quente e sufocante.

– Os geradores de energia se foram. – Disse o Sushiman. – Alguém ainda acha que ficar aqui dentro é melhor do que tentar escapar?

Dessa vez, a opção pela fuga era consenso. No escuro e no calor seria impossível ficar. Além disso, e se o não-vivente se levantasse e atacasse de novo?

Madonna percebeu que de repente todos estavam falando baixo. A tensão aumentou consideravelmente. Desse jeito, logo alguém iria fazer uma besteira que poderia custar a vida de todos. A popstar tentou quebrar o gelo:

– Antes de mais nada, pessoal, vamos nos conhecer direito. Que tal uma apresentação decente? Estamos presos aqui e eu só sei o que vocês fazem pra viver. Nossas vidas dependem um do outro e nem sei o nome de vocês.

O Bailarino começou a falar, mas foi interrompido pelo Sushiman.

– Eu não quero saber o nome de vocês. Não quero saber se tem filhos, sonhos ou dívidas. Infelizmente, Madonna, sobre você é difícil não saber alguma coisa. Mas não quero saber mais nada de ninguém.

– Eu não posso ficar chamando vocês de “ei, você” ou o “Bailarino”, “Sushiman” e “Guitarrista”.

– Claro que pode. Quanto mais a gente souber um do outro, mais difícil vai ser pra gente sobreviver. – Apontou pro Bailarino – Se eu souber que o nome dele é Carlos, trabalha noite e dia para pagar o tratamento da mãe doente e está a um mês de realizar seu sonho de infância, como vou conseguir deixá-lo pra trás quando os monstros vierem?

O Bailarino tentou cortar baixinho:

– Eu não me chamo Car…

O Sushiman continuou:

– Vocês hesitaram para matar o monstro que tava aqui só por saber que ele se chamava Roberto e tinha uma mulher que enchia o saco dele. Imagina se o Carlos ali virar um não-vivo? Vocês vão ter peito de matá-lo ou vão deixá-lo matar vocês?

– Me matar? Eu não faço mal a uma mosca – O Bailarino respondeu no mesmo tom que antes.

– Eu não concordo, Sushiman. – Disse Madonna. – Mas não temos tempo de discutir. Vamos aproveitar que o barulho lá fora diminuiu e vamos sair daqui.

O Bailarino ainda estava contrariado:

– Sushiman é um apelido mais legal que Bailarino. Parece super-herói japonês.

O Guitarrista entrou no espírito da discussão:

– Eu posso ser Guitar Hero?

O Sushiman atirou uma faca que cravou no corpo do Roberto:

-Vocês estão loucos? Discutindo nomes e apelidos enquanto o mundo está acabando? Vamos trocar segredinhos de diário também? Cantar e dançar até os monstros invadirem o camarim?

– OK, Sushiman, agora to contigo. – Concordou Madonna. – Vamos deixar de papo, é hora de ação. O que vocês acham da gente usar fogo pra abrir caminho?

O bar do camarim estava cheio de bebidas, o que foi uma ótima matéria-prima pra coquetéis molotov. Saindo pelo teto, eles arremessaram os coquetéis na areia, formando uma trilha em direção ao mar. Com o fogo de cada lado da trilha, criaram uma pequena passagem evitada por vivos e não-vivos. Sabiam que o fogo logo apagaria, então precisavam correr.

O Bailarino foi na frente, usando uma mesinha como escudo. Madonna foi em seguida, o Sushiman logo atrás e por último o Guitarrista.

O Bailarino foi rápido e logo chegou na água. Atirou a mesinha com as pernas pra cima, improvisando um salva-vidas pra todos. Madonna alcançou o homem, suas botas enchendo-se com a água fria a cada onda que quebrava.

O músico brandia seu instrumento musical transformado em arma. O fogo estava diminuindo e a trilha estreitou. Ele espetou a cabeça de um não-vivente com a faca amarrada em sua guitarra. Infelizmente, isso fez com que ela ficasse presa um segundo e logo caiu no chão. Ele voltou pra recuperá-la, sendo ultrapassado pelo Sushiman.

– Corre, seu doido. Deixa a guitarra aí!

– Nunca, ela foi um presente do Mark Knopler!

Quando o Sushiman alcançou a água, ouviu os gritos do Guitarrista. Não olhou pra trás. A expressão de horror dos seus companheiros disse tudo. Neste momento, o grupo de sobreviventes ficou menor.

_________

Não percam os próximos acontecimentos. Prometo que não levarei uma ano para publicar o resto.

Postado por Tags: , , , , , Categorias: Contos & Crônicas
31431

Comentários do Facebook

Possuímos dois sistemas de comentários, você pode escolher o que mais lhe agrada. :-)


Comentários do Blog

Deixe uma resposta