Tudo bem, o assunto do momento é a gripe suína, ou melhor a influenza A (H1N1) . Mas, não é isso que me assusta. Atualmente, por causa de um disciplina sobre Debate Histórico Contemporâneo que estou fazendo, comecei a ler algumas coisas sobre História das Mulheres e descobri que não sou feminista, embora compactue com algumas posições desse movimento.

Calma, não vou queimar soutiens, nem quebrar os saltos das sandálias! Mas, já prestaram atenção que muito do discurso feminista ou dos discursos em defesa das mulheres, nem todos que fique bem claro, apenas inverte a relação de poder existente em nossa sociedade?
Em vez de tentarem se questionar como essas hierarquias entre homens e mulheres foram construídas e tentar achar uma “solução” para minimizar isso, o que fazemos? Passamos a reproduzir essa relação de maneira inversa, quero dizer, colocamos na possibilidade do trabalho fora de casa e na cosntrução da carreira a nossa liberdade.

Para isso, alguns aspectos que seriam considerados femininos, para nossa sociedade ocidental, passa a ser considerado de menor valor, como a maternidade, o trabalho doméstico e a vaidade. Passamos a nos aproximar do mundo masculino, a usar calças, terninhos e cabelo curto, ocupar cargos de liderança dentro das empresas, a fazer sexo casual e fumar charuto, achando que com isso definitivamente conquistamos a nossa independência e liberdade. A troco de quê?
Salários mais baixos e a famosa dupla jornada de trabalho, além do trabalho fora de casa, temos que cuidar da casa, mesmo quando temos uma empregada que faz isso para gente. Um exemplo interessante foi a assinatura de uma lei que promove a igualdade salarial entre homens e mulheres nos Estados Unidos nessa semana que passou. O presidente Barack Obama, sem entrar em discussões de genêro, apenas disse:
“É muito simbólico que o primeiro projeto de lei que assino fale de um dos princípios fundadores deste país; que somos todos iguais e que cada um pode perseguir a sua própria versão de felicidade” (Fonte: Folha Online - Mundo)
Além de fazermos o mesmo trabalho, muitas vezes de maneira mais competente e, algumas vezes, com mais qualificação, ainda é necessário que um projeto de lei seja assinado para conferir igualdade salarial entre homens e mulheres que fazem o mesmo serviço!

Conseguir a “prórpria versão de felicidade”, é aí que eu gostaria de chegar. É isso aí que todos nós deveríamos buscar. E não apenas consumir ou assumir um papel imposto por um grupo ou mesmo por nossa sociedade. É bem certo que muitas vezes devemos dançar conforme a música, mas isso não quer dizer que para ser feliz, se sentir livre e independente, eu deva buscar um cargo de liderança numa empresa, construir uma carreira e me distanciar de tudo o que seria considerado “feminices” ou de “mulherzinha”: filmes românticos, roupas da moda, coisas cor-de-rosa, bonecas e o “príncipe encantado montado num cavalo branco”.
Não julgo quem faz essa opção de alienada ou “Amélia”. Desde que faça isso de maneira crítica, consciente da situação, não achando que isso seja uma coisa natural, determinante da essência feminina, algo como a mística feminina (qualquer semelhança com o nome do livro, não é mera coincidência). Um exemplo? Filmes e seriados, como Sexy And The City, que focam o estatuto da mulher nos anos 90-2000, mas isso é assunto para um outro post que virá em breve!
Observações:
1 - [Post resposta ao Nódoa do Universo: "Faz-se uma dona-de-casa", que é bem legal por sinal e faz pensar!]
2 - [Veja também: O Diário Meu amoóór da Sra. Joven Nerd. Quem acompanha o Nerdcast vai entender a crítica à vida meu amoór e serve como introdução para os próximos posts meus! Divirta-se, tá f*da o vídeo!)