Políticos Corruptos. Militares Heróis – Parte Final

Esse post é uma continação de Pelegos Corruptos, Militares Golpistas.

Tancredo e Sarney

Em 1985, por eleição indireta foi eleito presidente Tancredo Neves, um político mineiro moderado, hoje conhecido como avô do atual governador de Minas, Aécio Neves. Assim como uma renúncia lunática colocara um presidente fraco no poder em 1962 – João Goulart – outro acidente fatal levou Tancredo e assumiu o seu vice-presidente, José Sarney que nos primeiros anos de seu governo foi tutelado por Ulysses Guimarães.

Liderando o PMDB, Ulysses se julgava no direito de ser presidente, mas fora preterido por Tancredo. Por sua vez ,José Sarney fora presidente da Arena, partido de apoio aos militares até nas vésperas das eleições indiretas. Para transmitir tranqüilidade aos militares no período de transição Tancredo o aceitara como vice.  Era como se o tempo tivesse voltado 20 anos atrás, quando os líderes políticos eram chamados de raposas.

Deste triângulo Tancredo talvez fosse não apenas o mais moderado, mas também o mais sagaz. Mas não o suficiente para driblar a morte. Sarney que assumira o controle do Maranhão durante o período dos governos militares como homem de confiança do regime, aos poucos, com o poder da caneta, foi diluindo a influência de Ulysses. Sarney abriu as portas da corrupção administrativa e com seus pacotes econômicos fracassados liberou o dragão inflacionário. Saiu do governo desacreditado como governante em conseqüência da inflação e da corrupção.

Fernando Collor e Itamar Franco

Collor, o breve, assumiu o governo com a tríplice bandeira de combate à corrupção, à inflação e aos marajás, funcionários de elevados salários. Renunciou e teve seus direitos políticos cassados sob acusação de corrupção. A inflação descontrolada e um projeto de privatização incompleto foi a herança que deixou para o sucessor.

Itamar Franco foi um presidente emburrado. Tancredo Neves dizia que ele guardava seu rancor na geladeira para conservá-lo por mais tempo. Depois dos planos fracassados de Sarney e de Collor e da corrupção que envolvia o executivo e o legislativo (escândalos dos anões do orçamento) tinha pouco espaço para aventuras. Tendo Collor privatizado a Usiminas, menina dos olhos dos mineiros, Itamar decidiu que a CSN dos cariocas e a Cosipa dos paulistas também deveriam ser privatizadas. O grande sucesso de seu governo foi a elaboração do Plano Real, o último pacote econômico – que foi o último por ter dado certo. Só por este trabalho Itamar merece reconhecimento nacional.

Fernando Henrique Cardoso

O Plano Real controlou a inflação e elegeu seu sucessor Fernando Henrique Cardoso.  Mais por falta de alternativas que por filosofia política, Cardoso, um culto professor universitário, abraçou o programa de privatização e tomou medidas firmes para combater a inflação.  A mosca azul de Machado de Assis que picara os militares também o picou e ele apoiou a reforma da constituição para obter um segundo mandato, atitude pouco democrática que se tornou hábito dos governos sul americanos.  Seu segundo mandato não repetiu o brilho do primeiro, acusações não provadas de corrupção tornaram-se manchetes. Teve que enfrentar crises econômicas externas e crises internas em conseqüência da fragilidade do sistema financeiro não estar preparado para operar em economia de baixa inflação. Lançou o Proer e deixou como herança baixa inflação, sistema financeiro recuperado e dívida externa sob controle. Sua popularidade em decadência quando deixou o poder continuou em declínio.

Embora o povo sempre goste dos políticos demagogos e distribuidores de benefícios para que seus sucessores paguem a conta – o que FHC não fez – político sem popularidade é político morto. Por isso, os políticos brasileiros em sua maioria não se envergonham da corrupção, se entregam a ela, arrecadam recursos ilegais, indicam apadrinhados para cargos públicos como o atual presidente do Senado, pagam horas extras para funcionários em férias, distribuem cestas básicas, fazem de tudo para comprar esta tal de popularidade.

Lula

E finalmente em 2002, quase 20 anos depois da saída dos militares do poder, os brasileiros fizeram como os chilenos que elegeram Alende ou como os franceses que elegeram François Mitterrand, isto é, políticos que perderam varias eleições em seus países antes de serem eleitos.  Elegeram Luis Inácio Lula da Silva que haviam sido derrotado três vezes.  A decepção foi maior para aqueles que votaram nele que a surpresa para os que não votaram e continuam não votando.

Quem o elegeu aguardava um governo que estatizasse as empresas privatizadas. Esperavam que colocasse os salários na estratosfera, que não pagasse a dívida externa e baixasse os juros. Que combatesse a corrupção, que eliminasse o nepotismo e que fizesse a reforma agrária.  Ele não fez nada disso.

Manteve a mesma política econômica de seu antecessor chamando-a de herança maldita. Não concedeu aumentos salariais descontrolados e os juros permaneceram elevadíssimos. Para desespero dos esquerdistas, pagou a dívida externa. No primeiro mandato encheu o governo de amigos que haviam perdido eleições. No segundo mandato evitou repetir o erro. Mas sobre a corrupção… não vê, não houve e nem fala. Apenas a deixa livre, solta e airosa.

Aliou-se a antigos adversários acusados de corrupção em troca de apoio político. Assistiu a queda das lideranças de seu partido afastada por corrupção, seu braço direito foi cassado pelo congresso, processos estão abertos acusando seus companheiros de formação de quadrilha e nada o preocupa. Com a popularidade nas nuvens ele paira acima do bem, mas vive dentro do mal.

Desde 1985, nem mesmo no Governo Sarney, houve tantos atos de corrupção na mídia seja do executivo, seja do legislativo e até de governos da oposição.  Durante o segundo governo de Vargas, o jornalista Carlos Lacerda cunhou uma expressão para definir este estado de coisas: Mar de Lama. Mas o que acontece hoje é muito pior. Estamos vivendo em uma cloaca e dentro dela corre o sangue da democracia.

Democracia, Governos Civis e os Militares

Toda vez que um político é preso com dólares na cueca, que é filmado colocando dinheiro na meia ou em bolsas femininas, todas as vezes que um vídeo mostra um governador deitado em sofá estendendo a mão para receber o envelope do suborno, todas as vezes que um presidente declara que a imagem não prova nada, a democracia recebe uma punhalada.

O Brasil quer ser uma potência emergente, mas nunca será. A América é uma potencia e lá existe corrupção. Mas quem for pego vai para a prisão e perde o fruto do roubo. O Japão é uma potência, mas o corrupto é punido e muitas vezes se mata de vergonha. A China pretende ser potência, mas lá os corruptos são fuzilados.  Não existe possibilidade de um país se tornar potência enquanto nele o crime político compensar.

E os militares? Os militares do presente permanecem condenados pelos erros do passado. Erros que não cometeram. Tem soldos congelados. Faltam verbas essenciais para alimentação dos soldados. Por economia, os convocados são dispensados. Equipamentos necessários para a segurança nacional lhes são negados. Quando fazem pareceres técnicos sobre qualidades de aviões de combate são obrigados a refazê-los em silêncio para atender compromissos e negociações desconhecidas.  Enquanto os políticos de esquerda tripudiam sobre o passado, os militares estão cumprindo missões de paz no estrangeiro. Lá no Haiti o terremoto matou 18 militares. Os corpos dos heróis são expostos em salões e a simpatia popular começa a fluir, enquanto o ex-exilado José Dirceu, atualmente cassado, desenvolve atividades de consultoria e missões sorrateiras.

Não desejamos ver os militares humilhados, mas também não queremos vê-los novamente no poder. Os políticos de bom senso que devem existir neste pais devem agir enquanto há tempo. Não é possível suportar tanta corrupção. Os poderes legislativo, executivo e até mesmo o judiciário estão permanentemente falhando no cumprimento de suas obrigações básicas.  Não há democracia que resista por muito tempo. Se a corrupção não for combatida o passado pode voltar e…. existe gente que já o prefere, mas não o autor deste artigo.

14 de March de 2010 | 3 Comentários

Pelegos Corruptos. Militares Golpistas – PARTE I

Este artigo se destina a todos os brasileiros nascidos a partir de 1964.

Atualmente não há quem defenda os militares que governaram o Brasil durante 20 anos, entre 1964 ate 1984. Nem mesmo entre os que os apoiaram. Mas por que os militares assumiram o governo? Contra o que lutaram e qual foi a reação da população diante do golpe que terminou com o governo do Presidente João Goulart em 1964 quando faltava apenas um ano para seu término e para as eleições que certamente teriam elegido em 1965 Juscelino Kubitchek?

Leia amis …

5 de March de 2010 | 4 Comentários

NewsErrado em Laguna

Depois de marcar presença na neve de Montreal, o NewsErrado agora deixa sua marca nas areias de uma praia do sul do Brasil: Laguna! Da neve do Canadá diretamente para as areias quentes do Brasil.

Leia amis …

29 de January de 2010 | 6 Comentários

2010 – Ano de Copa do Mundo

O evento mais significativo em 2010, sem dúvida nenhuma, é a Copa do Mundo da África do Sul. Então, em homenagem a este espetáculo tão esperado, selecionamos algumas imagens no DeviantArt.

The most significant event in 2010, without any doubt, is the World Cup in South Africa. So, in honor of this great occasion, we’ve selected some images from DeviantArt.

Primeiramente, dois wallpapers:
First, two wallpapers:

Agora, alguns personagens usando uniformes de jogo (ou quase):
Now, some characters using team jerseys:


Dois posteres, um com a cobiçada taça e outro com os representantes da América do Sul na competição:
Two posters, one with the Prize Cup and the other with the South American representatives:

Fontes: Lo-Wah, JackAnita, Ahmedmahrous, Mariotullece, anthony040, silva17

5 de January de 2010 | 1 Comentário

No Reino da Imoralidade

Os brasileiros já não sabem mais como exprimir a indignação Origem e História do Panetonequanto ao comportamento imoral dos políticos em todas as esferas: federal, estadual e municipal. De todos os lados, tanto no governo, como na oposição. Desanimados, chocados, acompanham o noticiário do ultimo escândalo vindo de Brasília, agora envolvendo o Governo do Distrito Federal. Quase todos os membros da cúpula daquele governo foram filmados recebendo dinheiro vivo, inclusive o próprio governador. E diante de provas estarrecedoras que levariam a confissão até traficantes execrados como Fernandinho Beiramar, insistem em jurar inocência, com panetônicas explicações. O que está ocorrendo no Governo do Distrito federal seria classificado como atividade de quadrilha, por qualquer estudante de direito se o caso fosse colocado em prova.

E ainda vem o Presidente da Republica, que desta vez não tem, nem ele nem seu partido, qualquer envolvimento direto ou indireto, dizer que fotos e filmes não são o que parecem. Diz que não deseja julgar. Mas esta afirmação não é um julgamento, é uma defesa. E porque defender quem se encontra enlameado por graves acusações?  Parece mensagem subliminar para a oposição: não condenem meus pecados da mesma forma que não condeno os seus.

Até quando os homens que governam este país, seja no executivo, seja no legislativo, seja no judiciário continuarão a debochar da paciência e da passividade do povo brasileiro? Até quando empresários gananciosos e corruptos irão participar deste botim imaginando que o crime de quem corrompe é menor do que o crime de quem é corrompido?

Todos são culpados.

A primeira culpa vem do setor privado. Do setor privado? Sim, do setor privado. De nada adianta as empresas sérias desenvolverem regras de Governança Corporativa, de ética empresarial, se não reagem contra empresários, dirigentes e administradores das empresas que se lançam na corrupção. Um empresário ou empresa que se entrega a corromper como forma de competir e ganhar mercado, é antes de tudo um mercenário, um bandido que deve ser excluído dos órgãos de classe em que atua, e sua empresa deve receber um rating negativo dado pelo setor privado de modo que nenhum governo sério queira desenvolver negócios com ela. O que os órgãos de classe irão fazer com a empresas do Sr. Paulo Otavio e de todas envolvidas neste escândalo? Culpo o setor privado por sua passividade e por ver grandes empresários honestos do país, como os Gerdau, os Diniz, os Setúbal, os Ermírios sem reação acreditando que isto não os afeta. E como afeta! Reajam empresários, antes que o povo o faça. Se o povo reagir a politicalha irá usá-los como bodes expiatórios.

O segundo culpado é o Judiciário. Lento, preguiçoso, em todos os níveis, burocrático, dando mais valor a formalidade que aplicação da lei. O judiciário brasileiro se transformou no palco ideal dos litigantes sem razão. Não pode mais vigorar o refrão a justiça tarda mais não falha. No século 21, no século da informática, justiça que tarda já falhou. Os membros da cúpula do judiciário estão mais dedicados a construir carreira, a elaborar curriculum de saber jurídico que em distribuir justiça. Ainda no mês de novembro o Supremo Tribunal Federal em decisão inacreditável, eliminou o principio de que decisão judicial não se discute, se cumpre, para decisão judicial não se cumpre, se interpreta. Outro dia num coquetel um empresário que teve terras invadidas pelo MST ao relatar sua angustia ouviu de um juiz de alto cargo no judiciário: Se você não tivesse terras, não teria este problema. Como diria Boris Casoy: Que vergonha! Sabemos que existem exceções. Mas são tão raras que não conseguimos identificar nomes para citação. Hoje, os homens do Judiciário brasileiro mergulharam e habitam um poço profundo repleto de Excelências, de Meritíssimos e de vetustas vaidades pessoais.

Os terceiros culpados são o legislativo e o executivo. A corrupção fundiu estes dois poderes em um só. Não existe mais separação entre eles. Não existe a independência do legislativo pela qual lutou no passado aqueles que contestaram a ditadura militar. Antes o legislativo era submetido ao poder das baionetas do executivo. Agora esta submetido ao poder da corrupção, sendo o executivo o corruptor e o legislativo o corrompido. Elaboração de leis, aprovação de projetos, liberação de verbas, construção de usinas tudo é tabelado e comercializado em milhões de dinheiro vivo. E tudo é apresentado como verba de campanha, apontando a democracia como culpada da desgraça. No executivo devemos excluir do lamaçal o íntegro vice-presidente Jose de Alencar. Desgraçadamente, com tantos para atacar, a doença foi escolher logo o melhor.  No legislativo, depois que a viúva do senador Jéferson Perez apossou-se de verba de viagens do defunto marido temos receio para identificar qualquer exceção, embora elas existam.

Lula_Foto_OficialDesde que o atual presidente assumiu o poder, por seus méritos e de sua equipe econômica, a economia do país só fez melhorar. Mas desde que permanece no poder, por seus defeitos, por sua arrogância rústica e de sua equipe política, que o assessorou e que o assessora, o país tornou-se palco de corrupção permanentemente. Mudam-se os atores mas a peça é a mesma. E assim será até que o futuro elimine esta geração que está no poder e que nos dá nojo.

* * *
(artigo publicado em 10/12/2009 no DCI – Diário do Comércio e Indústria)

17 de December de 2009 | 3 Comentários

Brasil na Copa do Mundo – Tabela e Números

Terminado o sorteio para a Copa do Mundo 2010, na África do Sul! Embora tenha pego uma pedreira (Portugal), o Brasil não pode reclamar muito, pois tem dois “quase novatos” na competição em seu grupo: Costa do Marfim e Coréia do Norte só disputaram uma Copa até hoje.

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O primeiro jogo do Brasil será contra a Coréia do Norte (aquela do ditador maluco que quer jogar bombas nucleares no Japão e nos EUA). A partida será em Johanesburgo no dia 15/06/2010, uma terça-feira. Ou seja: vai virar feriado!!

O segundo jogo será em um domingo, 20/06/10, na mesma cidade (porém num estádio diferente) contra a Costa do Marfim.

E no dia 25 de junho, uma sexta-feira (feriadããão?) a partida será contra Portugal na cidade de Durban.

No site especial da Copa feito pelo O Globo você pode ver as datas e horários de todos os jogos.

Acompanhe no quadro abaixo as estatísticas do nosso grupo:

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O Brasil participou de todas as 18 Copas do Mundo até agora (o único país que conseguiu isto), jogou 92 partidas, ganhando 64 delas. Foram 14 empates e 14 derrotas. Marcou 201 gols e sofreu 85. Conquistou o título 5 vezes (o título de “campeão moral” de 1978 não conta) e está em 2° no ranking da FIFA.

A Coréia do Norte participou só de uma Copa e jogou 4 partidas, ganhando uma, empatando outra e perdendo as outras duas. Fez 5 gols e tomou 9. Está em 84° lugar no ranking da FIFA.

A Costa do Marfim também só participou de uma Copa do Mundo, fazendo 3 jogos, em que ganhou 1 e foi derrotada em 2. Marcou 5 gols e sofrou 6. Está em 16° no ranking.

Portugal já participou de 4 Copas, disputando 19 partidas. Ganhou 11 delas, empatou só uma vez, mas perdeu 7 vezes. Tem 32 gols pró e 22 contra. Está em 5° lugar no ranking atual.

Bem, pra completar o post, aqui vão os grupos sorteados, de acordo com tabela do site da FIFA:

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Uma curiosidade: no meio do sorteio eu disse aqui que a gente ia pegar Portugal. Eles reuniram Inglaterra com sua ex-colônia EUA e a Espanha com as ex-colônias Honduras e Chile. Claro que iriámos ficar com nossa antiga metróple colonial!

4 de December de 2009 | 4 Comentários

Eu vi: Parada Disney

O Rio de Janeiro foi palco neste domingo, 29/11/09, da Parada Momentos Mágicos Disney. Esse mesmo desfile se repetirá em Vila Velha (dia 06/12) e São Paulo (20/12). É a primeira vez que um evento desses acontece na América Latina e o NewsErrado – juntamente com mais 350 mil pessoas – estava lá.

Organização

Eu estou acostumado a assistir diversos eventos na Avenida Atlântica e achei que a estrutura desse foi uma das melhores que já vi: além dos tradicionais banheiros químicos, postos médicos, torres de som e da polícia, esse contou com áreas reservadas à deficientes físicos, bem localizadas. Essa iniciativa é muito positiva e espero que se repita em desfiles futuros, sejam da Disney ou não.

A linha de cavaletes de metal que fazem o isolamento da pista era dupla (em um dos lados da avenida aproveitando a própria ciclovia). Isso evita invasões (já imaginou uma criancinha de 3 anos se soltando da mãe e correndo pra baixo de um carro alegórico?) e cria dois corredores onde circulam com facilidade organizadores, seguranças, pequenos veículos de serviço, etc.

Outra coisa que chamou a atenção é a quantidade de pessoas trabalhando na organização, todas usando uma camisa numerada individualmente. Ou seja, se alguém fizesse qualquer coisa inadequada, como um segurança truculento, por exemplo, daria pra identificar exatamente quem foi.
Leia um pouco mais sobre a organização na página da prefeitura sobre a Parada.

Problemas

Apesar dessa organização toda, alguns problemas ocorreram. O mais incômodo foi o atraso no início. Parece que aqui é difícil começar algo na hora: a Parada Ilumidada  de Natal também sempre atrasou. Espero que algum dia não atrasem o reveillon!

A publicidade também anunciava que a Fada Sininho (Tinkerbell é o escambau) e o Buzz Lightyear iriam voar, mas isso não ocorreu. Parece que os cabos deram defeito. Vi também o Tigrão, da turma do Ursinho Puff (Pooh é o escambau) descer do seu carro alegórico e ir dançando alegremente até o posto de saúde, onde provavelmente deve ter desmaiado. Algum tempo depois ele saiu de lá, (ou outra pessoa vestindo sua fantasia) pegou carona num carrinho da produção e alcançou o carro alegórico.

Outro momento interessante foi quando um pequeno grupo de organizadores tentava mover uma placa de trânsito, daquelas que ficam no alto de um poste, para que os carros alegóricos não batessem nela. Abriram uma escada, subiram e tentaram alcançar o alto do poste, mas não chegaram nem perto da placa. Aí desceram e levantaram a escada, sobrepondo um lado ao outro, como os bombeiros fazem. O problema é que não tinha uma boa sustentação, quem seria  louco de subir lá? Aí eles tiveram uma idéia brilhante: engancharam o topo da escada no poste e giraram ele, deixando-o paralelo à calçada e liberando a pista. Esse pessoal – por seu esforço e inteligência – acabou sendo mais aplaudido do que o Mickey!

Desfile

A parada começou com a banda dos fuzileiros. Eles não faltam uma parada! Normalmente eles abrem desfiles e ajudam a animar o público, com suas roupas chamativas, marcha e música cadenciadas.

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Muitos carros antigos levando personagens ou atores se intercalaram com os carros alegóricos. No primeiro deles, o Pato Donald e o Zé Carioca acenavam pra criançada.

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Cada carro alegórico, ou “float” em inglês, era acompanhado de um grupo fantasiado dançando ou fazendo movimentos coreografados, como na luta dos piratas contra o Peter Pan.

A Parada prosseguiu com o carro da Bela e a Fera e depois o da Pequena Sereia. Este soltava bolhas de sabão, simulando as bolhas de ar que se vê no fundo do mar.

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Passaram a seguir o carro da Sininho e as fadinhas, do Ursinho Puff, uma ala de personagens diversos, como Aladin e Pinóquio, o Castelo da Cinderela, com as princesas Disney e seus príncipes, e para encerrar, a casa do Mickey, com a presença do próprio Mickey Mouse, a Minnie, o Pateta, o Pluto e os esquilos Tico e Teco.

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Críticas Furadas

Procurando videos no You-Tube, achei um recheado de críticas à Parada. Curioso, eu assisti, mas acredito que deveria ser um video com motivação política em vez de simples e inocentes críticas. Ainda assim, algumas pessoas – provavelmente moradores de Copacabana – estavam ali dando seus depoimentos reais e portanto é interessante analisar as críticas feitas.

Foi dito que o desfile parecia mais da Nestlé do que da Disney. Isso só pode ser piada. É claro que a Nestlé apareceu no desfile e no material promocional, afinal ela patrocinou o evento. Mas 99,9% do que se viu foi Disney: música, personagens e carros.

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Outra crítica seria ao fato da travessia da Avenida Atlântica ser proibida enquanto a Parada estivesse passando. O “direito constitucional” das pessoas de ir à praia estaria sendo violado. Infelizmente, eu acredito que exista muita gente que ainda pense assim, o que é um absurdo. O evento foi noticiado e a estrutura não foi montada da noite pro dia. Quem queria ir à praia poderia se programar melhor, afinal qualquer um podia atravessar ANTES ou DEPOIS do desfile passar. Além disso, a orla é grande e os carros dos desfiles são lentos. Era possível atravessar em um ponto em que a Parada não tivesse chegado ainda ou já tivesse passado. Essa crítica é altamente individualista e parece vir de quem não tem criança, não teve infância e provavelmente deve poder ir à Disney a hora que quiser. Se formos pelo mesmo raciocínio, deveríamos ser contra o fechamento das pistas para lazer, afinal isso impede o “direito constitucional” da pessoa de ir e vir com seu carro em uma via pública.

Bem, mas julguem vocês mesmos. Deixo aqui o link pro video com essas queixas  ridículas.

Conclusão

O desfile foi bonito, animado e penso que a agradou à maior parte do público que foi até a orla assistir.

Ao contrário da Parada Iluminada, que é noturna, focada no tema natalino e encanta adultos e crianças com sua beleza, essa é diurna e voltada mesmo às crianças, tendo como foco os personagens e filmes da Disney (essas diferenças é que me fazem querer a realização das duas paradas em vez de uma simples troca de uma pela outra).

A Parada Disney é um ótimo passeio para os pais levarem seus filhos, sejam bebês ou mesmo pré-adolescentes. Acredito que  os carros dos Piratas do Caribe e High School Musical não foram suficientes para atrair os adolescentes. Mas esses em geral não querem saber de Disney, “é mico, coisa de criança” mesmo.

Além de trazer alegria aos pequeninos e emoção aos seus pais, a Parada também serve pra mostrar para o brasileiro que nunca teve oportunidade de ir à Orlando ou Los Angeles um pouco do que é a Disney: a coreografia dos dançarinos, a perfeição dos figurinos e o capricho nos carros, por exemplo. Alguém pode dizer que o desfile original é muito mais grandioso, mas isso é óbvio. Quando uma escola de samba faz apresentações no exterior dá uma pequena mostra do que é o nosso carnaval, mas não se compara ao evento completo.

Aliás, o propósito da Parada é exatamente esse: dar um gostinho da magia Disney, para incentivar a venda de pacotes turísticos, de DVDs, de revistinhas e outras parafernálias licenciadas. Uma idéia boa, pelo ponto de vista do marketing e do público, que independente de comprar qualquer coisa foi presenteado com uma belo show na manhã de domingo. Bonito e de graça (e sem tumulto)!

Resumindo, se a Parada chegar até a sua cidade: vá, veja e viaje – nem que seja na imaginação!

2 de December de 2009 | Deixe um Comentário

Segurança Nacional e o Apagão

commandosPerguntinha rápida: por que investir milhões ou bilhões de dólares modernizando nossas Forças Armadas, comprando aviões de caça, submarinos e tanques de guerra se a derrubada de uma simples torre de transmissão de energia – coisa fácil de se conseguir com um mero grupo de comandos infiltrados em nosso território – é capaz de paralisar o país, deixando quase o Brasil inteiro às escuras por horas?

torre de energiaSerá que não passou da hora de se investir não só na produção de energia, mas também na sua transmissão, dando fim a esse antigo inimigo, o Efeito Dominó? Mesmo estados que produzem energia sofreram bastante com o apagão.

Não sou especialista em segurança estratégica ou em energia elétrica, por isso posso estar falando besteira, mas parece óbvio que alguma coisa no modelo atual está muito errado. Principalmente porque não é a primeira vez que o mesmo tipo de problema ocorre. Vão esperar que um apagão ocorra no meio das Olimpíadas ou da Copa do Mundo pra repensar o modelo atual? Ou vão dar uma de Hugo Chavez e dizer que a culpa foi das donas de casa que insistem em usar o banheiro de noite, sobrecarregando o sistema?

11 de November de 2009 | Deixe um Comentário

A Volta da Exuberância Irracional

Em 1996, preocupado com a excessiva valorização das ações do setor chamado “ponto com” e dos demais ativos da bolsa de Nova York que registravam valorização anual superior a 20%, tendo superado a 6.000 pontos, Alan Greenspan, então chairman do Federal Reserve (o Banco Central Americano) cunhou a expressão exuberância irracional para chamar a atenção para a elevada valorização desses ativos.

Após a queda da bolsa no ano seguinte, conhecida como explosão da bolha do setor de informática, o prestígio de guru financeiro mundial de Greenspan cresceu, e esta expressão foi incorporada ao dicionário dos economistas para registrar preocupação com a elevação rápida de cotações das ações nas bolsas mundiais resultantes mais de especulações que de fundamentos econômicos.

Decepcionados com as perdas realizadas nos ativos virtuais “ponto com”, investidores, especuladores e dirigentes gananciosos de instituições financeiras internacionais se voltaram para os investimentos reais do mercado imobiliário, para a especulação com moedas e para as cotações das commodites, lideradas pelo petróleo. Dez anos depois produziram o tsunami financeiro mundial conhecido como a catástrofe das hipotecas americanas, que atingiu o clímax em 2008 quando o crédito e a credibilidade dos bancos internacionais desapareceram do mercado.

O maremoto financeiro atingiu nossas praias econômicas no final de 2008 surpreendendo nossa economia em crescimento de 6% a.a. reduzindo para apenas 1,5% o crescimento do quarto trimestre. O índice Bovespa que encerrara 2007 registrando 63.881 pontos, em dezembro de 2008 era de apenas 37.550.  Uma queda de 70%. Em 2009, após todo o esforço público e privado, o PIB estimado oscila entre 1% e 1,5%. Infelizmente não foi uma marolinha.

Governos de todos os países tiveram que injetar bilhões de dólares de seus contribuintes para salvar instituições agonizantes e reduzir os efeitos da recessão mundial. O Banco Central Brasileiro também fez o mesmo ,não para salvar bancos, mas para afastar a recessão.  O mundo econômico recebeu 2009 debaixo de pânico.

Entretanto, a  crise encontrou o Brasil em posição diferenciada em relação às economias dos demais países. A  dívida externa menor e sob controle, reservas elevadas e o saldo da balança comercial favorável.  Por isso, a crise mundial trouxe menos danos ao país que as crises econômicas localizadas da década de 90 que ficaram conhecidas como crise do México, crise da Rússia, etc. A analise da situação econômica brasileira saiu dos cuidados do FMI, a quem havia sido pago antecipadamente nossa dívida, e passou para as mãos das agências internacionais de classificação de risco que nos atribuíram o grau de investimento seguro.

A liberação de recursos do compulsório para os bancos, a queda das taxas de juros praticada pelo Banco Central  e a redução temporária de impostos federais para a indústria automotiva e linha branca foram ferramentas essenciais para alavancar a economia. E passado o primeiro trimestre de 2009 o mundo se voltou para o Brasil como porto preferencial para investimento.

Esta credibilidade eufórica resultou na entrada de recursos externos para a Bovespa, insignificantes para o caixa dos investidores externos, mas abundantes para o tamanho de nossa economia e de nosso mercado de capitais.  Os índices e as cotações das ações na Bovespa explodiram. A título de exemplo, registramos a seguir a variação do índice Bovespa, das cotações de três ações essenciais para nosso mercado e a entrada de recursos externo na bolsa.

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Os números demonstram que embora se tratem de empresas internacionais de excelente qualidade, a evolução das cotações está  mais vinculada à entrada de recursos externos no mercado que aos resultados econômicos das companhias. Se isto ocorre com empresas de rentabilidade diferenciada podemos concluir que o mesmo está ocorrendo com todas as cotações do mercado. Não há fundamento econômico sólido, não há expectativa de lucro suficiente para sustentar e remunerar no futuro próximo os preços que estão sendo praticados. A melhor justificativa está no volume dos dólares que estão sendo aplicados na bolsa de valores demonstrado no quadro anterior e cuja permanência é tão volátil quanto as cotações.

Se você conversar com qualquer profissional de mercado, analista, investidor ou especulador,  sairá com sentimento de que todos estão na expectativa de uma realização de lucros, que é mais um eufemismo para queda nas cotações. Bolha, credibilidade eufórica, realização de lucros, tsunami ou qualquer adjetivo que se pretenda usar,  o que se pode concluir é que a exuberância irracional de Greenspan está de volta. Os preços não deverão voltar aos valores da queda de 2007, mas quanto maior for a exuberância, mais penoso será o despertar.

PS: Este texto foi escrito em 18/10/09, antes da taxação da entrada do dólar e da subsequente queda da Bolsa de 20/10.

20 de October de 2009 | Deixe um Comentário

Notícias Comentadas: Cabine da PM é assaltada

“O assalto ocorreu por volta das 23h30m. O cabo PM, que não teve o nome divulgado, foi rendido quando saía da cabine, que fica em frente ao Botafogo Praia Shopping. Um dos ladrões colocou a arma na cabeça do policial, enquanto o outro roubou a pistola. O terceiro assaltante ficou dentro do carro. Após o crime, que durou poucos minutos, segundo testemunhas, os bandidos fugiram em um Peugeot preto em direção à Zona Sul.

Momentos antes do assalto à cabine, um policial civil teve o carro roubado por dois bandidos em uma motocicleta, na Rua Ministro Raul Fernandes, também em Botafogo. A polícia investiga a hipótese de uma ligação entre os crimes.”

Fonte: Jornal Globo On Line

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O que essa notícia nos diz, além do óbvio aumento da violência e do abuso dos marginais? Ela deixa claro como é furada a teoria de quem é contra o desarmamento. Essas pessoas alegam sempre que sem uma arma não poderiam se defender dos bandidos, que não aderem às campanhas de desarmamento. Bem,  eu pergunto: Como a posse de uma pistola ou revólver protegeu esses policiais de um assalto? Eles tiveram sorte de não serem assassinados. Se tentassem alguma reação, com certeza não teriam escapado com vida.

Arma nas mãos da população não serve pra matar marginal e sim para armá-los ainda mais. Ou para causar mortes estúpidas em brigas conjugais e de trânsito, acidentes fatais com crianças e outras tragédias similares.

A quantidade de mortes causadas por armas nas mãos da população civil supera em muito a quantidade de bandidos que elas conseguiram parar.

Engraçado que essa sempre foi a opinião da maioria dos brasileiros. No entanto, no confuso plebiscito sobre o desarmamento (lembram disso?),o povo acabou votando em favor das armas. Mesmo não possuindo uma arma pessoalmente e tendo sido a vida toda contra elas. O lobby das armas foi muito bem articulado, politizando o debate e redigindo a própria pergunta do plebisicito de maneira propositalmente confusa.

Esse episódio me ensinou outra lição: que a democracia é tão eficiente e justa quanto permitido por uma boa campanha de marketing, capaz de influenciar eleitores e manipular votos. Mas aí já é outra polêmica, pra outro pôr do sol!

13 de October de 2009 | 1 Comentário
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