Mensalidade escolar a partir de 1 dólar

Sabia que na Índia é possível matricular o filho em uma escola e pagar apenas $1 por mês? É, mas não vai imaginando que é fácil não, algumas salas de aula não tem a infraestrutura ideal, os professores não são lá “mestres” do ensino, e os diplomas conseguidos, não valem para o “MEC” de lá. Ainda assim, tem indiano que paga (pouco que seja), pros filhos estudarem dessa maneira. Achei nobre a atitude dos pais em tentar dar aos filhos um pouco de educação que ainda podem pagar.

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E é de admirar ainda os testes que o Especialista em educação da Newcastle University, na Inglaterra, o professor James Tooley realizou na cidade de Nova Délhi, onde os estudantes da rede privada acertaram mais de 40% das questões de matemática, ante a média de 24,5% dos estudantes que frequentam as escolas do governo.

Entenda todo o porque lendo a reportagem completa no Blog clicSolidariedade, do clicRBS.

4 de November de 2009 | 1 Comentário

A Volta da Exuberância Irracional

Em 1996, preocupado com a excessiva valorização das ações do setor chamado “ponto com” e dos demais ativos da bolsa de Nova York que registravam valorização anual superior a 20%, tendo superado a 6.000 pontos, Alan Greenspan, então chairman do Federal Reserve (o Banco Central Americano) cunhou a expressão exuberância irracional para chamar a atenção para a elevada valorização desses ativos.

Após a queda da bolsa no ano seguinte, conhecida como explosão da bolha do setor de informática, o prestígio de guru financeiro mundial de Greenspan cresceu, e esta expressão foi incorporada ao dicionário dos economistas para registrar preocupação com a elevação rápida de cotações das ações nas bolsas mundiais resultantes mais de especulações que de fundamentos econômicos.

Decepcionados com as perdas realizadas nos ativos virtuais “ponto com”, investidores, especuladores e dirigentes gananciosos de instituições financeiras internacionais se voltaram para os investimentos reais do mercado imobiliário, para a especulação com moedas e para as cotações das commodites, lideradas pelo petróleo. Dez anos depois produziram o tsunami financeiro mundial conhecido como a catástrofe das hipotecas americanas, que atingiu o clímax em 2008 quando o crédito e a credibilidade dos bancos internacionais desapareceram do mercado.

O maremoto financeiro atingiu nossas praias econômicas no final de 2008 surpreendendo nossa economia em crescimento de 6% a.a. reduzindo para apenas 1,5% o crescimento do quarto trimestre. O índice Bovespa que encerrara 2007 registrando 63.881 pontos, em dezembro de 2008 era de apenas 37.550.  Uma queda de 70%. Em 2009, após todo o esforço público e privado, o PIB estimado oscila entre 1% e 1,5%. Infelizmente não foi uma marolinha.

Governos de todos os países tiveram que injetar bilhões de dólares de seus contribuintes para salvar instituições agonizantes e reduzir os efeitos da recessão mundial. O Banco Central Brasileiro também fez o mesmo ,não para salvar bancos, mas para afastar a recessão.  O mundo econômico recebeu 2009 debaixo de pânico.

Entretanto, a  crise encontrou o Brasil em posição diferenciada em relação às economias dos demais países. A  dívida externa menor e sob controle, reservas elevadas e o saldo da balança comercial favorável.  Por isso, a crise mundial trouxe menos danos ao país que as crises econômicas localizadas da década de 90 que ficaram conhecidas como crise do México, crise da Rússia, etc. A analise da situação econômica brasileira saiu dos cuidados do FMI, a quem havia sido pago antecipadamente nossa dívida, e passou para as mãos das agências internacionais de classificação de risco que nos atribuíram o grau de investimento seguro.

A liberação de recursos do compulsório para os bancos, a queda das taxas de juros praticada pelo Banco Central  e a redução temporária de impostos federais para a indústria automotiva e linha branca foram ferramentas essenciais para alavancar a economia. E passado o primeiro trimestre de 2009 o mundo se voltou para o Brasil como porto preferencial para investimento.

Esta credibilidade eufórica resultou na entrada de recursos externos para a Bovespa, insignificantes para o caixa dos investidores externos, mas abundantes para o tamanho de nossa economia e de nosso mercado de capitais.  Os índices e as cotações das ações na Bovespa explodiram. A título de exemplo, registramos a seguir a variação do índice Bovespa, das cotações de três ações essenciais para nosso mercado e a entrada de recursos externo na bolsa.

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Os números demonstram que embora se tratem de empresas internacionais de excelente qualidade, a evolução das cotações está  mais vinculada à entrada de recursos externos no mercado que aos resultados econômicos das companhias. Se isto ocorre com empresas de rentabilidade diferenciada podemos concluir que o mesmo está ocorrendo com todas as cotações do mercado. Não há fundamento econômico sólido, não há expectativa de lucro suficiente para sustentar e remunerar no futuro próximo os preços que estão sendo praticados. A melhor justificativa está no volume dos dólares que estão sendo aplicados na bolsa de valores demonstrado no quadro anterior e cuja permanência é tão volátil quanto as cotações.

Se você conversar com qualquer profissional de mercado, analista, investidor ou especulador,  sairá com sentimento de que todos estão na expectativa de uma realização de lucros, que é mais um eufemismo para queda nas cotações. Bolha, credibilidade eufórica, realização de lucros, tsunami ou qualquer adjetivo que se pretenda usar,  o que se pode concluir é que a exuberância irracional de Greenspan está de volta. Os preços não deverão voltar aos valores da queda de 2007, mas quanto maior for a exuberância, mais penoso será o despertar.

PS: Este texto foi escrito em 18/10/09, antes da taxação da entrada do dólar e da subsequente queda da Bolsa de 20/10.

20 de October de 2009 | Deixe um Comentário

Vamos Privatizar a Dívida Pública?

JustiçaA dívida pública que nos interessa é aquela que transita pelo poder judiciário. Milhares de ações transcorrem hoje na justiça em que o Estado é réu condenado por desapropriações não pagas, por indenizações trabalhistas individuais ou coletivas não atendidas ou por contratos não cumpridos. Para não desembolsar o pagamento devido governantes, através de recursos protelatórios, adiam indefinidamente o cumprimento das decisões judiciárias.  Praticam as mais indecentes chicanas processuais, buscando transferir a obrigação para os governos seguintes.

Os governos substitutos procedem da mesma forma, atulhando o judiciário e prejudicando os legítimos interesses de credores espoliados. Depois de longos anos de luta jurídica os processos chegam ao fim com a dívida inicial multiplicada várias vezes em decorrência de juros, honorários e penalidades por litigância de má fé. São os famosos precatórios. Esta dívida do poder público federal, estadual e municipal chega a bilhões de reais.

Os credores envelhecem, tornam-se milionários virtuais e miseráveis reais, sem recursos para pagamento dos processos enquanto os escritórios jurídicos e os intermediários de soluções esdrúxulas se tornam sócios majoritários de uma dívida com o dia de pagamento cada vez mais distante e a morte cada vez mais perto. Mesmo com ordem judicial para pagar sob pena de intervenção federal os governantes a desprezam, cometendo dois delitos: o de mau pagador e de desrespeito pela justiça contribuindo para o descrédito do judiciário perante a população. O Estado de São Paulo, o mais rico da federação, lidera a lista do deboche não pagando nem juros nem amortização desde 1999, isto é, há 10 anos.

É possível privatizar esta dívida pública?

É possível os governos limparem esta mancha de maus pagadores sem gastar um centavo do erário? Haverá no mercado investidores tresloucados capazes de comprar esta dívida que terá como beneficiados credores descrentes e, sobretudo os políticos que encontrarem e aplicarem a solução para o problema?

Sim. É possível privatizar esta dívida pública e certamente esta é uma espécie de privatização que até o PT lutaria por ela, pois beneficiara milhares de brasileiros credores de precatórios trabalhistas, depositaria milhões de votos nas urnas e elegeria muitos políticos.

O Estado brasileiro, nos três níveis de administração (federal, estadual é municipal) é ao mesmo tempo o maior devedor e o maior credor do setor privado.

Falamos da dívida. Vamos apresentar agora os créditos.

O governo federal luta na justiça para receber dívidas fiscais de impostos federais, de contribuições devidas ao INSS, penalidades aplicadas por órgãos fiscalizadores Receita Federal, CADE, CVM, Ibama, etc. Muitas vezes estas dívidas são renegociadas com o setor privado em diversos tipos e modalidades de REFIS, nunca pagos, permanentemente renegociados e sempre protelados. Os governos estaduais são também credores de altos valores decorrente de ICMS, a principal renda dos estados. E as prefeituras são credoras dos tributos municipais como IPTU e ISS. Estes créditos somam bilhões de reais.

Os devedores privados pessoas físicas e jurídicas, principalmente por falta de recursos, tratam o Estado da mesma forma como ele trata seus credores privados. Através de longas demandas jurídicas, usando os mesmos processos aplicados pelo Estado adiam, protelam e não pagam.

“Menos com Menos dá Mais”

O poder público e a iniciativa privada estão diante de um dilema em cuja solução cabe a aplicação do principio matemático em que menos com menos resulta mais.  Muitos devedores estarão dispostos a pagar e até mesmo a liquidar a dívida com o Estado se lhes fosse dado um desconto que reduzisse a dívida a proporção de sua capacidade financeira. Muitas empresas em estado falimentar e sem comprador devido ao seu passivo fiscal poderão ser negociadas. Por outro lado, os credores dos precatórios estão dispostos a dar bons descontos que permita receber seu crédito à vista enquanto ainda estão vivos.

Há, portanto, condições de se criar um programa de Privatização da Dívida Pública através do qual o Estado aceite em pagamento de seus créditos junto ao setor privado valores da sua dívida adquirida no mercado pelos devedores.

Embora fácil de entender o grande benefício desta proposta, sua implantação exige o cumprimento de regras legais, de segurança de administração do processo que envolverá instituições públicas e privadas.  Será a repetição do programa de privatização realizado com sucesso na década de 90.

Como funcionaria a Privatização da Dívida?

O programa pode ser assim resumido: O BNDES, o CETIP e a Bolsa de Valores – pela participação e contribuição que tiveram na privatização – serão os atores do projeto. Ao BNDES caberá estabelecer e coordenar as regras básicas do programa, definindo quais dívidas do poder público serão aceitas como moeda para pagamento dos créditos do Estado (INSS, Refis, etc.). A fim de estimular a compra preferencial das dívidas conhecidas como precatórios alimentares, seria estabelecido que os créditos do Estado pagos com esta dívida sofrerão um desconto ou deságio em favor do pagador.

bovespaA dívida do Estado aceita como pagamento seria controlada pelo CETIP, que já realizou esta função no programa de privatização. Uma vez custodiada no CETIP, os certificados seriam leiloados em Bolsa pelos credores ao preço de mercado com pagamento à vista. Credores que desejassem receber mais rapidamente poderão dar desconto ou deságio em favor do comprador. O mercado rapidamente estabelecerá o valor real de cada crédito.

Os compradores desses títulos de dívida pública seriam os devedores do Estado ou investidores que desejassem adquirir empresas com elevado endividamento fiscal. Ao tornar-se credor e devedor do Estado simultaneamente, o arrematante do crédito apresentará o certificado ao Estado,  que dará baixa tanto em sua dívida quanto em seu crédito junto ao setor privado.

Como dissemos antes, embora muito simples, esta proposta exige regras pré-estabelecidas bastante claras, controle detalhado das operações e experiência dos profissionais para executar o programa. Onde estão agora os profissionais do BNDES que coordenaram o programa de privatização?  Material humano o Governo Federal já possui. Em 2010 haverá eleições presidenciais. Aí está um bom projeto para os candidatos.

20 de August de 2009 | 1 Comentário

13 de Agosto: Dia do Economista

No dia 13 de agosto é comemorado o Dia do Economista. Escrevi alguma coisa sobre isso no ano passado e em junho deste ano.

Desta vez, achei legal homenagear esse injustiçado profissional com uma galeria temática de artes do DeviantArt. Não foi fácil achar boas imagens, porque notei que quando se fala em “Economia” a maior parte das pessoas associam apenas com crise econômica, desigualdades sociais e protestos políticos. Ainda assim, garipando, consegui estas imagens interessantes.

Se você é economista como eu, essas criações são para você. Parabéns!

The_Economist_by_CameronCN Economics Stamp by firheruwen

FIRST___Economia_by_jul0022

The_Economy_Fairy_by_PsychoKitti12

Leia amis …

13 de August de 2009 | 1 Comentário

A Taxa Selic pode ser 6% ao ano

Em 27 de fevereiro de 2008, escrevi um artigo em minha coluna no jornal DCI com o título “A taxa Selic pode ser 8,25% ao ano. Na época a taxa estava em 12,75% e o Banco Central, sob pretexto de conter a demanda para evitar a inflação, administrava mais um ciclo de aumento periódico da taxa Selic.

E-mails chegaram a minha caixa eletrônica criticando o percentual do artigo, não os argumentos nele apresentados. Parece ser característica de alguns economistas e analistas econômicos que vivem dando palpites diários sobre o porquê a bolsa subiu, o porquê o dólar caiu, opiniões rápidas que não interessam nem aos profissionais de investimento e menos ainda ao publico alheio à economia. Como diria o esclarecido Delfim Netto, se preocupam com bobagens passageiras e não se aprofundam na análise dos eventos passados e atuais que construirão a realidade futura.

Na semana passada, o Copom reduziu a taxa para 8,75% e não fico nem um pouco satisfeito em ver a previsão acontecer. Demorou muito e a nação pagou juros desnecessários pela lenta mobilidade da autoridade monetária. “Ah, mas o Banco Central precisa ser conservador”. Não, não precisa ser nem conservador, nem audacioso, precisa ser competente. O Dr. Meirelles está condenado a ser o Alan Greenspan de amanhã (vide post anterior Greenspan e Meirelles).

Crise Mundial

Na verdade, o Banco Central somente baixou aceleradamente a taxa Selic como resultado da crise econômica mundial e seu impacto interno. Da mesma forma, o Governo Federal reduziu os impostos do setor automotivo e da linha branca preocupado com queda na produção e o desemprego. Os impostos foram reduzidos de forma provisória, informa o Governo. Pois ele irá colher frutos provisórios e passageiros. De qualquer forma, a crise econômica mundial resultou, ainda que temporariamente, em grandes benefícios para o Brasil. Queda de juros e redução de tributos, no Brasil! Quem poderia imaginar. Bendita crise mundial. Você leitor, já ouviu alguém escrever isto. Pois repito: Para o Brasil, bendita crise mundial.

A taxa Selic e os impostos caíram e a economia respondeu positivamente. São os fundamentos de nossa economia – e não a crise mundial – que garantem esta atitude do Governo. Os fundamentos são a baixa inflação, o aumento de renda da população, a produtividade industrial, a liberdade no fluxo do comércio internacional. Não é a crise econômica mundial. Se fosse a crise econômica, nossa vizinha Argentina também poderia se beneficiar dela. Como os Kirchners adotaram o populismo do calote internacional e a punição dos produtores como política, a crise econômica só serviu para agravar tanto a economia daquele pais como a impopularidade dos demagogos.

Mas não devemos festejar os bons ventos que vivemos por muito tempo, pois o Banco Central avisa que irá parar com a queda da taxa Selic. Que argumentos usa para adotar esta posição?

Selic: Reduzir ou Aumentar?

O Banco Central informa que se baixar mais a taxa Selic terá que mexer na remuneração da poupança para não concorrer com a rentabilidade dos fundos de investimentos e da captação dos bancos. Desde quando a taxa Selic passou a ser instrumento de remuneração para competir com a poupança ou garantir rentabilidade para produtos financeiros bancários?! A taxa Selic deve ser usada como um dos instrumentos para controlar inflação.

E porque mexer na rentabilidade da poupança? A única medida financeira aplicável será retirar a remuneração da TR com o objetivo de desindexar os ativos financeiros, o que nossa situação econômica permite deste 2007.  A rentabilidade da poupança pode ser de 6% ao ano e será totalmente compatível com uma taxa Selic inferior, de 5 ou 4% ao ano. Os bancos que gozam de elevados spreads (diferença entre taxas de juros que pagam pelas aplicações dos clientes e a taxa de juros que cobram dos empréstimos) podem aumentar a remuneração de seus produtos dentro de um limite que lhes permita usufruir com segurança lucros saudáveis. Tratem de competir entre si e não de viver à custa de uma imerecida proteção financeira do Banco Central.   Não somos contra os bancos, nem contra os juros. Somos contra os juros e os serviços extorsivos e de má qualidade prestados pelos bancos aos clientes.

Neste fim de semana, o caderno econômico do Estado de São Paulo divulgou que o Banco do Brasil está reduzindo a taxa de administração de 5 fundos por ele administrado de 5,5% para 4% aa (BB, Renda Fixa LP 100). Isto é, o Banco do Brasil cobrava quase o rendimento anual da poupança para administrar dinheiro de seus clientes que é aplicado em grande parte em títulos do governo. Se o Banco do Brasil pratica estas taxas imagine os bancos privados. É por isso que não querem que a taxa Selic caia. Os bancos precisam deixar de mamar nas tetas financeiras do tesouro (antiga frase do Delfim Netto) e emprestar dinheiro para o setor privado a taxas maiores, bem maiores que a Selic. Quando assim procederem a taxa Selic não será razão de preocupação. Mas isto exige estrutura, e trabalhar é muito mais difícil que ganhar dinheiro rápido e seguro nas mesas de operações financeiras.

Dívida Pública

Argumenta-se também que se o Governo baixar muito a taxa Selic não haverá investidores para comprar títulos do tesouro e financiar a dívida pública. Quem defende esta tese ignora boas regras econômicas e desconhece a realidade da economia brasileira. Ao contrário, nossa dívida interna esta crescendo menos pela necessidade de caixa do Governo, e mais por aplicações financeiras especulativas internas e externas e mais, mas muito mais, pelas altas taxas pagas no Selic. Mesmo que os juros caiam até6% ao ano, considerando a credibilidade internacional do país, investidores preferirão receber 6% pagos em Real que 14% pagos em Bolívares Venezuelanos ou 18% pagos em Pesos Argentinos. É para isso que recebemos o chamado grau de investimento das agências de risco. Por outro lado, as reservas brasileiras em dólares estão superiores a dívida pública em dólar. Temos portando espaço e facilidade para ampliar nossa dívida externa. Como no momento as taxas de juros internacionais estão baixas e nossas taxas internas estão elevadas, se o Banco Central administrar com eficiência, a dívida pública deveria ampliar a dívida externa e reduzir a dívida interna. Se ter reservas em dólar passou a ser perigoso, ter dívidas em dólares tornou-se precioso. Por isso pagar taxas elevadas no Selic é jogar fora o dinheiro dos impostos. O dia em que o Lula fizer conta e descobrir que com a economia dos juros ele poderá ampliar a dotação de sua demagógica e bem sucedida Bolsa Família, ele vai ficar tiririca com a equipe do Copom.

Finalmente, recomenda-se que o Banco Central deve evitar baixar a Selic para não ter que elevá-la logo depois. Eis aí outra bela tolice econômica. É tolice, mas é bonita.  A cotação do dólar pode flutuar, as cotações das commodites flutuam, a Bolsa flutua, a própria taxa de juros também flutua e por que a taxa Selic não pode flutuar?! Ela deve baixar enquanto a economia suportar e precisa aumentar quando a economia exigir.

A inflação prevista para o ano é de 4,5% aa. Portanto a economia suporta uma taxa Selic de 6% durante o exercício de 2009. Que venha o crescimento econômico. “Ah, mas o crescimento econômico vai gerar inflação”. Não, não vai. Se fosse assim a inflação na China seria de 2.000% ao ano.

7 de August de 2009 | Deixe um Comentário

O Ministério da Justiça e as TVs por Assinaturas

scale_justiceNeste 3 de julho, o Ministério da Justiça do Brasil está completando 187 anos de existência. Acho que para comemorar, nada melhor do que apagar algumas velinhas de injustiça e ajudar este país a melhorar.

No dia 01/07/09, a Secretaria de Direito Econômico, subordinada ao Ministério da Justiça instaurou uma averiguação preliminar contra a Associação Brasileira das Televisões por Assinatura, a ABTA.
Consequência da polêmica cobrança de mensalidade para pontos-extras, essa averiguação não vai analisar a cobrança em si, mas o procedimento da ABTA. Ela orientou as empresas associadas a manterem uma conduta comercial uniforme (descumprir a norma da ANATEL, mantendo a cobrança e evitando instalação de novos pontos extras). Acontece que esse tipo de recomendação não é permitida, pois vai contra o princípio da livre-concorrência e da livre iniciativa.

Leia a íntegra do relatório do Departamento de Proteção e Direito Econômico aqui. É bem interessante, citando as condutas que se espera de um sindicato ou associação de classe, e quais são proibidas. Menciona inclusive que a empresa que seguir uma orientação que fere os princípos do livre mercado, também está incorrendo no crime de cartel.

Será que o MJ fará justiça e defenderá o consumidor? Espero que sim. E nada de “a justiça tarda, mas não falha”, porque uma justiça que demora já está falhando.

Fonte: Ministério da Justiça.

3 de July de 2009 | Deixe um Comentário

05 de Junho: Dia Não-Oficial do Economista

Todo profissional tem seu dia comemorativo, como o Dia do Jornalista, Dia do Advogado, etc. Para o economista escolheram o pior dia do ano, 13 de agosto. Quer dizer, o mais agourento, porque acho que seria pior se fosse em 29 de fevereiro. Desculpem-me se vocês aniversariam nesses dias, mas a verdade deve ser dita.

Enfim, descobri finalmente qual deveria ser o verdadeiro Dia do Economista, caso alguém tivesse se dado ao trabalho de fazer uma pequena pesquisa: 05 de junho! Isso mesmo, afinal, nesta data nasceram Adam Smith e John Maynard Keynes , em 1723 e 1883 respectivamente. Pena que Karl Marx é de 5 de maio, senão estaria completo. Se bem que é próximo o suficiente.

Smith e Keynes

Adam Smith é o pai da economia. Ele criou o Liberalismo e até hoje é fonte de inspiração para muitos estudiosos, vide os neo-liberais. Pessoalmente, não gosto e não concordo com grande parte de suas teorias. Mas ele escreveu muita coisa que é indiscutível, não importa qual corrente de pensamento você defenda. Eu concordo com ele, por exemplo, quando  diz que as pessoas são movidas por interesse próprio, mas que desse movimento pode advir o bem comum. Foi assim, por exemplo, que a escravidão chegou ao fim.
Sua principal obra foi A Riqueza das Nações. Leia mais na wiki em inglês ou no UOL Educação.

Keynes representa exatamente o oposto de Adam Smith. Enquanto o primeiro pregava a não intervenção do Estado, sugerindo que a mão invisível do mercado resolveria sozinha problemas como inflação e emprego, Keynes defendeu o papel regulatório do Estado, agindo especialmente de forma a evitar ou sanar crises econômicas. A escola keynesiana de pensamento ajudou o mundo a sair da crise de 1929 e com a recente crise econômica voltou novamente à moda, após um longo reinado do liberalismo. Eu sou keynesianista desde criancinha!
Sua principal obra foi a Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Leia mais na Wiki em inglês ou no UOL Educação.

Outros Economistas

Já que estamos citando grandes economistas, vale conhecer Joseph Schumpeter, que popularizou a idéia da destruição criadora ( veja biografia e idéias na wiki em inglês e UOL Educação), Celso Furtado , que enfatizou a necessidade de se promover o desenvolvimento econômico nas nações subdesenvolvidas (UOL e Wiki), John Kenneth Galbraith, keynesianista que atacava o poder excessivo das grandes corporações  (UOL e Wiki) e Milton Friedman, neo-liberal, rei do monetarismo (UOL e Wiki).

Antes de encerrar, uma dica: Um bom texto para quem quer entender a inflação está disponível na wikipédia, com as versões keynesianas e monetaristas da questão (inglês e português, sendo o texto em inglês bem mais completo).

5 de June de 2009 | Deixe um Comentário

Cenário Atual e Perspectivas Econômicas

_graphics-statistics-graph-preview3-by-dragonartO primeiro trimestre de 2009 fechou e o cenário econômico mundial está melhor do que o do quarto trimestre do ano passado. Isso não se deu por acaso: Os governos dos países afetados continuaram lançando medidas de incentivo à economia, agindo em conjunto, reunindo-se não só para resolver a atual crise, mas também para evitar que os mesmos problemas se repitam. Executivos que agiram de má-fé ou que administraram pensando apenas em seu próprio bônus, deixando em segundo plano a empresa e os clientes, estão sendo punidos. Até o governo brasileiro, que alegava que a crise não chegaria ao nosso país, tomou medidas emergenciais, reduzindo ou eliminando alguns impostos, incentivando o crédito e pressionando empresas para que não demitam. Esta atitude pró-ativa dos governos deu ânimo à maioria das pessoas e reduziu o pessimismo inicial do mercado. Durante o mês de março as principais bolsas de valores do mundo apresentaram resultados positivos. Até o dia 09 de abril, a Bovespa tinha valorizado 11,27%, elevando o ganho do ano para 22,9%.

Ainda existem preocupações, mas não se acredita que o mundo irá acabar. Certos setores da economia que demitiam ou davam férias coletivas, estão chamando os funcionários de volta. Enquanto algumas empresas ainda enfrentam dificuldades, outras estão fazendo ajustes que já eram necessários antes mesmo da crise. Outras empresas estão aproveitando o momento e as novas oportunidades para ganhar mercado.

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) reflete este momento, apresentando valorização de seu índice principal em 10,43% nestes 3 primeiros meses do ano. Um ótimo número, mesmo que insuficiente para recuperar a perda de 41,99% em 2008. O dólar, ativo que valorizou 32% ano passado, desvalorizou 0,93% no trimestre, sendo a queda do mês de março em relação à fevereiro igual a 2,7%. O IGP-M também teve uma queda de 0,92% no trimestre, ou seja, registrou pequena deflação. Esse resultado dá segurança ao governo para continuar reduzindo os juros sem precisar temer a volta da inflação.

Embora nós prefiramos deixar a adivinhação do futuro para os videntes e paranormais, os indicadores atuais são bons e é difícil não esperar melhora da economia para o segundo semestre de 2009.

13 de April de 2009 | Deixe um Comentário

Há Luz Dentro do Túnel

criseNeste primeiro trimestre de 2009 fomos bombardeados com noticias ruins da área econômica vindas de todas as partes do mundo. Não há jornal, não há rede de televisão ou página da internet que não divulgue diariamente alguma desgraça do mundo financeiro internacional. Ora são os PIBs dos países que desabam, ora são executivos malandros que pagam bônus a si mesmo por quebrarem empresas salvas pelo governo. As fotografias e filmes das passeatas de desempregados em Paris, Londres, Roma, Berlim e Detroit  se repetem. Nossa sociedade se prepara para o pior a cada dia que passa.  A crise de 1929, que tanto maltratou a humanidade, se transformou em desenho animado de fantasminha diante deste monstro que abala e apavora o mundo globalizado.

Reconheço a gravidade da crise. São visíveis seus efeitos, as dores e o sofrimento em todas as economias adiantadas e em desenvolvimento, e não poupa nem o Brasil. Mas não participo da insegurança generalizada quanto ao futuro próximo. Estou convencido que estamos no fundo do poço. Não há mais onde cair e antes que 2009 termine veremos sinais de recuperação aparecer tanto em nossa economia como na dos demais paises. Naturalmente, será o ano da recessão econômica mundial, mas enquanto as pessoas buscam enxergar luz no final do túnel eu consigo ver luzes dentro do túnel. Não é preciso utilizar nenhum conhecimento econômico sofisticado para chegar a esta conclusão.  Basta usar o bom senso e estudar o que já passou. Estas são as luzes que estão brilhando no túnel da crise e que fechamos os olhos para não ver.

  1. As maiores perdas dos conglomerados financeiros mundiais já foram identificadas. Ainda poderão aparecer mais ativos contaminados, mas serão apenas residuais diante dos valores já conhecidos;
  2. As dificuldades da indústria automobilística mundial estão contabilizadas e medidas;
  3. A crise resultante da falta de confiança que travou o crédito e a circulação monetária mundial chegou a sua contração mais profunda. Não tem mais onde reduzir. Brevemente veremos o inicio de sua distensão, isto ainda no ano de 2009. Será uma distensão demorada, lenta e gradual como dizia Geisel;
  4. A crise mundial tem o seu epicentro no setor financeiro. Mas o setor financeiro não é o único mercado existente. Existem o mercado industrial, o mercado da tecnologia da informação, o mercado agrícola, o mercado de serviços, o mercado da pesquisa cientifica, o mercado de lazer e entretenimento, etc. E estes mercados, apesar de afetados pela falta de circulação monetária, continuam saudáveis e intactos;
  5. E, finalmente, os consumidores não morreram.

fimdacriseOra, quando se conhece um problema, quando se começa a analisar e medir sua extensão e conseqüência (e hoje o problema financeiro mundial é de conhecimento tanto da área de negócios como da área política), a solução vem a seguir. Não será fácil aplicá-la como pode parecer nosso argumento, mas está sendo e será amargamente aplicada.

Na verdade, os problemas já começaram a ter solução. A crise derrubou os preços do petróleo. Mas era sensato o petróleo custar 140 dólares o barril?! Ou o minério de ferro ser reajustado 70% ao ano baseado no consumo da China?! Fazia sentido a especulação mundial nos preços de commodities, os créditos baratos e de longo prazo gerados pela abundância de liquidez na economia mundial? As operações de alto risco aprovadas por executivos gananciosos de olho não na segurança das corporações que administravam, mas nos bônus que os transformavam em pessoas bilionárias com o menor esforço possível? A crise atual fez tudo isso aparecer. A maioria destes executivos foram ou estão sendo afastados. Sob esta ótica, quais anos foram melhores: de 2004 a 2007 – os anos da especulação – ou 2008 e 2009 – os anos da purgação?

Já no inicio do segundo semestre deste ano a crise, como todo tsunami, começará a perder sua força. Certamente a forma de administrar negócios, principalmente dos grandes conglomerados financeiros mundiais não será a mesma. E tomara que não seja. Por outro lado, a importância que o setor financeiro possuiu nas economias mundiais deverá dar mais espaço para as atividades de outros setores. Claro que o setor financeiro é importante e gera riquezas. Esta crise prova isto. Porém ocupou espaços que não lhe pertencia, desenvolveu produtos de má qualidade, confundiu investimento com especulação e por isso, é o mais afetado.

E assim,  veremos que o mundo, por ser maior, não coube dentro da crise e, portanto, não pôde ser engolido. E em 2010 sobreviveu a ela.

27 de March de 2009 | Deixe um Comentário

Lugar de Brasileiros é no Brasil

Em nenhuma atividade a diplomacia brasileira foi e continua sendo tão incompetente como na área humanitária em relação aos próprios brasileiros. Nenhuma outra dívida moral e econômica, no passado ou no presente, cai tão pesada sobre nossos diplomatas, sobre o governo e sobre toda a sociedade brasileira como a que adquirimos perante milhares de brasileiros que nos últimos vinte anos, fugindo do desemprego e da miséria, se auto-exilaram no estrangeiro em busca de oportunidades que lhe são negadas em sua pátria. Estrangeiros lá fora, imigrantes forçados e não desejados pela maioria das nações que os receberam, estes heróis durante vinte anos vêm enfrentando as mais adversas condições econômicas, sociais e psicológicas. Sobrevivem com honra e humildade, sem qualquer apoio ou reconhecimento da sociedade brasileira.

Pois são estes milhares de brasileiros, sofrendo as dificuldades da adaptação, muitas vezes em situação ilegal no país que os recebe, que ajudam economicamente sua pátria ingrata com enormes recursos econômicos enviados em moeda forte para suas famílias que aqui ficaram. Estes recursos, mais que ajudar as famílias, estas humildes economias diárias, fruto do suor dos filhos mais honrados que esta nação já produziu, ajudam anualmente nossa balança de pagamentos com bilhões de dólares enviados do Japão, dos Estados Unidos, da Europa ou de qualquer parte do mundo onde haja um imigrante brasileiro que tenha aqui família. Tão forte e lucrativa para nossa economia tem sido a ajuda de nossos exilados econômicos que o Banco do Brasil abriu agência em Tóquio que se nutre do produto de seus trabalhadores locais e das quantias enviadas aos seus familiares. O Brasil precisa resgatar esta divida moral e econômica com estes anônimos brasileiros.

Existem demagogos que se dedicam a nos acusar pelos erros de nossos antepassados. Existem sociólogos e filósofos de bibliotecas que pesquisam crimes sociais cometidos séculos atrás querendo que a sociedade do Século XXI resgate dívidas prescritas das sociedades brasileiras dos séculos XVIII e XIX. Existem Ongs e advogados apoiados em estranhas pesquisas geradoras de palavras inventadas como quilombolas -  um derivativo sociológico bastante tóxico – que buscam sangrar o Estado com indenizações e direitos aos descendentes de escravos e índios cujos ancestrais – exploradores e explorados – já morreram há séculos. Mas não existe nenhum programa que incentive nossos irmãos a regressar a pátria. Não foi criado sequer um bordão de forte  apelo e óbvio afirmando que lugar de brasileiro é no Brasil.

Enquanto isto a crise econômica mundial atinge estes brasileiros em cheio em todas as nações onde se encontram. São os primeiros a serem demitidos. No momento continuam desamparados e economicamente desesperados. Recente reportagem de uma rede de televisão mostrou brasileiros desempregados, morando debaixo de pontes no Japão. Certamente existem outros  na mesma situação sendo discriminados nos Estados Unidos e na Europa. E o que a reportagem informa é que o governo brasileiro só oferece passagem de volta para quem comprovar seu estado de extrema necessidade e mesmo assim largando-os em Cumbica  certamente para morar debaixo dos inúmeros viadutos de São Paulo.

Não é à toa que os brasileiros descendentes de terceira geração de imigrantes europeus, mesmo considerados de classe média ou acima, estão buscando ansiosamente a nacionalidade de seus ancestrais para obter um passaporte europeu. Parece que ser brasileiro tanto lá fora como aqui, deixou de valer a pena. Os  principais responsáveis por termos chegado a este estado de coisas são os três poderes da republica: Executivo, Legislativo e Judiciário e especialmente o Itamaraty responsável por assistir os brasileiros no exterior. E enquanto permanecerem  calados, a imprensa e toda a sociedade brasileira.

Como diria Boris Casoy se fosse o autor deste artigo: Isto é uma vergonha!

17 de March de 2009 | 3 Comentários
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