Fracasso em Pequim 2008? Uma Análise Errada

A maioria dos brasileiros saiu com um gosto amargo do maior evento esportivo mundial. E tem gente já achando que a única coisa que vai ser melhor em Londres 2012 é que em vez de acordar de madrugada para ver o Brasil perder, poderemos assistir as nossas derrotas em um horário melhorzinho.

Mas será que fomos tão mal assim? Esperei passar quase duas semanas do encerramento das Olimpíadas para fazer esse post porque acho que precisávamos de um distanciamento mínimo para conseguir deixar a emoção de lado e analisar a frieza dos números. Além disso, enquanto pensarmos no esporte olímpico apenas durante duas semanas ede quatro em quatro anos, vamos continuar colecionando tristezas.

Evolução desde 1976

Eu fiz um gráfico e algumas tabelas comparando os resultados do Brasil desde 1976 até 2008. Por que comecei com Montreal 76? Porque são os primeiros Jogos Olímpicos de que me lembro pessoalmente. Eu tinha 6 anos de idade e ficava impressionado com a pequena Nadia Comaneci arrasando na Ginástica.

Caímos de 5 medalhas de ouro para apenas 3. Essas duas medalhinhas a menos representam uma queda de 40%, o que definitivamente é bastante. Esperávamos mais do vôlei e do futebol. Talvez da vela e do judô também. Esses esportes, tradicionais medalhistas, não foram realmente mal, pois continuaram trazendo medalhas, porém não no metal e na quantidade que esperávamos.

Em compensação, novos esportes alcançaram conquistas olímpicas que não contávamos. As mulheres obtiveram resultados inéditos e importantes. Com isso, o número de medalhas totais obtidas (15) iguala o recorde histórico obtido em Atlanta 1996 e reverte a tendência decrescente, que você pode acompanhar na imagem abaixo - clique nela para visualizar melhor. É importante lembrar que o número de medalhas de ouro também igualou o de Atlanta e é o nosso segundo maior resultado até hoje, ficando abaixo apenas dos citados 5 ouros de Atenas 2004.

Comparando com a Concorrência

Para quem olha o quadro geral e consegue achar que ficar em 23° lugar entre 204 países participantes é vergonhoso, vale essa comparação: se os jogos fossem Panamericanos o Brasil teria ficado em 4° lugar, a frente de Argentina, Cuba e México, por exemplo. E tendo em mente que a nossa frente ficaria, além dos EUA, o Canadá com o mesmo número de ouros e a Jamaica que teve metade das suas 6 medalhas de ouro obtidas pelo fenônemo Bolt (as outras 3 também foram em provas de velocidade do atletismo), seria um quarto lugar com adrenalina de pódio.

Bem, mas não é Panamericano. Competem países do mundo inteiro. Ora, mesmo assim ficamos a frente de países ricos como a Dinamarca e ex-membros da Cortina de Ferro, como a República Tcheca e o Kazaquistão.

Evolução e Involução dos Favoritos

Já verificamos nosso resultado ao longo do tempo e comparamos nossa posição em 2008 com os outros países. Mas como foi a evolução desses países? Nós superamos a monstruosa Cuba porque nós melhoramos ou porque ele pioraram? Como os EUA perderam a primeira posição, mesmo com o Aquaman Phelps, que sozinho já ficaria em 10° lugar na tabela?

Vamos por partes. A máxima do futebol, que “camisa não ganha jogo”, vale para as Olimpíadas também. Quem não investe, perde. Simples assim. Mesmo que você seja bom, vem alguém que investiu mais e te supera.

Cuba apresentou um resultado extremamente vergonhoso, em vez da média de 10 ouros, conquistaram apenas 2 dessas medalhas, sendo nenhuma no boxe, que era dominado por eles. Resultado: ficaram em 28° lugar, em vez do 8° obtido em 1996. Acredito que isso é reflexo direto da crise que a ilha vem passando desde o afastamento do Fidel.

A Grã-Bretanha, que teve um resultado risível em 1996, melhorou muito em 2000 manteve a colocação geral em 2004, mas como não quer fazer feio nos Jogos de Londres, deve ter investido bastante nesses 4 anos, pois obteve dez medalhas de ouro a mais do que em Atenas e subiu de 10° para 4° lugar.

Muita gente acredita que a China só conseguiu o resultado histórico de superar os EUA porque fraudaram resultados ou pressionaram juízes. Nada mais absurdo. Resultados injustos e polêmicos sempre acontecem em qualquer edição das Olimpíadas, Copa do Mundo ou mesmo num campeonato regional de pebolim. Basta observar a evolução do resultado chinês para ver que não foi algo isolado, da noite pro dia. De 16 medalhas de ouro obtidas em 1996, nos EUA, ela evoluiu para 28, 32 até os 51 de Pequim. Enquanto isso, os americanos passaram de 44 ouros em Atlanta, para 40, 36 e novamente 36 em Pequim. Só restatam aos jornais yankees mudar a forma de apresentar a classificação geral, pontuando pelo total de medalhas em vez do número de ouros. Devem acreditar também que mudando o termômetro a febre deve cair…

Confesso que nunca tinha prestado atenção à Austrália. Mas ela tem apresentado ótimos resultados, vindo principalmente das piscinas. Ela evoluiu de 9 ouros e um 7° lugar em 1996 para 16 ouros e o 4° lugar quando competiu em casa. Manteve a colocação em 2004, com um ouro a mais e em 2008 levou 14 medalhas de ouro e caiu para 6ª colocação. Mas considerando que enfrentaram o Príncipe Submarino Phelps, até que eles tiveram um bom resultado.

A Rússia é poderosa, mas desde o fim da URSS ela não ameaça mais os EUA. Seria interessante somar os seus resultados com os das repúblicas ex-soviéticas para saber a colocação final. Alguém se habilita? Aliás, espertinha a Inglaterra, né? Nas Olimpíadas compete como Grã-Bretanha para acumular as medalhas e subir no placar. Na Copa do Mundo compete desmembrada em Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte para ver se aumentam suas chances de vitória ou ao menos de realizar um jogo de comadres.

Conclusão

Considerando o exposto acima, penso que é seguro dizer que o Brasil NÃO foi mal em Pequim 2008. Poderia ser melhor? Claro que sim. Então temos que saber o que deu errado para continuarmos evoluindo.

Eu achava que a questão mais óbvia seria “investir mais”. Entretanto, parece que não é tão óbvia, uma vez que vejo pessoas reclamando como se gastou muito dinheiro inutilmente. Muito? Nosso investimento foi medíocre. E olha que alguns bons resultados foram de atletas que treinam fora do país ou tem patrocínio privado. A nossa estrutura é pífia, nosso intercâmbio é pequeno e se faltam materiais e condições, imagina a falta de apoio aos atletas… Sinceramente, a primeira coisa que precisamos fazer é abrir a carteira e investir. Não é gasto, pois é um dinheiro que trará muito retorno ao país.

O incentivo ao esporte também pode vir dos jornais, revistas e TVs. Os programas se entitulam “Jornal dos Esportes”, “Gazeta Esportiva”, mas poderiam chamar-se “Só Futebol”. Falam do campeonato nacional, regional, da Europa, do terreno baldio… e praticamente só isso. Um pouco de automobilismo, uma pitada de vôlei, tênis e basquete. Cadê o judô? O Atletismo, a Ginástica? Por que não transmitem as competições internacionais desses esportes, mesmo quando nossos atletas estão ganhando o ouro em cada uma delas?? Temos 5 ou 6 canais a cabo de esportes e todos passam o mesmo jogo de XV de Piracicaba contra XV de Jaú (juniores, segunda divisão) enquanto o Jadel Gregório está ganhando o ouro no salto triplo em uma competição européia.

Uma outra falha evidente na nossa preparação é a fragilidade psicológica de atletas e até mesmo treinadores. O choro e os pedidos de desculpas emocionados são um retrato disso. Os nossos atletas não aguentam a pressão e a expectativa jogada sobre os seus ombros. Com isso desabam no chão ou obtêm resultados muito aquém do que eles são comprovadamente capazes.

Aliás, isso é outro ponto. Esperamos que nossos atletas sejam mais poderosos que a Liga da Justiça, mas fortes que os Vingadores e mais rápidos que os X-Men. Isso sem investir um tostão, é claro. Alardeamos que eles são excelentes, melhores do mundo, deixam os concorrentes humilhados e outros comentários estupidamente ufanistas. Ora, eles são seres humanos normais, atletas fisicamente preparados e que disputam de igual com seus colegas. Quando ganham, não devemos urrar que somos superiores assim como quando perdem não devemos ridicularizá-los (Repare no tempo verbal: a vitória vem na primeira pessoa do plural e a derrota na terceira pessoa do plural. Assim que o torcedor brasileiro conjuga). Quanto mais cobrirmos a real condição dos nossos atletas com o véu ufanista, maior a decepção quando o Ouro não chegar. Sim, porque prata e bronze é para estúpidos. Os nossos super-heróis tem a obrigação de trazer o ouro ou serão cobertos com piche e penas ao ousar voltarem. Traduzindo: “Cala a boca, Galvão!”

Pra finalizar, gostaria de dizer a todos atletas olímpicos que estão lendo isso (huahuahua, até parece) que quem fez o máximo de sua capacidade não deve se desculpar por nada. É normal aparecer alguém melhor, a competição é assim, só um ganha o ouro, um a prata e um o bronze. A maioria perde. Aliás, a maioria não consegue nem índices para estar lá. Então só de estar presente e competindo no maior evento esportivo do planeta já é um feito. Cada conquista lá vale mais do que um metal, vale história. E a maioria dos vencedores começaram perdendo competições e ganhando experiência. A Maurren Maggi, por exemplo, ficou com apenas o 25° lugar em 2000. Excluída dos jogos de 2004, largou o esporte e mais tarde voltou a treinar. Treinou, batalhou e a mesma atleta que chegou “tããão mal” em Sidney foi a campeã em Pequim.

Menos choro, mais treino e mais cabeça. Menos desculpas e mais orgulho. Menos pressão e mais auto-superação. Essa é a fórmula do ouro.

4 de September de 2008 | Deixe um Comentário

Novas Modalidades Olímpicas

Se você não está satisfeito com o minguado número de medalhas olímpicas conquistadas pelo Brasil e não quer nem ouvir falar na hipótese dos jogos de 2016 serem aqui, saiba que você está errado. Existe um motivo para esses resultados pífios.

Nós estamos apanhando porque a maioria dos esportes não são praticados ou sequer conhecidos por aqui: Baseball, Badminton, Luta Greco-Romana… Isso é muito injusto. Na hipótese de sediarmos as Olimpíadas, teríamos que fazer pressão para mudar essa lista de esportes tradicionais.

Deveríamos incluir algumas modalidades que garantiriam o ouro certo para nosso país. Veja alguns exemplos abaixo (se você lembrar de mais, diz aí, pode contribuir).

Poderíamos simplesmente trocar algumas modalidades, tirando Badminton e colocando Frescobol, por exemplo. E em vez de luta de esgrima, luta de estiletes e de peixeira, pois são bem mais baratos que sabres e floretes. Mas o pódio viria mesmo nas competições abaixo:

# Jiu-Jitsu. Que judô, luta livre ou taekwondo que nada! Coloca logo o Jiu-Jitsu que a gente arrasa. Literalmente. Com os adversários, com os juízes, com o público e com quem ousar negar um ouro à nossa equipe formada exclusivamente por Pitboys campeões de Vale-Tudo.

# Tiro. Sim, eu sei que já existe disputa de tiro, mas com aquelas arminhas afrescalhadas de mulherzinha. Temos que incluir Tiro com AR-15: Helicópteros sobrevoariam a área da competição e o atleta deverá derrubá-lo antes que seja abatido pelo oficial do BOPE a bordo da aeronave.

# 200 Metros Com Bandalha. O competidor entraria em um automóvel e teria que percorrer 200 metros cometendo o maior número possível de infrações de trânsito, como furar sinal vermelho, subir na calçada, etc. Os competidores receberiam multas e pontos na carteira de motorista, mas não precisariam pagar nada pois alguma lei contra a “máfia das multas” iria anistiar a todos em pouco tempo. Mas cuidado com o doping, pois com a nova Lei Seca não serão mais aceitos atletas alcoolizados.

# Arremesso de Bunda: a atleta deve empinar a bunda o máximo que conseguir enquanto reliza diferentes coreografias acrobáticas, como o Duplo Créu Carpado.

# Corrupção Sincronizada. Uma equipe formada por políticos experientes recebe uma verba pública e tem 3 dias para apresentar um projeto, aprovar e executar. O que gastar mais e fizer menos, ganha o ouro. A equipe perde pontos cada vez que um dos integrantes for citado em uma CPI ou em reportagem da Globo. Ganha pontos se conseguir subornar os árbitros, os rivais e os jornalistas.

# Ginástica Urbana. Mais completa que a ginástica artística e mais exigente que a ginástica olímpica. Essa modalidade inclui os “aparelhos”:
- travessia de calçada: passando por obstáculos como buracos, lixo, carros estacionados ilegalmente, aparelhos de ar condicionado gotejando e mendigos pedindo esmola.

- ônibus circular: o atleta sobe em um coletivo lotado e deve prosseguir de pé até a linha de chegada. Contam pontos conseguir que o ônibus pare pro atleta subir, conseguir que o ônibus pare pra ele descer, não cair durante as freadas, não perder a concentração com as encoxadas e as mochiladas, entre outras dificuldades.
- assalto sobre banco: o competidor deve sacar uma grande quantia no caixa do banco e entregar aos juízes da prova em menos tempo, evitando ser assaltado no caminho. O tempo perdido na porta giratória e na fila bancária pode desclassificar os atletas amadores.

Se nada disso resolver, ainda temos essa solução, tipicamente brasileira:

23 de August de 2008 | Deixe um Comentário

César Cielo é ouro

Reportagem da Globo.com

 César Cielo garantiu a primeira medalha de ouro olímpica da história da natação brasileira

César Cielo garantiu a primeira medalha de ouro olímpica da história da natação brasileira

Wallpaper do Campeão Olímpico

Clique para ver em tamanho grande

Clique para ver em tamanho grande

16 de August de 2008 | Deixe um Comentário

olimPIADAS

Ainda comemorando o ouro do César, e a vitória da seleção masculina contra Camarões. Uma tirinha olímpica.

Clique para ampliar.

Clique para ampliar.

Fonte: Linha do Trem

16 de August de 2008 | Deixe um Comentário

César Cielo - blog

Bom, não sei se vai sair uma medalha pra ele. Mas sei que torço bastante pra que isso aconteça… O Brasil anda meio carente de grandes nadadores, a geração atual tem se mostrado bastante esforçada, mas acho que só com medalhas eles vão conseguir uma representatividade melhor.

O César tem um blog muito interessante no Terra, foi legal ler como estão as expectativas dele quanto a olimpíada em si e quanto a disputa que vai ter.

Força cara, o Brasil torce por ti!

15 de August de 2008 | Deixe um Comentário

China X Human Rights

Cartoons By  Michael Ramirez

Fonte: http://www.investors.com/editorial/cartoon.asp

13 de August de 2008 | Deixe um Comentário

Ninho de Pássaro feito de Lego

A “chinesada” de Hong Kong recriou as principais instalações dos Jogos de Pequim. Veja mais fotos na galeria que o Globo Esporte preparou.

Galeria de imagens

Fonte:  Globoesporte.com

13 de August de 2008 | Deixe um Comentário

Pra inglês ver?

Não deve ter existido apenas uma origem para o surgimento dessa expressão, diz John Schimitz, professor de Lingüística Aplicada da Unicamp. Mas, segundo a maioria dos especialistas, a fonte mais provável data de 1831, quando o Governo Regencial do Brasil, atendendo as pressões da Inglaterra, promulgou, naquele ano, uma lei proibindo o tráfico negreiro declarando assim livres os escravos que chegassem aqui e punindo severamente os importadores. Mas, como o sentimento geral era de que a lei não seria cumprida, teria começado a circular na Câmara dos Deputados, nas casas e nas ruas, o comentário de que o ministro Feijó fizera uma lei só para inglês ver.

E, de fato, foi isso que aconteceu, diz Regina Horta, professora de História do Brasil-Império da Universidade Federal de Minas Gerais. Apesar do esforço do governo inglês, que defendia o fim do tráfico por motivos que vão desde a pressão da opinião pública interna até seus Interesses coloniais na África, a lei brasileira permaneceu como letra morta por mais de 20 anos.” Foi preciso esperar outra lei, promulgada pelo imperador Dom Pedro II, em 1852, para a proibição definitiva do tráfico.

Pois então, vejamos agora essa expressão aplicada aos dias de hoje:

A menina que cantou na abertura dos jogos olímpicos foi dublada

A menina que cantou na abertura dos jogos olímpicos foi dublada

"Batalhões de torcidas" estão sendo usados para ocupar os lugares vazios dos estádios.

"Batalhões de torcidas" estão sendo usados para ocupar os lugares vazios dos estádios.

Fontes:

12 de August de 2008 | Deixe um Comentário

Mas que entra e sai é esse?

12 de August de 2008 | Deixe um Comentário

Segura o tchan…

Pra quê uma foto dessas, hein?

Nigéria

Vi aqui: Minhas Camisas - Blog » [ot] Segura o tchan…

9 de August de 2008 | Deixe um Comentário

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