Quando um Ninguém é Alguém

sozinho na multidão

Você alguma vez teve a sensação de ser invisível para as pessoas? Já sentiu como se a sua existência fosse insignificante para o mundo ao seu redor?

Quem sente depressão conhece bem este sentimento, mas ele não é exclusivo de quem é deprimido crônico. Outras pessoas, especialmente introvertidos e tímidos experimentam essa sensação mais de uma vez. Mas sou capaz de apostar que todo mundo tem uma ideia do que seja isso.

Você faz um comentário ou dá uma sugestão e ninguém escuta, mas o cara que estava do seu lado a repete e é aclamado como um gênio. Você diz algo que já falou várias vezes e as pessoas reagem como se fosse a primeira vez, porque não prestaram atenção das outras vezes. O pessoal que está com você encontra outros conhecidos, começam a conversar e você fica ali perdido, com cara de paisagem. Você tem sede ou quer pagar a conta, mas o garçom parece habitar um plano dimensional diferente do seu.

Pode espanar esse sentimento pra longe porque eu tenho certeza que você não só é perfeitamente visível, como é uma pessoa mais importante do que imagina.

Se você está na fila do restaurante ou do banco e chega sua vez, TODO MUNDO irá notar sua presença e irá gritar, apontar e gesticular avisando-lhe que a atendente está te chamando. Isso após 0,05 SEGUNDOS do instante em que foi chamado. O mesmo intervalo de tempo se aplica aos motoristas buzinando para você quando o seu carro é o primeiro em frente a um sinal vermelho que acabou de abrir. Acho emocionante a dedicação destes estranhos em dar-lhe a boa notícia que finalmente você pode prosseguir com sua vida, pagando sua conta ou andando com seu carro.

Aquele chefe que recusou seu pedido de aumento dando a entender que se você bobear eles te mandam embora e contratam outro rapidinho, é o mesmo que não te deixa sair de férias porque você é essencial e insubstituível.

Sabe aquela namorada ou namorado que não dá a atenção que você deseja? Experimenta sair com outra pessoa… Se sobreviver ao ataque de ciúmes, vai ver como você é importante pra ela.

Claro que se você é pai ou mãe (biológico ou não) de alguém, você é o mundo para esse alguém. Mas não é fácil, rápido ou barato ser pai/mãe. Quer se sentir muito importante rapidinho? Ocupe o único banheiro da casa ou escritório e fique uma meia hora ali dentro. Vão sentir tantas saudades suas que periga chamarem os bombeiros pra derrubarem a porta.

Mas a prova final de como você é importante, é que eu escrevi esse texto para que você leia. As palavras e os pensamentos já estavam na minha cabeça, eu não precisava escrevê-las para mim. Foi tudo pra você!

O que falta para termos uma inteligência artificial realista?

inteligencia artificial realista

Faz tempo que a humanidade tenta criar um computador parecido com o ser humano. O objetivo dos cientistas é chegar a um nível em que não se possa distinguir entre uma inteligência biológica e uma inteligência artificial.

Lembro que foi uma grande conquista quando uma super-máquina venceu o campeão de xadrez. Grande coisa. Desde quando campeões mundiais de xadrez se parecem com seres humanos?

Bem, se considerarmos o padrão de quem construiu esses super computadores, dá pra entender. Aposto que não eram os garotos mais populares da escola. Deviam estar tentando criar um amigo eletrônico. Coitados, acabaram apanhando em seu único esporte e ainda devem ter sofrido bullying do super computador: “In your face, nerd!!”

Outro avanço foi um computador que conversa online com as pessoas sobre assuntos triviais e por um minuto chega a soar humano. Mas logo a “farsa” acaba e ficam evidentes as falhas de um conversa com uma máquina programada.

Na verdade, sabe o que eu acho que falta para computadores e máquinas reais (e até da ficção) se parecerem mais com os seres humanos? Falta incluir a fórmula da CHATICE. Especificamente, eu me refiro àquele fator que impede as pessoas de irem direto ao ponto. Os robôs inventados até hoje tem um objetivo e vão direto pra ele. Ora, isso não é humano! Veja uma mulher indo ao mercado ou ao Shopping Center. Entra pra comprar uma coisinha, vê 500 outras coisas, compra outras 10 e muitas vezes sai sem levar o que foi comprar. Qual robô faria isso?! São todos muito fakes pra isso. Imagina: “Preciso matar Sarah Connor, preciso… hmm, que parafuso bonito nessa vitrine, olha o platinado!”

Outro fator da Chatice que as máquinas ainda não incorporaram é a enrolação para contar uma história, como aquelas pessoas que vivem se interrompendo pra explicar outra coisa, esticando uma história de 2 minutos pra 10 minutos: “Eu estava passando pela Loja do Baú e – sabe qual é essa loja, né? Aquela na esquina da Rua Sei Lá com Não Tenho Ideia. Em frente à Loja Piorou. Tem um toldo azul-petróleo. Porque tem gente que acha que aquilo é verde, mas não é. Lembrou da loja?”.

Imagina se um computador tivesse essa fórmula em sua programação:
– Computador, quem descobriu o Brasil?
– Ah, o Brasil… grande país da América do Sul. Ele foi descoberto por um navegador de Portugal, que depois tomou posse e colonizou o Brasil. Provavelmente é por isso que os brasileiros adoram contar piadas de português. Você sabe onde fica Portugal, né? Um país pequeno do lado da Espanha. Lembrou? Mas lembrou mesmo ou tá concordando só por concordar?

O único robô da ficção que parece incluir falhas de personalidade humana é o Marvin, do Guia do Mochileiro das Galáxias. Ele tem depressão profunda e é um chato de galochas. É o robô mais realista que já vi. O C3PO também é chatinho. Os outros, sejam andróides bonzinhos como Data de Star Trek ou vilões como o Exterminador do Futuro jamais se passariam por humanos por muito tempo.

Eu ouvi dizer que algumas experiências que misturaram material orgânico com chips artificiais chegaram muito próximas de simular uma pessoa real. Mas infelizmente exageraram no fator Chatice e tiveram que encerrar tudo. As pobres cobaias inseridas na comunidade humana foram largadas à própria sorte. A maioria pelo menos está conseguindo levar uma vida feliz e produtiva como operadora de telemarketing e teleatendimento.

Correio!

Fila do correio. Se você nasceu antes da invenção do e-mail, tem pelo menos uma história para contar envolvendo o uso dos serviços dessa instituição centenária. E mesmo quem nasceu depois, um dia vai acabar precisando entrar numa agência de verdade, afinal, nem tudo pode ser digitalizado e transportado através das fibras óticas.

Você pode precisar ir numa agência para receber aquela encomenda da China que nunca chega e ainda ter que pagar o dobro do valor original em impostos; receber um pacote que não era tão pequeno e nem tão discreto como a Sex Shop disse que seria; ou mesmo para enviar alguma coisa para um amigo ou parente que mora longe, como era o meu caso.

Enquanto eu apoiava meu pacote num balcãozinho melado com aquela cola caseira do correio, observava as pessoas. Só um caixa aberto, operado por um senhor que teimava em não se aposentar. Ele estava sendo monopolizado por uma velhinha que conversava sobre a destinatária da sua carta. Trocavam receitas contra febre, conversavam como os tempos de mil-novecentos-e-poucos eram bem melhores que atualmente e não se importavam com os olhares feios das outras pessoas na fila.

Finalmente, depois de contadas todas as moedinhas de centavos, a fila andou. Menos o rapaz à minha frente. Com fones de ouvido, ele se balançava enquanto os dedos passeavam freneticamente sobre a tela de um smartphone. Chamei e nada. Cutuquei de leve seu ombro e nada. Acho que sua mente tinha sido digitalizada e transportada via fibra ótica para aquele aparelhinho. As pessoas atrás de mim estavam se amontoando e ameaçando pular o meu lugar, então tive que abandonar o corpo do rapaz digitalizado ali e pulei seu lugar. Se ele conseguisse reencarnar antes da minha vez, eu devolveria seu lugar.

Algumas pessoas estavam ali para pagar contas, comprar carnês de capitalização e outras coisas que não tem nada a ver com a função original dos Correios, mas enfim chegara minha vez.

O atendente olhou com desdém para o meu pacote pardo enrolado com fita crepe colorida. Aconselhou que eu usasse uma caixa oficial dos Correios. Disse que era mais segura, própria para encomendas, ao contrário da minha improvisação que faria vergonha ao MacGuyver (um herói de um seriadinho que existia antes do e-mail ser inventado). Concordei. Aí ele ofereceu seguro, rastreamento VIP, selo perfumado e outros tantos extras. Recusei tudo. Mas ele insistiu:

– O senhor deseja Entrega Com emoção ou Sem Emoção?

– Qual a diferença?

– Com emoção a entrega demora, o rastreamento é completamente doido, informando coisas que não tem nada a ver, e você vai ficar sempre em dúvida se foi roubado ou não.

– E o sem emoção?

– Aí você já sabe que vai ser roubado mesmo.

Agradeci e saí dali rapidinho sem postar. Vou juntar um dinheiro pra passagem e vou entregar a encomenda pra minha tia pessoalmente.

O Matador de 13 de Agosto

Um pequeno conto policial

parque conto policial

A emboscada estava pronta. A prefeitura anunciou uma grande festa de aniversário coletiva, que seria celebrada no parque central da cidade. Era arriscado e muita coisa poderia dar errado, mas era a melhor chance que teriam de pegar o Matador de 13 de Agosto. Outra chance, somente no ano seguinte.

Depois de uma longa investigação, que incluiu a reabertura de casos encerrados e o cruzamento de vários dados em um super computador, finalmente o Detetive Keynes encontrou a ligação entre uma série de assassinatos aparentemente aleatórios. Um maníaco matava, todo ano, alguém que aniversariava naquele dia, 13 de agosto. Em alguns anos existiam mais de uma vítima, em outros apenas uma. Mas em comum duas coisas: os crimes sempre ocorreram nesta cidade, e sempre no mesmo dia. Quando uma das vítimas foi um ator famoso, o detetive achou que conseguiria os recursos necessários para sua investigação, mas eles só vieram no ano passado, quando os dois filhos do Procurador Geral, gêmeos, foram mortos.

Diante da impossibilidade de proteger todos os aniversariantes numa cidade grande como aquela, mesmo que apenas por 24 horas, seus superiores concordaram com o seu plano: criar uma tentação grande o suficiente de forma que o assassino não conseguisse resistir. Um grande evento que reunisse dezenas de alvos no mesmo lugar. Claro que se o pior acontecesse e o maníaco provocasse um massacre, sua carreira estava acabada. Pior, ele jamais conseguiria apagar a culpa que sentiria.

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De Repente 40

Sinopse para seriado de TV fictício

Depois de escrever Presidência Fatal: Sangue na Casa Branca, uma sinopse para uma trilogia fictícia de cinema, pensei em criar sinopses para séries que não existem e nunca existirão, a não ser na minha cabeça. A primeira seria…

De Repente 40 (18 Going 40)

Protagonizada por Lisa, Maggie e Nikki, três adolescentes de 18 anos que estudam na mesma escola,  essa série mostraria os problemas normais de quem tem menos de 21 anos nos EUA, como não poder entrar em bares, não serem respeitadas como merecem, terem suas vidas amorosas discutidas em redes sociais, etc.

Entretanto, algo muda radicalmente suas vidas: uma cigana faz uma macumba em seus colares e agora  elas transformam-se em belas versões de si mesmas, porém 22 anos mais velhas, bastando tocar o colar e falar  “É Hora de Milfar!!!” (na idéia original elas tocariam as pulseiras, mas por questões legais os produtores foram obrigados a trocar por colares).

Criando identidades novas para suas personas mais velhas, elas se deparam com as vantagens e desvantagens de ser uma quarentona.

tv milf serie

Ao longo da primeira temporada, um professor se apaixona pela versão mais velha da protagonista Lisa, enquanto persegue cruelmente a sua versão estudante. Claro que cada vez que ele a maltrata, ela se vinga quando se transforma. Frustrado, ele volta a descontar na aluna. E assim, os dois realimentam esse ciclo.

Usando o disfarce de quarentona, sua amiga Maggie arranja emprego como professora de música na escola, tendo que fugir dos avanços do apaixonado diretor. Ao mesmo tempo, ela faz de tudo para seduzir o capitão do time de futebol, tanto com 18 como com 40 anos.

A terceira garota, Nikki, não se envolve romanticamente com ninguém: assume a identidade de sua própria tia, uma jornalista renomada que se encontra em viagem secreta no Timbuctu do Leste, e realiza reportagens e investigações que não eram levadas a sério em seu blog adolescente.

Caso seja renovada, na segunda temporada, Nikki irá se envolver em investigações perigosas, como uma em que descobria que um dos professores estava assediando e chantageando algumas alunas. O capitão do time de futebol finalmente cederá aos encantos da Maggie mais velha, porém a essa altura ela se apaixonou pelo seu pai. Já Lisa vive uma situação única: sua persona mais velha desenvolveu câncer de mama, que desaparece quando ela está mais nova. A situação serve de alerta para ela se prevenir e evitar o câncer no futuro. Assim ela descobre que sua versão quarentona sofre consequências de tudo que ela faz enquanto adolescente: se beber muito pode ter cirrose quando se transformar, por exemplo.

O sucesso afasta os amigos? Só se você quiser

Você que virou celebridade, não abandone seus velhos amigos: mande uma nota carinhosa explicando a distância.

sucessoAlguns famosos conseguem manter-se humildes e acessíveis (os que os editores desse blog conhecem se enquadram nessa categoria, felizmente), mas é sabido que muita gente, depois que melhora de grana ou ganha projeção, esquece os antigos amigos.

Claro que a rotina delas não é mais a mesma e seria bobagem imaginar que teriam o mesmo tempo de antes pra dedicar à amizade. Mas ainda assim, não custaria nada se trocassem umas palavras carinhosas, buscassem conselho ou simplesmente desabafassem de vez em quando.

Como as pessoas que acompanham o NewsErrado devem saber, o blog vem crescendo muito a cada ano. Mas fiquem tranquilos, porque quando eu for rico e famoso não esquecerei de ninguém. Mandarei um cartão pra todos os amigos, bem pessoal e carinhoso, justificando o motivo do meu aparente afastamento. Já estou até rabiscando um rascunho, vejam se ficou bom:

Caro Amigo(a),

Sua amizade é muito importante para mim. Não estou ignorando deliberadamente suas patéticas tentativas de manter contato. Pelo contrário!

Tenho andado muito ocupado com assuntos e pessoas chatas. Assim que eu tiver me livrado dessas obrigações, dedicarei todo meu tempo livre para as pessoas que gosto, como você, amigo(a) de longa data!

Por favor, não pergunte quando isso acontecerá, pois ao contrário de certas pessoas que não tem nenhum futuro para conquistar, meus objetivos são grandes e a concorrência aqui no topo é enorme.

Não peço que pare de tentar me encontrar, pelo contrário, suas mensagens revigoram a certeza de minha importância para sua existência. Apenas não espere uma resposta muito rápida, como em 2 ou 3 meses, por exemplo.

Finalmente, agradeço do coração a força que você me deu no início da minha empreitada. Ela jamais será esquecida (ao contrário do seu nome ou rosto, é claro, mas quem é que consegue se lembrar de tudo nos dias de hoje, não é?).

Valeu, amigo (a)! Você é uma pessoa muito especial pra mim!

Reunião de Condomínio – A Oitava Praga

Você adora reunião de condomínios? Então nem leia esse post, vai logo pro próximo.

reuniao de condominioNa lista de coisas que a maioria dos seres humanos normais tem horror, um item estará sempre presente: reunião de condomínio, geralmente posicionado entre tratamento de canal e ficar na fila para ser atendido no serviço público.

Só de lembrar você ficou com saudades da sua última reunião de condomínio? Então que tal um resumo de uma reunião típica? Devidamente criticada, é claro.

Segunda Convocação – Não sei por que colocam primeira e segunda convocação. Alguém vai a primeira e fica esperando meia hora até que a maioria chegue? Acho que só meia dúzia de velhinhas que aproveitam para fofocar, porque o condômino normal aparece só na segunda convocação (quando aparece).

Aprovação de Contas – O que adianta perguntar se a assembléia aprova as contas? Alguém vai parar tudo e examinar a pilha de pastas com notas e indicações de gastos? Claro que não. As pessoas sempre confiam no que o Conselho diz, então é uma votação idiota. Aliás, se não aprovarem acontece o quê? O síndico vai em cana? Nunca vi.

Brigas – As pessoas discutem, xingam, ameaçam, mas nunca vão as vias de fato. Chegam muito perto de se atracar às vezes, mas nunca vi sair quebra-pau. Qual a graça então?! Se for chamar só de ladrão, mentiroso, feio e bobo volta pra creche. Ou rola UFC ao vivo ou fiquem quietos! FINISH HIM!!

Eleição de Síndico – É o que atrai a maioria das pessoas para a reunião. Quem não gosta de uma votação, por mais bizarros ou toscos que sejam os candidatos? Formam-se chapas, panelinhas e maquinações para que alguém assuma o Trono de Ferro, digo, o posto de síndico de condominiozinho de nada. Roubam, mentem… mas ninguém fica milionário ou ultra poderoso por ser síndico. Você é contra os candidatos? Claro, mas em qual Era Glacial você vai resolver se candidatar, ou aquele vizinho que você gosta e confia? Pois é, então não tem jeito, as corjas continuam se revezando no comando.

Assuntos Gerais – A essa altura, já teve eleição pra síndico, está muito tarde e a maioria já começou a ir embora. A meia dúzia que ficou, não pára quieta: conversa, fica em pé… ou seja, ninguém dá a mínima pra esse tópico da pauta, que provavelmente era o único que teria algo que seria do seu interesse.

Conclusão – Sua cabeça dói, você perdeu a novela ou o jogo, tudo que você era contra foi aprovado e o que era a favor foi rejeitado. “Nunca mais participo de uma reunião de condomínios” pensa você, sabendo que no fundo, participará sim, pois você não tem coragem de “deixar todas as decisões para esse bando de loucos”.

Presidência Fatal: Sangue na Casa Branca

Uma sinopse de um argumento para um roteiro fictício

Que tal um filme chamado White Mausoleum, que no Brasil se chamaria Presidência Fatal? A história: Quando republicanos e democratas falham miseravelmente na tentativa de estabilizar  a economia americana e mundial, o desespero e o caos tomam conta do país. Um cientista polêmico, que oscila entre o genial e o insano, propõe trazer de volta ao comando do país um verdadeiro herói, um líder nato, respeitado pelos amigos e temido pelos inimigos: Abraham Lincoln.

De posse do DNA do ex-presidente (um fio de cabelo foi encontrado em sua cartola), o cientista recria aquele que traria ordem ao caos, esperança na escuridão.

Inicialmente, é exatamente isso que ocorre, mas aos poucos, descobrimos que o clone, embora seja fisicamente igual e tão inteligente e carismático como seu original, tem uma agenda própria. E compaixão não está no cardápio.

Honest Abe (agora chamado de Horror Abe) logo mostra sua nova e aterrorizante face, quase levando o país a uma nova guerra civil. Os ataques terroristas triplicam, e a nação se torna mais beligerante do que nunca.

O que saiu errado? Uma sabotagem no laboratório? Talvez o problema fosse na amostra do DNA, que era muito antiga. Ou o clone não possuiria alma, sendo uma versão psicopata ou mesmo demoníaca do original…

Agora, o cientista, um major da Força Aérea e uma sexy estagiária da Casa Branca formam nossa última linha de defesa contra o apocalipse nuclear.

* * *

A continuação, White Mausoleum II, The Bloody Office (Sangue na Casa Branca II), seria rodada simultaneamente, para economizar dinheiro. O cientista ainda defende sua idéia de trazer um herói de volta, alegando que a experiência anterior foi um sucesso, falhando apenas por um ou outro pequeno detalhe. Alguns militares são contra, outros a favor, mas de qualquer forma, era tarde demais, secretamente ele já tinha seu segundo protótipo de ex-presidente pronto: John F. Kennedy.

Clonado a partir de fragmentos do cérebro encontrado na bala que o matou, Neo Kennedy traria a prosperidade de volta a América.

Porém esse filme, ao contrário do primeiro que tinha pretensões de ser mais sério, assume desde cedo seu lado B (ou Z): Neo Kennedy começa a se degradar rapidamente. Em menos de seis meses que está no governo, sua capacidade cognitiva reduz quase a de uma criança. Em 9 meses, ele se transforma em Zombie Kennedy!

kennedy zumbi

Nosso trio de heróis agora enfrenta uma epidemia zumbi se espalhando pelo mundo, através de generais e diplomatas que visitam a sede do governo americano. Para contê-la, somente invadindo o ninho da besta: a própria Casa Branca.

Ao final do filme, o cientista revela que embora suas intenções fossem boas, ele jamais poderia ter usado Lincoln ou Kennedy em suas experiências. Embora heróis americanos, cada um deles viveu em tempos conturbados e responderam à pressão de forma belicosa. Mas ele tinha uma solução: abrindo a porta do seu laboratório, adentra um clone reencarnado de… Mahatma Gandhi!

* * *

A terceira parte da trilogia, no entanto, jamais foi produzida. Injustiça…

Gandhi vai a guerra

Como tornar excursões escolares mais divertidas

Crônica do cotidiano: Excursões escolares

Outro dia, ao ir pro trabalho, vi uma cena que me chamou a atenção: um grupo de estudantes estava saindo do ônibus para ir ao centro cultural. Os professores tentavam organizá-los gritando: FILA DE TRÊS!!!

Então, pensei que seria muito mais divertido se os professores ensinassem as clássicas formações romanas ou espartanas: FORMAÇÃO EM CUNHAAAA!!!

cosplay romanos

Todo mundo iria querer participar dessas excursões, afinal são as emoções que movem o homem. E se divertindo, acabariam aprendendo. Em vez de excursões chatas e monótonas, ninguém sabe o que aconteceria numa nessas.

Imagine a situação: meia dúzia de pessoas freqüentando o Centro Cultural, um ou outro interessado, outros entediados, quando de repente, escutam um grito na porta:

– ALUNOS DO SÃO MARTINHO…
– ARRUU! ARRUU!

Uma turma de alunos entra com passo cadenciado, batendo as réguas nos cadernos. Eles se dirigem a uma pintura, onde param em atenção enquanto o professor explica seu significado histórico e artístico. Logo se movem para uma grande escultura, a peça central da exposição. Antes que cheguem lá, no entanto, escutam um grito vindo da outra porta:

– Colégio Yakigawaaaa
– HAI!

Alunos da escola japonesa marcaram excursão para o mesmo horário. Ambos os professores ficam imóveis, duelando olhares. Examinam o inimigo, tentando prever o próximo passo. De repente, soltam alguns comandos e os estudantes assumem posições pré-ensaiadas, prontos para chegarem à estátua primeiro.

formação tartaruga

– Hiro, Yoshi, defendam o flanco! Osamu, depressa, pelo meio! – Colocando máscaras ninja, os alunos obedecem com precisão aos comandos.

– Formação Tartaruga! Avançar! – Grita o professor do primeiro grupo. Rapazes erguem seus cadernos, cujas capas imitam escudos romanos. As garotas ficam mais atrás, com elástico e clipes, mirando nos rivais.

A escola oriental com movimentos rápidos e silenciosos consegue chegar primeiro à estátua, mas enfrenta dificuldades em manter o lugar. A escola Greco-romana está em maior número e mais bem equipada. Sob novas ordens, os alunos fazem um círculo de mochilas a sua volta, uma trincheira para defender sua posição até reforços chegarem.

– O ônibus com os alunos do Ensino Médio chegará daqui a pouco. – Disse o Sansei da Yakigawa, enchendo de esperança seus alunos.

– FOGO GREGO!! – grita o rival. Os alunos pegam folhas de papel dos seus cadernos, enrolam e já iam atear fogo quando são interrompidos por homens de preto que invadem o centro cultural, usando chapéus de formatura (capelos) e óculos escuros.

– Todos parados! UPP: Unidade de Pacificação de Professores! Larguem seus cadernos e canetas!

Em fila, alunos e estudantes entregam suas armas, digo, seu material de estudo. Sob supervisão das autoridades, são guiados pelo resto da exposição de forma que uma escola não ocupe a mesma ala que a outra.

– Hoje você me escapou – pensou o professor da São Martinho. – Mas mês que vem tem uma exibição de obras de Escher na cidade. Nós nos encontraremos de novo, Yakigawa, aí veremos qual é a melhor escola!

A Meia-Noite Formatarei sua Alma

Uma história de terror no mundo da informática

pc zumbiCheguei a conclusão que meu apartamento foi construído sobre um cemitério de computadores indígenas! Não, eu não enlouqueci, nem acabei de assistir uma maratona de Poltergeist. Estou apenas aceitando a melhor explicação possível, dado o histórico do local: as coisas que acontecem com os computadores na minha casa, nem Bill Gates ou Mãe Diná conseguem explicar.

Já perdi dois HDs, sendo que um explodiu, com direito a efeitos sonoros, fumacinha e tudo. Placas-mãe, de video, fontes vão pro beleléu a torto e a direito. A maresia poderia até explicar parte do estrago físico, mas seria muito simplista jogar toda a culpa nela. E certamente não explica as loucuras que não são de hardware, como um roteador sem fio que recusa a conexão segura do tablet, o mesmo tablet que conecta com WPA2 em qualquer outro lugar. Uma rede que bloqueia sites como Globo Esporte ou Jornal O Globo apenas pelo Firefox de dois computadores, liberando o acesso pelo Internet Explorer ou Chrome. Um Firefox que age sempre como se tivesse sendo usado pela primeira vez, precisando configurar tudo de novo. Um computador que não desligava, só reiniciava. E depois passou a não ligar mais…

Enfim, não vou aborrecer vocês com esses detalhes, afinal nem todo mundo que está lendo esse post é técnico de informática ou pai de santo. O fato é que cada vez mais acredito que o lugar é assombrado por almas de computadores e periféricos antigos, ensandecidos pela solidão e esquecimento que o mundo frenético de hoje os relegou. O que eles querem? Apenas serem lembrados com carinho e ternura? Ou buscam vingança contra aqueles que mais os maltrataram: os usuários?

Só sei dizer que minha casa virou cenário para um novo gênero de filme de terror: primeiro existia o horror gótico, então o terror psicológico e depois veio o terrir. Fique agora com o…

INFO-TERROR!

A noite na cidade estava estranhamente silenciosa. Um vento constante e gelado, cortava a pele e trincava os ossos daqueles que ainda se aventuravam na rua. Poucas luzes ainda permaneciam acesas, esquecidas por moradores que adormeceram em frente à TV. O luar fraco refletia em algum canto do meu quarto, incomodando a vista. Levantei-me para fechar a cortina, mas o brilho continuou. Curioso, fui investigar: vinha de meia dúzia de CDs da AOL! Um frio passou pela minha espinha. Como esses CDs vieram parar aqui?

Eu lembro que tive centenas de CDs que ofereciam “X” horas de internet discada gratuita, bastando instalar seus malditos programas discadores. No início, eu até os guardava, mas logo se tornaram uma praga. Não adiantava usar como descanso de copo, doá-los ou jogar fora: para cada CD que eu me livrava, dois apareciam do nada. Porém, depois de um tempo, assim como uma epidemia de gripe, os CDs desapareceram, sem alarde. Quer dizer, até agora.

Procurei não pensar mais nisso e fui me deitar novamente. Mas toda vez que eu encostava a cabeça no travesseiro, ouvia um estranho ruído vindo dele. Logo identifiquei aquele chiado: era o mesmo som que algumas pessoas ainda escutam quando usam a internet discada. Mas eu lembro dele bem antes disso, quando colocava pra escutar as fitas cassete com programas gravados para meu CP-2oo. Não acreditava que eu estava sendo assombrado em BASIC!! Só podia ser um pesadelo.

Atirei o travesseiro para longe, derrubando a pilha de CDs da AOL. Mas seu uivo fantasmagórico não parou. Gritei, irritado: “Parem com isso! O que vocês querem?!” O barulho parou. Mas logo foi substituído por sons de tiros. Me joguei no chão, assustado. Isso não era uma simples alucinação, minha vida estava em perigo. O sangue pulsava em meus ouvidos, o coração batendo forte. Escondido, vi de onde veio o barulho de tiro: um velho Winchester. Juro que sobre o antigo disco rígido parecia flutuar a imagem embaçada de um general de cavalaria americano, rindo e zombando de X-ray of Hands with Keyboard and Mousemim, descontroladamente, com os olhos esbugalhados e totalmente descompassado. Uma expressão assustadora saltava de seu rosto, impingindo pavor em qualquer um que ousasse fitar sua linha de visão malévola.

Ainda no chão, um estalo me chamou a atenção. Olhei para baixo da cama e, bem próximo ao meu rosto, semi-enterrados em uma pilha de roupa suja, disquetes de 3½” estavam se mexendo. Eles forçavam a tampa de seus caixões de plástico bege, caindo sobre os corpos descompostos de disquetes de 5¼”.

Aos tropeções, consegui me levantar e corri para fora do quarto e longe daquele hospício cibernético. Fechei a porta, escorando-a com o corpo. Senti pancadas vindas de dentro, como se algo ou alguém tentasse forçar a porta. Até que tudo ficou quieto novamente.

Fui ao banheiro lavar o rosto, desejando que esse terror fosse embora junto com o suor que a água lavava. De repente, a luz do banheiro apagou e a porta bateu violentamente. O chuveiro elétrico ligou sozinho. E agora? Olho dentro do box para desligar a torneira? Na escuridão não conseguiria ver muita coisa mesmo. Ignorei o chuveiro e tateei meu caminho até uma caixa de fósforos e uma vela. Acendi e pude dar uma olhada ao meu redor. Tentando manter o sangue frio, ignorei a memória DIMM que jazia enferrujada na caixa de velas e fui até o box. Com um chute rápido na porta, meus olhos não acreditavam no que viam: os azulejos estavam totalmente quebrados, revelando carcaças de vários PC 286 emparedados, agonizando e amaldiçoando a obsolescência programada.

Corri para porta do banheiro, forçando-a abrir, apenas para encontrar minha passagem bloqueada por uma velha impressora matricial, barulhenta e sem fita, mas ainda assim tentando imprimir, cuspindo folhas de formulário contínuo. Suas luzes vermelho e verde piscavam frenéticamente.

A última coisa que me lembro é de um ZIP Drive sendo arremessado em minha direção, antes de acordar pairando, nessa forma fantasmagórica, ao lado dos espectros de monitores de fósforo verde.

Não existe mais medo. Uma paz toma conta da meu espírito. E uma enorme vontade de jogar o Telejogo da Philco.

videogame antigo