Após 4 adiamentos, Anatel decide pelo desbloqueio de celulares
Por William Becher em 18/03/2010 - Categorias: notícia, tecnologia

Após adiar quatro vezes a decisão sobre a obrigatoriedade do desbloqueio de celulares no País, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou em reunião na tarde desta quinta-feira que as operadoras terão que desbloquear os aparelhos imediatamente e sem qualquer multa.

De acordo com informações da agência reguladora, a decisão passa a valer assim que for publicada no Diário Oficial da União. A expectativa é de que a orientação do conselho da Anatel seja encaminhado ainda nesta semana para que seja publicada dentro de dez dias.

A Anatel afirma ainda que o pedido do desbloqueio dos aparelhos não induz automaticamente no rompimento dos contratos estabelecidos com as operadoras. Mesmo permitindo o desbloqueio dos celulares, os contratos com as operadoras que preveem anuidades ou pagamentos mensais deverão ser cumpridos normalmente.

Antes, os clientes que solicitavam o desbloqueio para usar o aparelho com chips de qualquer outra operadora eram obrigados a permanecer utilizando o serviço da operadora contratada.

Adiamentos

O presidente do conselho da agência reguladora, Ronaldo Sardenberg, foi o primeiro a pedir vistas do processo ainda no ano passado. Em seguida, de acordo com a Anatel, Sardenberg pediu pela prorrogação do tempo de votação em 45 dias. A terceira adiamento aconteceu por conta do pedido de vista do conselheiro Jarbas Valente. Na reunião do dia 4 de março, foi a vez do conselheiro Antonio Bedran pedir vistas.

Fonte: Terra

No Reino da Imoralidade
Por Afrânio Souza em 17/12/2009 - Categorias: Brasil, editorial

Os brasileiros já não sabem mais como exprimir a indignação Origem e História do Panetonequanto ao comportamento imoral dos políticos em todas as esferas: federal, estadual e municipal. De todos os lados, tanto no governo, como na oposição. Desanimados, chocados, acompanham o noticiário do ultimo escândalo vindo de Brasília, agora envolvendo o Governo do Distrito Federal. Quase todos os membros da cúpula daquele governo foram filmados recebendo dinheiro vivo, inclusive o próprio governador. E diante de provas estarrecedoras que levariam a confissão até traficantes execrados como Fernandinho Beiramar, insistem em jurar inocência, com panetônicas explicações. O que está ocorrendo no Governo do Distrito federal seria classificado como atividade de quadrilha, por qualquer estudante de direito se o caso fosse colocado em prova.

E ainda vem o Presidente da Republica, que desta vez não tem, nem ele nem seu partido, qualquer envolvimento direto ou indireto, dizer que fotos e filmes não são o que parecem. Diz que não deseja julgar. Mas esta afirmação não é um julgamento, é uma defesa. E porque defender quem se encontra enlameado por graves acusações?  Parece mensagem subliminar para a oposição: não condenem meus pecados da mesma forma que não condeno os seus.

Até quando os homens que governam este país, seja no executivo, seja no legislativo, seja no judiciário continuarão a debochar da paciência e da passividade do povo brasileiro? Até quando empresários gananciosos e corruptos irão participar deste botim imaginando que o crime de quem corrompe é menor do que o crime de quem é corrompido?

Todos são culpados.

A primeira culpa vem do setor privado. Do setor privado? Sim, do setor privado. De nada adianta as empresas sérias desenvolverem regras de Governança Corporativa, de ética empresarial, se não reagem contra empresários, dirigentes e administradores das empresas que se lançam na corrupção. Um empresário ou empresa que se entrega a corromper como forma de competir e ganhar mercado, é antes de tudo um mercenário, um bandido que deve ser excluído dos órgãos de classe em que atua, e sua empresa deve receber um rating negativo dado pelo setor privado de modo que nenhum governo sério queira desenvolver negócios com ela. O que os órgãos de classe irão fazer com a empresas do Sr. Paulo Otavio e de todas envolvidas neste escândalo? Culpo o setor privado por sua passividade e por ver grandes empresários honestos do país, como os Gerdau, os Diniz, os Setúbal, os Ermírios sem reação acreditando que isto não os afeta. E como afeta! Reajam empresários, antes que o povo o faça. Se o povo reagir a politicalha irá usá-los como bodes expiatórios.

O segundo culpado é o Judiciário. Lento, preguiçoso, em todos os níveis, burocrático, dando mais valor a formalidade que aplicação da lei. O judiciário brasileiro se transformou no palco ideal dos litigantes sem razão. Não pode mais vigorar o refrão a justiça tarda mais não falha. No século 21, no século da informática, justiça que tarda já falhou. Os membros da cúpula do judiciário estão mais dedicados a construir carreira, a elaborar curriculum de saber jurídico que em distribuir justiça. Ainda no mês de novembro o Supremo Tribunal Federal em decisão inacreditável, eliminou o principio de que decisão judicial não se discute, se cumpre, para decisão judicial não se cumpre, se interpreta. Outro dia num coquetel um empresário que teve terras invadidas pelo MST ao relatar sua angustia ouviu de um juiz de alto cargo no judiciário: Se você não tivesse terras, não teria este problema. Como diria Boris Casoy: Que vergonha! Sabemos que existem exceções. Mas são tão raras que não conseguimos identificar nomes para citação. Hoje, os homens do Judiciário brasileiro mergulharam e habitam um poço profundo repleto de Excelências, de Meritíssimos e de vetustas vaidades pessoais.

Os terceiros culpados são o legislativo e o executivo. A corrupção fundiu estes dois poderes em um só. Não existe mais separação entre eles. Não existe a independência do legislativo pela qual lutou no passado aqueles que contestaram a ditadura militar. Antes o legislativo era submetido ao poder das baionetas do executivo. Agora esta submetido ao poder da corrupção, sendo o executivo o corruptor e o legislativo o corrompido. Elaboração de leis, aprovação de projetos, liberação de verbas, construção de usinas tudo é tabelado e comercializado em milhões de dinheiro vivo. E tudo é apresentado como verba de campanha, apontando a democracia como culpada da desgraça. No executivo devemos excluir do lamaçal o íntegro vice-presidente Jose de Alencar. Desgraçadamente, com tantos para atacar, a doença foi escolher logo o melhor.  No legislativo, depois que a viúva do senador Jéferson Perez apossou-se de verba de viagens do defunto marido temos receio para identificar qualquer exceção, embora elas existam.

Lula_Foto_OficialDesde que o atual presidente assumiu o poder, por seus méritos e de sua equipe econômica, a economia do país só fez melhorar. Mas desde que permanece no poder, por seus defeitos, por sua arrogância rústica e de sua equipe política, que o assessorou e que o assessora, o país tornou-se palco de corrupção permanentemente. Mudam-se os atores mas a peça é a mesma. E assim será até que o futuro elimine esta geração que está no poder e que nos dá nojo.

* * *
(artigo publicado em 10/12/2009 no DCI – Diário do Comércio e Indústria)

Segurança Nacional e o Apagão
Por Antonio Carneiro em 11/11/2009 - Categorias: Brasil, editorial, perigo

commandosPerguntinha rápida: por que investir milhões ou bilhões de dólares modernizando nossas Forças Armadas, comprando aviões de caça, submarinos e tanques de guerra se a derrubada de uma simples torre de transmissão de energia – coisa fácil de se conseguir com um mero grupo de comandos infiltrados em nosso território – é capaz de paralisar o país, deixando quase o Brasil inteiro às escuras por horas?

torre de energiaSerá que não passou da hora de se investir não só na produção de energia, mas também na sua transmissão, dando fim a esse antigo inimigo, o Efeito Dominó? Mesmo estados que produzem energia sofreram bastante com o apagão.

Não sou especialista em segurança estratégica ou em energia elétrica, por isso posso estar falando besteira, mas parece óbvio que alguma coisa no modelo atual está muito errado. Principalmente porque não é a primeira vez que o mesmo tipo de problema ocorre. Vão esperar que um apagão ocorra no meio das Olimpíadas ou da Copa do Mundo pra repensar o modelo atual? Ou vão dar uma de Hugo Chavez e dizer que a culpa foi das donas de casa que insistem em usar o banheiro de noite, sobrecarregando o sistema?

A Volta da Exuberância Irracional
Por Afrânio Souza em 20/10/2009 - Categorias: Brasil, economia, editorial

Em 1996, preocupado com a excessiva valorização das ações do setor chamado “ponto com” e dos demais ativos da bolsa de Nova York que registravam valorização anual superior a 20%, tendo superado a 6.000 pontos, Alan Greenspan, então chairman do Federal Reserve (o Banco Central Americano) cunhou a expressão exuberância irracional para chamar a atenção para a elevada valorização desses ativos.

Após a queda da bolsa no ano seguinte, conhecida como explosão da bolha do setor de informática, o prestígio de guru financeiro mundial de Greenspan cresceu, e esta expressão foi incorporada ao dicionário dos economistas para registrar preocupação com a elevação rápida de cotações das ações nas bolsas mundiais resultantes mais de especulações que de fundamentos econômicos.

Decepcionados com as perdas realizadas nos ativos virtuais “ponto com”, investidores, especuladores e dirigentes gananciosos de instituições financeiras internacionais se voltaram para os investimentos reais do mercado imobiliário, para a especulação com moedas e para as cotações das commodites, lideradas pelo petróleo. Dez anos depois produziram o tsunami financeiro mundial conhecido como a catástrofe das hipotecas americanas, que atingiu o clímax em 2008 quando o crédito e a credibilidade dos bancos internacionais desapareceram do mercado.

O maremoto financeiro atingiu nossas praias econômicas no final de 2008 surpreendendo nossa economia em crescimento de 6% a.a. reduzindo para apenas 1,5% o crescimento do quarto trimestre. O índice Bovespa que encerrara 2007 registrando 63.881 pontos, em dezembro de 2008 era de apenas 37.550.  Uma queda de 70%. Em 2009, após todo o esforço público e privado, o PIB estimado oscila entre 1% e 1,5%. Infelizmente não foi uma marolinha.

Governos de todos os países tiveram que injetar bilhões de dólares de seus contribuintes para salvar instituições agonizantes e reduzir os efeitos da recessão mundial. O Banco Central Brasileiro também fez o mesmo ,não para salvar bancos, mas para afastar a recessão.  O mundo econômico recebeu 2009 debaixo de pânico.

Entretanto, a  crise encontrou o Brasil em posição diferenciada em relação às economias dos demais países. A  dívida externa menor e sob controle, reservas elevadas e o saldo da balança comercial favorável.  Por isso, a crise mundial trouxe menos danos ao país que as crises econômicas localizadas da década de 90 que ficaram conhecidas como crise do México, crise da Rússia, etc. A analise da situação econômica brasileira saiu dos cuidados do FMI, a quem havia sido pago antecipadamente nossa dívida, e passou para as mãos das agências internacionais de classificação de risco que nos atribuíram o grau de investimento seguro.

A liberação de recursos do compulsório para os bancos, a queda das taxas de juros praticada pelo Banco Central  e a redução temporária de impostos federais para a indústria automotiva e linha branca foram ferramentas essenciais para alavancar a economia. E passado o primeiro trimestre de 2009 o mundo se voltou para o Brasil como porto preferencial para investimento.

Esta credibilidade eufórica resultou na entrada de recursos externos para a Bovespa, insignificantes para o caixa dos investidores externos, mas abundantes para o tamanho de nossa economia e de nosso mercado de capitais.  Os índices e as cotações das ações na Bovespa explodiram. A título de exemplo, registramos a seguir a variação do índice Bovespa, das cotações de três ações essenciais para nosso mercado e a entrada de recursos externo na bolsa.

ScreenShot001

Os números demonstram que embora se tratem de empresas internacionais de excelente qualidade, a evolução das cotações está  mais vinculada à entrada de recursos externos no mercado que aos resultados econômicos das companhias. Se isto ocorre com empresas de rentabilidade diferenciada podemos concluir que o mesmo está ocorrendo com todas as cotações do mercado. Não há fundamento econômico sólido, não há expectativa de lucro suficiente para sustentar e remunerar no futuro próximo os preços que estão sendo praticados. A melhor justificativa está no volume dos dólares que estão sendo aplicados na bolsa de valores demonstrado no quadro anterior e cuja permanência é tão volátil quanto as cotações.

Se você conversar com qualquer profissional de mercado, analista, investidor ou especulador,  sairá com sentimento de que todos estão na expectativa de uma realização de lucros, que é mais um eufemismo para queda nas cotações. Bolha, credibilidade eufórica, realização de lucros, tsunami ou qualquer adjetivo que se pretenda usar,  o que se pode concluir é que a exuberância irracional de Greenspan está de volta. Os preços não deverão voltar aos valores da queda de 2007, mas quanto maior for a exuberância, mais penoso será o despertar.

PS: Este texto foi escrito em 18/10/09, antes da taxação da entrada do dólar e da subsequente queda da Bolsa de 20/10.

Eu Estava Errado…
Por Antonio Carneiro em 20/10/2009 - Categorias: editorial, inutilidade

Sera que eu estava errado* Por vários anos eu deixei de comer Diamante Negro porque coloquei na minha cabeça que ele era chocolate meio-amargo. Eu estava errado.

* Eu achava que a mega-inflação no Brasil nunca ia acabar. Eu estava errado.

* Eu achava que jamais iria conseguir aprender inglês. Eu estava errado.

* Eu acreditava que alguns políticos poderiam ser diferentes. Eu estava errado.

* Eu me recusava a assistir ao filme Ghost quando todo mundo só falava dele, porque aquela “hype” me irritava e o filme parecia estúpido. Eu estava errado.

* Eu acreditava que Star Wars – Episódio I seria excelente, um verdadeiro presente para os fãs da trilogia original. Eu estava errado.

* Eu achava que a essa altura da vida poderia instalar o joguinho Civilizations III no laptop para uma partida curtinha, sem gastar o dia todo grudado no jogo. Eu estava errado.

* Eu achava que manter um blog sério e interessante, atualizado constantemente com material inédito, não seria muito complicado. Eu estava errado.

* Eu pensava que o blog teria vida e alcance curtos, sendo visitado somente pelas pessoas que eu já conhecia. Eu estava errado.

Como vocês podem ver, nem sempre estar errado é algo ruim. Às vezes é positivo, às vezes negativo.
E vocês, já perceberam que estavam errados sobre alguma coisa? Foi bom ou ruim estarem errados?

Notícia comentada: dia mundial sem carro
Por Antonio Carneiro em 22/09/2009 - Categorias: campanha, carros, ecologia, editorial, notícia

proibido_carroCom o objetivo de estimular a adesão dos cariocas ao Dia Mundial Sem Carro (22), a prefeitura do Rio anunciou que proibirá o estacionamento em um determinado trecho do centro da cidade, onde 510 (8,5%) das 6 mil vagas oficiais serão restringidas. (Yahoo)

Dois comentários:

1 – Não vejo muita novidade: pra mim todo dia é o “dia sem carro”.

2 – Se a prefeitura quer realmente incentivar o uso de transporte público e desestimular o carro, deveria proibir o trânsito de carros e caminhões nas ruas internas do Centro do Rio, aquelas com piso de paralelepípedo. Aliás, poderia aproveitar para trocar essa pedras terríveis, que causam tornozelos torcidos e saltos quebrados, por um grande calçadão para os pedestres.

Notícia comentada: Saidinha de banco
Por Antonio Carneiro em 25/08/2009 - Categorias: Brasil, Violência, notícia, perigo, política

Sempre acreditei que para resolver um problema basta existir a vontade de resolvê-lo. Claro que algumas questões são mais complexas que outras, mas o que quero dizer é que as pessoas assumem que certas coisas “são assim mesmo, não tem jeito, é a vida…” e assim o problema continua ou até se agrava.

bancoO golpe da “saidinha do banco” já é antigo e existe por todo o Brasil: o sujeito saca uma boa  quantia no caixa e logo na esquina do banco é abordado por ladrões que vão direto onde o cara guardou o dinheiro. Não precisa ser Sherlock Holmes para saber que existiam pessoas da quadrilha dentro do banco observando o movimento. Talvez o próprio caixa, o segurança ou alguém se passando por cliente.

Como os assaltos acontecem na rua, os bancos não dão a mínima. Jamais indicaram ter qualquer preocupação com a segurança dos seus próprios clientes.  Pelo menos os comuns, porque os VIPs são atendidos em áreas especiais, agências diferenciadas ou na própria casa. Eles devem acreditar que o problema da maioria dos  seus clientes deve ser deles mesmos ou então do governo.

E o governo, enquanto isso, faz o que os governos fazem melhor: nada.

Todos menos um: pelo menos o  governo municipal de João Pessoa, na Paraíba, saiu da letargia e aprovou e fez cumprir (essa parte é importante!) novas leis para dividir com os bancos a proteção de quem vai sacar dinheiro.

Desde abril, os bancos foram obrigados a ampliar o sistema de vigilância com câmeras: Toda agência tem que ter, no mínimo, três câmeras em torno do banco. Isso pode não impedir o assalto, mas pelo menos o meliante fica gravado e a polícia pode identificá-lo. Os próprios seguranças do banco podem chamar a polícia se avistar o bandido nas imediações.

Outra medida importante foi a instalação de painéis de quase dois metros de altura. A divisória separa o ambiente dos caixas e a fila de espera. O painel oferece mais sigilo e tranquilidade para quem vai sair do banco com muito dinheiro. Se o cliente ainda for assaltado em uma “saidinha” o cúmplice mais provável é um dos caixas  (ou uma das pessoas que estavam sendo atendidas, mas isso seria mais difícil).

Finalmente, a lei ainda proíbe o uso de celular na área de espera. Dessa forma, mesmo que ainda tenha algum mau elemento desconfiando de que alguém esteja sacando muito dinheiro, fica mais difícil ele avisar aos seus comparsas.

São três medidas simples. Tão simples que a gente acha que não devem surtir muito efeito. Entretanto, bastou essas medidas para que este tipo de crime em João Pessoa caísse cerca de 90%!

Atitudes simples podem resolver muitos problemas. A solução para este problema parece ter sido encontrada por João Pessoa. O que os outros municípios ou o próprio Banco Central estão esperando para tornar essas medidas nacionais?

Os bancos, infelizmente, só vão se movimentar caso sejam obrigados por lei ou se passarem a ser responsabilizados na Justiça, tendo que indenizar clientes assaltados.

Fonte da notícia: O Globo

Vamos Privatizar a Dívida Pública?
Por Afrânio Souza em 20/08/2009 - Categorias: Brasil, economia, editorial, política

JustiçaA dívida pública que nos interessa é aquela que transita pelo poder judiciário. Milhares de ações transcorrem hoje na justiça em que o Estado é réu condenado por desapropriações não pagas, por indenizações trabalhistas individuais ou coletivas não atendidas ou por contratos não cumpridos. Para não desembolsar o pagamento devido governantes, através de recursos protelatórios, adiam indefinidamente o cumprimento das decisões judiciárias.  Praticam as mais indecentes chicanas processuais, buscando transferir a obrigação para os governos seguintes.

Os governos substitutos procedem da mesma forma, atulhando o judiciário e prejudicando os legítimos interesses de credores espoliados. Depois de longos anos de luta jurídica os processos chegam ao fim com a dívida inicial multiplicada várias vezes em decorrência de juros, honorários e penalidades por litigância de má fé. São os famosos precatórios. Esta dívida do poder público federal, estadual e municipal chega a bilhões de reais.

Os credores envelhecem, tornam-se milionários virtuais e miseráveis reais, sem recursos para pagamento dos processos enquanto os escritórios jurídicos e os intermediários de soluções esdrúxulas se tornam sócios majoritários de uma dívida com o dia de pagamento cada vez mais distante e a morte cada vez mais perto. Mesmo com ordem judicial para pagar sob pena de intervenção federal os governantes a desprezam, cometendo dois delitos: o de mau pagador e de desrespeito pela justiça contribuindo para o descrédito do judiciário perante a população. O Estado de São Paulo, o mais rico da federação, lidera a lista do deboche não pagando nem juros nem amortização desde 1999, isto é, há 10 anos.

É possível privatizar esta dívida pública?

É possível os governos limparem esta mancha de maus pagadores sem gastar um centavo do erário? Haverá no mercado investidores tresloucados capazes de comprar esta dívida que terá como beneficiados credores descrentes e, sobretudo os políticos que encontrarem e aplicarem a solução para o problema?

Sim. É possível privatizar esta dívida pública e certamente esta é uma espécie de privatização que até o PT lutaria por ela, pois beneficiara milhares de brasileiros credores de precatórios trabalhistas, depositaria milhões de votos nas urnas e elegeria muitos políticos.

O Estado brasileiro, nos três níveis de administração (federal, estadual é municipal) é ao mesmo tempo o maior devedor e o maior credor do setor privado.

Falamos da dívida. Vamos apresentar agora os créditos.

O governo federal luta na justiça para receber dívidas fiscais de impostos federais, de contribuições devidas ao INSS, penalidades aplicadas por órgãos fiscalizadores Receita Federal, CADE, CVM, Ibama, etc. Muitas vezes estas dívidas são renegociadas com o setor privado em diversos tipos e modalidades de REFIS, nunca pagos, permanentemente renegociados e sempre protelados. Os governos estaduais são também credores de altos valores decorrente de ICMS, a principal renda dos estados. E as prefeituras são credoras dos tributos municipais como IPTU e ISS. Estes créditos somam bilhões de reais.

Os devedores privados pessoas físicas e jurídicas, principalmente por falta de recursos, tratam o Estado da mesma forma como ele trata seus credores privados. Através de longas demandas jurídicas, usando os mesmos processos aplicados pelo Estado adiam, protelam e não pagam.

“Menos com Menos dá Mais”

O poder público e a iniciativa privada estão diante de um dilema em cuja solução cabe a aplicação do principio matemático em que menos com menos resulta mais.  Muitos devedores estarão dispostos a pagar e até mesmo a liquidar a dívida com o Estado se lhes fosse dado um desconto que reduzisse a dívida a proporção de sua capacidade financeira. Muitas empresas em estado falimentar e sem comprador devido ao seu passivo fiscal poderão ser negociadas. Por outro lado, os credores dos precatórios estão dispostos a dar bons descontos que permita receber seu crédito à vista enquanto ainda estão vivos.

Há, portanto, condições de se criar um programa de Privatização da Dívida Pública através do qual o Estado aceite em pagamento de seus créditos junto ao setor privado valores da sua dívida adquirida no mercado pelos devedores.

Embora fácil de entender o grande benefício desta proposta, sua implantação exige o cumprimento de regras legais, de segurança de administração do processo que envolverá instituições públicas e privadas.  Será a repetição do programa de privatização realizado com sucesso na década de 90.

Como funcionaria a Privatização da Dívida?

O programa pode ser assim resumido: O BNDES, o CETIP e a Bolsa de Valores – pela participação e contribuição que tiveram na privatização – serão os atores do projeto. Ao BNDES caberá estabelecer e coordenar as regras básicas do programa, definindo quais dívidas do poder público serão aceitas como moeda para pagamento dos créditos do Estado (INSS, Refis, etc.). A fim de estimular a compra preferencial das dívidas conhecidas como precatórios alimentares, seria estabelecido que os créditos do Estado pagos com esta dívida sofrerão um desconto ou deságio em favor do pagador.

bovespaA dívida do Estado aceita como pagamento seria controlada pelo CETIP, que já realizou esta função no programa de privatização. Uma vez custodiada no CETIP, os certificados seriam leiloados em Bolsa pelos credores ao preço de mercado com pagamento à vista. Credores que desejassem receber mais rapidamente poderão dar desconto ou deságio em favor do comprador. O mercado rapidamente estabelecerá o valor real de cada crédito.

Os compradores desses títulos de dívida pública seriam os devedores do Estado ou investidores que desejassem adquirir empresas com elevado endividamento fiscal. Ao tornar-se credor e devedor do Estado simultaneamente, o arrematante do crédito apresentará o certificado ao Estado,  que dará baixa tanto em sua dívida quanto em seu crédito junto ao setor privado.

Como dissemos antes, embora muito simples, esta proposta exige regras pré-estabelecidas bastante claras, controle detalhado das operações e experiência dos profissionais para executar o programa. Onde estão agora os profissionais do BNDES que coordenaram o programa de privatização?  Material humano o Governo Federal já possui. Em 2010 haverá eleições presidenciais. Aí está um bom projeto para os candidatos.

A Taxa Selic pode ser 6% ao ano
Por Afrânio Souza em 07/08/2009 - Categorias: Brasil, economia, editorial

Em 27 de fevereiro de 2008, escrevi um artigo em minha coluna no jornal DCI com o título “A taxa Selic pode ser 8,25% ao ano. Na época a taxa estava em 12,75% e o Banco Central, sob pretexto de conter a demanda para evitar a inflação, administrava mais um ciclo de aumento periódico da taxa Selic.

E-mails chegaram a minha caixa eletrônica criticando o percentual do artigo, não os argumentos nele apresentados. Parece ser característica de alguns economistas e analistas econômicos que vivem dando palpites diários sobre o porquê a bolsa subiu, o porquê o dólar caiu, opiniões rápidas que não interessam nem aos profissionais de investimento e menos ainda ao publico alheio à economia. Como diria o esclarecido Delfim Netto, se preocupam com bobagens passageiras e não se aprofundam na análise dos eventos passados e atuais que construirão a realidade futura.

Na semana passada, o Copom reduziu a taxa para 8,75% e não fico nem um pouco satisfeito em ver a previsão acontecer. Demorou muito e a nação pagou juros desnecessários pela lenta mobilidade da autoridade monetária. “Ah, mas o Banco Central precisa ser conservador”. Não, não precisa ser nem conservador, nem audacioso, precisa ser competente. O Dr. Meirelles está condenado a ser o Alan Greenspan de amanhã (vide post anterior Greenspan e Meirelles).

Crise Mundial

Na verdade, o Banco Central somente baixou aceleradamente a taxa Selic como resultado da crise econômica mundial e seu impacto interno. Da mesma forma, o Governo Federal reduziu os impostos do setor automotivo e da linha branca preocupado com queda na produção e o desemprego. Os impostos foram reduzidos de forma provisória, informa o Governo. Pois ele irá colher frutos provisórios e passageiros. De qualquer forma, a crise econômica mundial resultou, ainda que temporariamente, em grandes benefícios para o Brasil. Queda de juros e redução de tributos, no Brasil! Quem poderia imaginar. Bendita crise mundial. Você leitor, já ouviu alguém escrever isto. Pois repito: Para o Brasil, bendita crise mundial.

A taxa Selic e os impostos caíram e a economia respondeu positivamente. São os fundamentos de nossa economia – e não a crise mundial – que garantem esta atitude do Governo. Os fundamentos são a baixa inflação, o aumento de renda da população, a produtividade industrial, a liberdade no fluxo do comércio internacional. Não é a crise econômica mundial. Se fosse a crise econômica, nossa vizinha Argentina também poderia se beneficiar dela. Como os Kirchners adotaram o populismo do calote internacional e a punição dos produtores como política, a crise econômica só serviu para agravar tanto a economia daquele pais como a impopularidade dos demagogos.

Mas não devemos festejar os bons ventos que vivemos por muito tempo, pois o Banco Central avisa que irá parar com a queda da taxa Selic. Que argumentos usa para adotar esta posição?

Selic: Reduzir ou Aumentar?

O Banco Central informa que se baixar mais a taxa Selic terá que mexer na remuneração da poupança para não concorrer com a rentabilidade dos fundos de investimentos e da captação dos bancos. Desde quando a taxa Selic passou a ser instrumento de remuneração para competir com a poupança ou garantir rentabilidade para produtos financeiros bancários?! A taxa Selic deve ser usada como um dos instrumentos para controlar inflação.

E porque mexer na rentabilidade da poupança? A única medida financeira aplicável será retirar a remuneração da TR com o objetivo de desindexar os ativos financeiros, o que nossa situação econômica permite deste 2007.  A rentabilidade da poupança pode ser de 6% ao ano e será totalmente compatível com uma taxa Selic inferior, de 5 ou 4% ao ano. Os bancos que gozam de elevados spreads (diferença entre taxas de juros que pagam pelas aplicações dos clientes e a taxa de juros que cobram dos empréstimos) podem aumentar a remuneração de seus produtos dentro de um limite que lhes permita usufruir com segurança lucros saudáveis. Tratem de competir entre si e não de viver à custa de uma imerecida proteção financeira do Banco Central.   Não somos contra os bancos, nem contra os juros. Somos contra os juros e os serviços extorsivos e de má qualidade prestados pelos bancos aos clientes.

Neste fim de semana, o caderno econômico do Estado de São Paulo divulgou que o Banco do Brasil está reduzindo a taxa de administração de 5 fundos por ele administrado de 5,5% para 4% aa (BB, Renda Fixa LP 100). Isto é, o Banco do Brasil cobrava quase o rendimento anual da poupança para administrar dinheiro de seus clientes que é aplicado em grande parte em títulos do governo. Se o Banco do Brasil pratica estas taxas imagine os bancos privados. É por isso que não querem que a taxa Selic caia. Os bancos precisam deixar de mamar nas tetas financeiras do tesouro (antiga frase do Delfim Netto) e emprestar dinheiro para o setor privado a taxas maiores, bem maiores que a Selic. Quando assim procederem a taxa Selic não será razão de preocupação. Mas isto exige estrutura, e trabalhar é muito mais difícil que ganhar dinheiro rápido e seguro nas mesas de operações financeiras.

Dívida Pública

Argumenta-se também que se o Governo baixar muito a taxa Selic não haverá investidores para comprar títulos do tesouro e financiar a dívida pública. Quem defende esta tese ignora boas regras econômicas e desconhece a realidade da economia brasileira. Ao contrário, nossa dívida interna esta crescendo menos pela necessidade de caixa do Governo, e mais por aplicações financeiras especulativas internas e externas e mais, mas muito mais, pelas altas taxas pagas no Selic. Mesmo que os juros caiam até6% ao ano, considerando a credibilidade internacional do país, investidores preferirão receber 6% pagos em Real que 14% pagos em Bolívares Venezuelanos ou 18% pagos em Pesos Argentinos. É para isso que recebemos o chamado grau de investimento das agências de risco. Por outro lado, as reservas brasileiras em dólares estão superiores a dívida pública em dólar. Temos portando espaço e facilidade para ampliar nossa dívida externa. Como no momento as taxas de juros internacionais estão baixas e nossas taxas internas estão elevadas, se o Banco Central administrar com eficiência, a dívida pública deveria ampliar a dívida externa e reduzir a dívida interna. Se ter reservas em dólar passou a ser perigoso, ter dívidas em dólares tornou-se precioso. Por isso pagar taxas elevadas no Selic é jogar fora o dinheiro dos impostos. O dia em que o Lula fizer conta e descobrir que com a economia dos juros ele poderá ampliar a dotação de sua demagógica e bem sucedida Bolsa Família, ele vai ficar tiririca com a equipe do Copom.

Finalmente, recomenda-se que o Banco Central deve evitar baixar a Selic para não ter que elevá-la logo depois. Eis aí outra bela tolice econômica. É tolice, mas é bonita.  A cotação do dólar pode flutuar, as cotações das commodites flutuam, a Bolsa flutua, a própria taxa de juros também flutua e por que a taxa Selic não pode flutuar?! Ela deve baixar enquanto a economia suportar e precisa aumentar quando a economia exigir.

A inflação prevista para o ano é de 4,5% aa. Portanto a economia suporta uma taxa Selic de 6% durante o exercício de 2009. Que venha o crescimento econômico. “Ah, mas o crescimento econômico vai gerar inflação”. Não, não vai. Se fosse assim a inflação na China seria de 2.000% ao ano.

Atualizações I
Por Antonio Carneiro em 16/06/2009 - Categorias: blog, editorial

Para quem só acompanha o NewsErrado pelos Feeds, ou que só lê os posts na página principal e não se aventuram a explorar o blog, uma dica: atualizamos recentemente a aba (página) Política de Privacidade. Agora, ela se chama DECLARAÇÕES LEGAIS e inclui além da política de privacidade padrão, nos termos exigidos pelo Google Adsense, um texto nosso chamado DIREITOS AUTORAIS. Sem mais delongas, reproduzo esse texto abaixo, para conforto do público que lê o blog pelos feeds:

“Nem sempre conseguimos saber a origem das imagens utilizadas no NewsErrado, mas sempre que temos conhecimento, a divulgamos, seja através de link direto ou mencionando a fonte. Isso dá mais credibilidade ao blog, além de respeitar os profissionais e artistas autores das obras mencionadas.

Não somos uma revista profissional, um jornal comercial ou mesmo um portal empresarial. Criamos e mantemos o blog por hobby e não por dinheiro. Trabalhamos em áreas distintas, nenhum da área de comunicação. Estamos aprendendo através de nossas próprias experiências, acertando e errando. Assim, em alguns posts, especialmente os mais antigos, talvez exista algum material sem a menção correta dos créditos.

Caso você encontre aqui algum trabalho (fotografia, ilustração ou papelmodelismo, por exemplo) que seja seu e não esteja devidamente creditado, por favor, entre em contato conosco para que possamos regularizar a situação, seja retirando o trabalho ou atribuindo o crédito.

Da mesma forma, nós (editores do NewsErrado), criamos muito material inédito, escrevendo textos, fazendo análises sérias ou jocosas, divulgando notícias e curiosidades, entre outros conteúdos.

Algumas vezes nos deparamos com cópias apócrifas de nossos posts pela internet, e se isso já aconteceu com algum trabalho seu, você deve saber como isso pode irritar. Entretanto, quando reproduzem nosso trabalho citando a autoria, de preferência fazendo um link para o material original, nos sentimos lisonjeados. É até uma recompensa pelo nosso trabalho, saber que as outras pessoas gostaram e estão passando adiante.

Em resumo, pedimos que ao utilizar algum material nosso, faça o link para a origem. E se encontrar aqui algo que você tenha produzido sem o devido crédito indicado, fale com a gente para corrigirmos.”

Notícias Comentadas
Por Antonio Carneiro em 04/05/2009 - Categorias: editorial, futebol, notícia

A gripe suína, para não ofender nem os porcos e nem os mexicanos, acabou sendo batizada oficialmente de Gripe A.

Bem, eu me sinto extremamente ofendido, uma vez que meu nome começa com a letra A.

É difícil arranjar um nome politicamente correto para uma doença. É como mudar um nome de rua: sempre aparece um herdeiro desconhecido para reclamar.

Podiam usar um ícone como nome da gripe e chamá-la de “A gripe anteriormente conhecida como Suína”.

Ou fazer um concurso mundial para escolher o novo nome. O vencedor ganharia um kit de máscaras anti-gripe e 10 mil reais em barras de ouro. A foto do vencedor segurando um “cheque tamanho gigante” seria divulgado pelo SBT por 2 meses.

* * *

Flamengo e Corinthians ganharam seus campeonatos estaduais.

Bem, tiro 3 conclusões daí:
- Os times que tem as duas maiores e mais populares torcidas do país foram campeões? O governo vai ter uma ótima taxa de aprovação e pode se dar bem nas próximas eleições. Panem et Circenses.

- A contratação do Ronaldo pelo Corinthians, embora tenha sido alvo de muita controvérsia e crítica, acabou sendo um bom investimento. Isso mostrou também que mesmo velhos e fora de forma os jogadores que atuam lá fora estão bem à frente dos pernas de pau que ficaram “atolados” aqui. Em breve o Campeonato Brasileiro ficará igual aquela competição que a Band chegou a organizar uma época: Futebol Masters.

- O título do Flamengo, independente dos gols contra e dos penalties perdidos, foi legítimo. E ensinou uma lição: vale a pena jogar sujo com o adversário. Driblou, tem talento? Baixa o sarrafo no desaforado pra ele aprender. O Juan, que agrediu física e verbalmente o adversário, não foi punido (um mero cartão amarelo não é nada), já o jogador agredido, Maicossuel, levou um “vermelho”: saiu naquele jogo e ficou fora da última partida.
Sem uma punição adequada, esse tipo de comportamente se repetirá, não apenas por parte do Juan, mas de todos que aprenderam a lição. E pior, essa lição será carregada para fora das quatro linhas, pelos torcedores que viram que a Lei do Mais Forte, a Lei de Gérson ainda reina impunimente: “Tá me atrapalhando, otário? Toma pra aprender!”

Eu acho que o jogador agressor deveria ficar de fora do futebol pelo mesmo tempo que o agredido ficar. Quebrou o joelho do adversário, que ficará 1 ano fazendo cirurgias e tratamento? O agressor também fica suspenso por 1 ano. Está é minha teoria.

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes
Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina

Powered by WordPress | Blue Weed by Blog Oh! Blog - Modificado por NewsErrado.com | Posts (RSS) e comentários (RSS).