happy accidents
Por Letícia Paviani em 19/03/2010 - Categorias: arte, fotografia

Estava dando uma olhada em uns blogs de assunto de moda, e no meio deles achei essas fotografias bem interessantes…

matt stuart é o autor destes “happy accidents”

Fonte: Da Groselha

Políticos Corruptos. Militares Heróis – Parte Final
Por Afrânio Souza em 14/03/2010 - Categorias: Brasil, polêmica, política

Esse post é uma continação de Pelegos Corruptos, Militares Golpistas.

Tancredo e Sarney

Em 1985, por eleição indireta foi eleito presidente Tancredo Neves, um político mineiro moderado, hoje conhecido como avô do atual governador de Minas, Aécio Neves. Assim como uma renúncia lunática colocara um presidente fraco no poder em 1962 – João Goulart – outro acidente fatal levou Tancredo e assumiu o seu vice-presidente, José Sarney que nos primeiros anos de seu governo foi tutelado por Ulysses Guimarães.

Liderando o PMDB, Ulysses se julgava no direito de ser presidente, mas fora preterido por Tancredo. Por sua vez ,José Sarney fora presidente da Arena, partido de apoio aos militares até nas vésperas das eleições indiretas. Para transmitir tranqüilidade aos militares no período de transição Tancredo o aceitara como vice.  Era como se o tempo tivesse voltado 20 anos atrás, quando os líderes políticos eram chamados de raposas.

Deste triângulo Tancredo talvez fosse não apenas o mais moderado, mas também o mais sagaz. Mas não o suficiente para driblar a morte. Sarney que assumira o controle do Maranhão durante o período dos governos militares como homem de confiança do regime, aos poucos, com o poder da caneta, foi diluindo a influência de Ulysses. Sarney abriu as portas da corrupção administrativa e com seus pacotes econômicos fracassados liberou o dragão inflacionário. Saiu do governo desacreditado como governante em conseqüência da inflação e da corrupção.

Fernando Collor e Itamar Franco

Collor, o breve, assumiu o governo com a tríplice bandeira de combate à corrupção, à inflação e aos marajás, funcionários de elevados salários. Renunciou e teve seus direitos políticos cassados sob acusação de corrupção. A inflação descontrolada e um projeto de privatização incompleto foi a herança que deixou para o sucessor.

Itamar Franco foi um presidente emburrado. Tancredo Neves dizia que ele guardava seu rancor na geladeira para conservá-lo por mais tempo. Depois dos planos fracassados de Sarney e de Collor e da corrupção que envolvia o executivo e o legislativo (escândalos dos anões do orçamento) tinha pouco espaço para aventuras. Tendo Collor privatizado a Usiminas, menina dos olhos dos mineiros, Itamar decidiu que a CSN dos cariocas e a Cosipa dos paulistas também deveriam ser privatizadas. O grande sucesso de seu governo foi a elaboração do Plano Real, o último pacote econômico – que foi o último por ter dado certo. Só por este trabalho Itamar merece reconhecimento nacional.

Fernando Henrique Cardoso

O Plano Real controlou a inflação e elegeu seu sucessor Fernando Henrique Cardoso.  Mais por falta de alternativas que por filosofia política, Cardoso, um culto professor universitário, abraçou o programa de privatização e tomou medidas firmes para combater a inflação.  A mosca azul de Machado de Assis que picara os militares também o picou e ele apoiou a reforma da constituição para obter um segundo mandato, atitude pouco democrática que se tornou hábito dos governos sul americanos.  Seu segundo mandato não repetiu o brilho do primeiro, acusações não provadas de corrupção tornaram-se manchetes. Teve que enfrentar crises econômicas externas e crises internas em conseqüência da fragilidade do sistema financeiro não estar preparado para operar em economia de baixa inflação. Lançou o Proer e deixou como herança baixa inflação, sistema financeiro recuperado e dívida externa sob controle. Sua popularidade em decadência quando deixou o poder continuou em declínio.

Embora o povo sempre goste dos políticos demagogos e distribuidores de benefícios para que seus sucessores paguem a conta – o que FHC não fez – político sem popularidade é político morto. Por isso, os políticos brasileiros em sua maioria não se envergonham da corrupção, se entregam a ela, arrecadam recursos ilegais, indicam apadrinhados para cargos públicos como o atual presidente do Senado, pagam horas extras para funcionários em férias, distribuem cestas básicas, fazem de tudo para comprar esta tal de popularidade.

Lula

E finalmente em 2002, quase 20 anos depois da saída dos militares do poder, os brasileiros fizeram como os chilenos que elegeram Alende ou como os franceses que elegeram François Mitterrand, isto é, políticos que perderam varias eleições em seus países antes de serem eleitos.  Elegeram Luis Inácio Lula da Silva que haviam sido derrotado três vezes.  A decepção foi maior para aqueles que votaram nele que a surpresa para os que não votaram e continuam não votando.

Quem o elegeu aguardava um governo que estatizasse as empresas privatizadas. Esperavam que colocasse os salários na estratosfera, que não pagasse a dívida externa e baixasse os juros. Que combatesse a corrupção, que eliminasse o nepotismo e que fizesse a reforma agrária.  Ele não fez nada disso.

Manteve a mesma política econômica de seu antecessor chamando-a de herança maldita. Não concedeu aumentos salariais descontrolados e os juros permaneceram elevadíssimos. Para desespero dos esquerdistas, pagou a dívida externa. No primeiro mandato encheu o governo de amigos que haviam perdido eleições. No segundo mandato evitou repetir o erro. Mas sobre a corrupção… não vê, não houve e nem fala. Apenas a deixa livre, solta e airosa.

Aliou-se a antigos adversários acusados de corrupção em troca de apoio político. Assistiu a queda das lideranças de seu partido afastada por corrupção, seu braço direito foi cassado pelo congresso, processos estão abertos acusando seus companheiros de formação de quadrilha e nada o preocupa. Com a popularidade nas nuvens ele paira acima do bem, mas vive dentro do mal.

Desde 1985, nem mesmo no Governo Sarney, houve tantos atos de corrupção na mídia seja do executivo, seja do legislativo e até de governos da oposição.  Durante o segundo governo de Vargas, o jornalista Carlos Lacerda cunhou uma expressão para definir este estado de coisas: Mar de Lama. Mas o que acontece hoje é muito pior. Estamos vivendo em uma cloaca e dentro dela corre o sangue da democracia.

Democracia, Governos Civis e os Militares

Toda vez que um político é preso com dólares na cueca, que é filmado colocando dinheiro na meia ou em bolsas femininas, todas as vezes que um vídeo mostra um governador deitado em sofá estendendo a mão para receber o envelope do suborno, todas as vezes que um presidente declara que a imagem não prova nada, a democracia recebe uma punhalada.

O Brasil quer ser uma potência emergente, mas nunca será. A América é uma potencia e lá existe corrupção. Mas quem for pego vai para a prisão e perde o fruto do roubo. O Japão é uma potência, mas o corrupto é punido e muitas vezes se mata de vergonha. A China pretende ser potência, mas lá os corruptos são fuzilados.  Não existe possibilidade de um país se tornar potência enquanto nele o crime político compensar.

E os militares? Os militares do presente permanecem condenados pelos erros do passado. Erros que não cometeram. Tem soldos congelados. Faltam verbas essenciais para alimentação dos soldados. Por economia, os convocados são dispensados. Equipamentos necessários para a segurança nacional lhes são negados. Quando fazem pareceres técnicos sobre qualidades de aviões de combate são obrigados a refazê-los em silêncio para atender compromissos e negociações desconhecidas.  Enquanto os políticos de esquerda tripudiam sobre o passado, os militares estão cumprindo missões de paz no estrangeiro. Lá no Haiti o terremoto matou 18 militares. Os corpos dos heróis são expostos em salões e a simpatia popular começa a fluir, enquanto o ex-exilado José Dirceu, atualmente cassado, desenvolve atividades de consultoria e missões sorrateiras.

Não desejamos ver os militares humilhados, mas também não queremos vê-los novamente no poder. Os políticos de bom senso que devem existir neste pais devem agir enquanto há tempo. Não é possível suportar tanta corrupção. Os poderes legislativo, executivo e até mesmo o judiciário estão permanentemente falhando no cumprimento de suas obrigações básicas.  Não há democracia que resista por muito tempo. Se a corrupção não for combatida o passado pode voltar e…. existe gente que já o prefere, mas não o autor deste artigo.

Pelegos Corruptos. Militares Golpistas – PARTE I
Por Afrânio Souza em 05/03/2010 - Categorias: Brasil, polêmica, política

Este artigo se destina a todos os brasileiros nascidos a partir de 1964.

Atualmente não há quem defenda os militares que governaram o Brasil durante 20 anos, entre 1964 ate 1984. Nem mesmo entre os que os apoiaram. Mas por que os militares assumiram o governo? Contra o que lutaram e qual foi a reação da população diante do golpe que terminou com o governo do Presidente João Goulart em 1964 quando faltava apenas um ano para seu término e para as eleições que certamente teriam elegido em 1965 Juscelino Kubitchek?

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Notícia Comentada: Sport x Globo
Por Antonio Carneiro em 12/02/2010 - Categorias: esporte, futebol, notícia, polêmica

Notícia

O presidente do Sport, Sílvio Guimarães, fez a promessa antes mesmo de o Flamengo bater o Grêmio por 2 a 1, no início de dezembro, no Maracanã, e conquistar o título do Brasileirão 2009: processaria a todos aqueles que tratassem os cariocas como hexacampeões nacionais.

“Nós ingressamos com uma ação cautelar para que a Rede Globo seja obrigada a apresentar todo o material dos programas jornalísticos dela do período em que houve a definição do Campeonato Brasileiro do ano de 2009″, confirmou o vice-presidente jurídico do Leão, Eduardo Carvalho, em entrevista à Rádio JC/CBN.

“Depois de examinarmos esse material e chegarmos a conclusão de que houve um prejuízo a imagem e a reputação do Sport e um prejuízo também material em função dos nossos contratos de publicidade, deveremos entrar com uma ação, essa sim indenizatória, e um pedido de reparação, pois pouco importa o que os mal informados falam sobre o título de 87. Uma coisa falsa não pode virar verdade”, emendou.

Fonte: Yahoo Sports

Comentário

Não vou perder muito tempo comentando essa polêmica, porque eu já abordei esse assunto no post em que parabenizei o Flamengo pelo seu Penta-Campeonato.

Mas achei a notícia relevante, pois está na hora mesmo de terminar com essa polêmica de uma vez por todas. É ridículo dois times se auto-proclamarem campeões, um tendo apoio de parte da mídia e outro das autoridades desportivas. Como dizia o Highlander, só pode haver um! Que essa polêmica termine de uma vez por todas, nem que seja nas barras dos tribunais!

Inglês executado na China causa polêmica
Por Antonio Carneiro em 29/12/2009 - Categorias: editorial, notícia, política

Notícia

Um cidadão britânico acabou de sofrer a pena máxima na China, ou seja, foi executado. Foi o primeiro europeu a receber esta pena desde 1951. O crime? Tráfico de drogas: em 2007, ele tentou entrar na China com 4 quilos de heroína.

A defesa alegou que o sujeito sofreria de problemas mentais, sendo bipolar. Ele teria sido enganado por estranhos e as malas não seriam originalmente suas. O Primeiro Ministro britânico condenou vemeentemente a execução e o Ministro das Relações Exteriores disse que a Grã-Bretanha “se opõe completamente ao uso da pena de morte em todas as circuntâncias”.

Comentário

Não vou entrar na polêmica se a pena de morte deve ou não ser aplicada. Nem se o traficante realmente tinha algum problema mental. Mas sim na reação do governo inglês.

A China matou com uma injeção letal um cidadão inglês que foi preso, julgado e condenado segundo suas normas, procedimentos e leis regulamentares. Mas o governo chinês agiu errado, sendo este mais um típico exemplo dos desmandos ditatoriais de um país que vive desrespeitando os direitos humanos, é isso?

Mas a Inglaterra matou barbaramente um brasileiro, sem direito a julgamento ou defesa, executando-o com diversos tiros na cabeça e aí está tudo bem? O brasileiro foi considerado inocente pelo próprio sistema legal inglês, mas não só ninguém foi preso, como a indenização à família brasileira (conseguida depois de muita luta judicial) é muito inferior do que a pensão concedida ao chefe de polícia que ordenou o assassinato. Nem um pedido oficial de desculpas foi feito até hoje.

Pensei que a Inglaterra era contra pena de morte em todas as circunstâncias, senhor ministro, mas acho que só quando é um inglês que morre.

Fonte da notícia: O Globo. Fonte do comentário: NewsErrado.

Parabéns, Flamengo, pelo Penta-Campeonato!
Por Antonio Carneiro em 06/12/2009 - Categorias: esporte, futebol, polêmica

flamengo-penta

Parabéns ao rubro-negro carioca, pelo título da série A do campeonato brasileiro de 2009! Juntamente com o título do Vasco na série B e a permanência de Botafogo e Fluminense na divisão de elite, o Rio de Janeiro mostrou que seu futebol não só não está morto, como ainda é uma força a ser respeitada.

cristo_flamengo

O resultado do G4 também foi bem significativo, com quatro times de estados diferentes: RJ, SP, MG e RS.

G4

Seja na ponta de cima, com a disputa acirrada pelo título, seja na ponta de baixo, com disputas de vida ou morte para evitar o rebaixamento, este foi um dos campeonatos mais emocionantes que já acompanhei.

Para a garotada que não entendeu porque dei o parabéns para o Pentacampeonato do Flamengo e não para o Hexa, como a maioria dos jornais e TVs noticiam, é porque um dos títulos que o Fla contabiliza (1987) foi ganho pelo Sport e não pelo Flamengo.

Essa questão foi polêmica durante algum tempo, mas deveria ter sido enterrada de vez. A Wikipédia explica muito bem o caso da Copa União e dos módulos verde e amarelo, quando Internacional e Flamengo se recusaram a entrar em campo contra Sport e Guarani (sendo que este era o vice-campeão do ano anterior) e perderam por WO. O parágrafo abaixo resume porque a questão já deveria ter sido esquecida, dando o devido crédito ao Sport:

“A CBF proclamou Sport e Guarani, respectivamente campeão e vice daquele ano, como representantes do Brasil na Taça Libertadores da América. Tendo o caso sido levado à justiça comum, esta, em processo cuja decisão já se tornou definitiva (sem possibilidade de recurso), deu ganho de causa ao Sport Club do Recife.”

Para quem acha que a Wikipédia não tem credibilidade suficiente para servir de fonte, posso citar outras duas que não poderiam ser mais oficiais: CBF e FIFA. Se para essas duas o Sport foi o campeão brasileiro de 1987, não faz sentido alguém declarar o contrário.

CBF FIFA

Os quadros acima foram copiados da CBF e da FIFA e ainda não incluem o título de 2009. Mas se adicionarmos o título de 2009 com 1980, 1982, 1983 e 1992, chegamos ao total de cinco campeonatos conquistados. Um feito incrível e que não deveria ser manchado pela tentativa frustrada de adquirir mais um através de tapetão ou da velha tática de repetir uma mentira diversas vezes até que ela se torne verdade.

urubu-flamenguista1

Mais uma vez, parabéns ao campeão de 2009: Clube de Regatas Flamengo. O título foi merecido.

Notícias Comentadas: Cabine da PM é assaltada
Por Antonio Carneiro em 13/10/2009 - Categorias: Brasil, Violência, notícia, perigo, polêmica

“O assalto ocorreu por volta das 23h30m. O cabo PM, que não teve o nome divulgado, foi rendido quando saía da cabine, que fica em frente ao Botafogo Praia Shopping. Um dos ladrões colocou a arma na cabeça do policial, enquanto o outro roubou a pistola. O terceiro assaltante ficou dentro do carro. Após o crime, que durou poucos minutos, segundo testemunhas, os bandidos fugiram em um Peugeot preto em direção à Zona Sul.

Momentos antes do assalto à cabine, um policial civil teve o carro roubado por dois bandidos em uma motocicleta, na Rua Ministro Raul Fernandes, também em Botafogo. A polícia investiga a hipótese de uma ligação entre os crimes.”

Fonte: Jornal Globo On Line

* * *

O que essa notícia nos diz, além do óbvio aumento da violência e do abuso dos marginais? Ela deixa claro como é furada a teoria de quem é contra o desarmamento. Essas pessoas alegam sempre que sem uma arma não poderiam se defender dos bandidos, que não aderem às campanhas de desarmamento. Bem,  eu pergunto: Como a posse de uma pistola ou revólver protegeu esses policiais de um assalto? Eles tiveram sorte de não serem assassinados. Se tentassem alguma reação, com certeza não teriam escapado com vida.

Arma nas mãos da população não serve pra matar marginal e sim para armá-los ainda mais. Ou para causar mortes estúpidas em brigas conjugais e de trânsito, acidentes fatais com crianças e outras tragédias similares.

A quantidade de mortes causadas por armas nas mãos da população civil supera em muito a quantidade de bandidos que elas conseguiram parar.

Engraçado que essa sempre foi a opinião da maioria dos brasileiros. No entanto, no confuso plebiscito sobre o desarmamento (lembram disso?),o povo acabou votando em favor das armas. Mesmo não possuindo uma arma pessoalmente e tendo sido a vida toda contra elas. O lobby das armas foi muito bem articulado, politizando o debate e redigindo a própria pergunta do plebisicito de maneira propositalmente confusa.

Esse episódio me ensinou outra lição: que a democracia é tão eficiente e justa quanto permitido por uma boa campanha de marketing, capaz de influenciar eleitores e manipular votos. Mas aí já é outra polêmica, pra outro pôr do sol!

7 de Setembro: Dia da Independência?
Por Antonio Carneiro em 31/08/2009 - Categorias: Brasil, cultura, dia comemorativo, polêmica

Não é novidade que a História apresenta diversas versões e interpretações para um mesmo fato, versões que podem mudar com o tempo. O que aprendemos quando erámos pequeninos na escola pode não estar valendo mais.

É claro que novas provas podem surgir a qualquer momento, mudando a concepção anterior. Entretanto, muitas vezes os fatos já eram conhecidos e a história que aprendemos muda assim mesmo. Por quê? Pois eles são apresentados de acordo com o interesse dominante de cada época. Enfocam um heroísmo particular, uma classe social, o acaso… Algumas vezes o que é ensinado acaba se enraizando tanto que fica difícil mudar a versão, mesmo que seja para torná-la mais próxima do fato real.

Independência

Aprendemos que a nossa Independência foi declarada por D. Pedro I, quando soltou seu brado retumbante às margens do Ipiranga no dia 7 de Setembro de 1822. Mas será que foi assim mesmo? Com o tempo, aprendi que muitas negociatas aconteceram até que a Inglaterra reconhecesse nossa Independência, passo fundamental para que o mundo também a aceitasse. A nossa dívida externa começou aí, inclusive. Acordos entre as classes dominantes, movimentos populares, interesses políticos, econômicos e sociais e até mesmo muita luta sangrenta ocorreu para que o Brasil de fato conquistasse sua Independência.

setedesetembro_cDessa forma fica difícil encontrar um marco único para essa comemoração. Mas o Homem vive de símbolos e precisamos de uma data específica para celebrar, realizar desfiles e cantar hinos. Por que o 7 de Setembro e não o 9 de janeiro (Dia do Fico) ou outra data? A wikipédia tem um bom texto sobre a independência brasileira, mas a cultura na internet não pode ficar só na  wikipédia, não é?

Abaixo reproduzo matéria que saiu na revista História Viva ano V n° 59 (editora Duetto), que procura explicar a escolha da data e mostrar como ela nem sempre foi a considerada mais importante. O texto está postado na íntegra, com subtítulos meus. O box publicado na revista, analisando o quadro de Pedro Américo, foi excluído. As reproduções das figuras e quadros que ilustram a matéria também não estão aqui. Se você puder comprar a revista, eu recomendo fortemente. Não é cara e você vai aprender muita coisa.

O texto original abaixo é de autoria de Cláudia Valladão de Mattos, professora de História da Arte no Instituto de Artes da Unicamp e autora de diversos livros. Esse texto inclusive me fez admirar a “história da arte”. Eu acreditava que servia apenas para, como o nome diz, estudar a história das manifestações artísticas. Mas ela é útil também ao utilizar a arte como ferramenta para estudar a história e suas versões construídas ao longo do tempo.

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Sobre Mulheres e Feminices
Por Carol (@Queroul) em 01/05/2009 - Categorias: cultura, mulheres, polêmica

Tudo bem, o assunto do momento é a gripe suína, ou melhor a influenza A (H1N1) . Mas, não é isso que me assusta. Atualmente, por causa de um disciplina sobre Debate Histórico Contemporâneo que estou fazendo, comecei a ler algumas coisas sobre História das Mulheres e descobri que não sou feminista, embora compactue com algumas posições desse movimento.

Calma, não vou queimar soutiens, nem quebrar os saltos das sandálias! Mas, já prestaram atenção que muito do discurso feminista ou dos discursos em defesa das mulheres, nem todos que fique bem claro, apenas inverte a relação de poder existente em nossa sociedade?

Em vez de tentarem se questionar como essas hierarquias entre homens e mulheres foram construídas e tentar achar uma “solução” para minimizar isso, o que fazemos? Passamos a reproduzir essa relação de maneira inversa, quero dizer, colocamos na possibilidade do trabalho fora de casa e na cosntrução da carreira a nossa liberdade.

Para isso, alguns aspectos que seriam considerados femininos, para nossa sociedade ocidental, passa a ser considerado de menor valor, como a maternidade, o trabalho doméstico e a vaidade. Passamos a nos aproximar do mundo masculino, a usar calças, terninhos e cabelo curto, ocupar cargos de liderança dentro das empresas, a fazer sexo casual e fumar charuto, achando que com isso definitivamente conquistamos a nossa independência e liberdade. A troco de quê?

Salários mais baixos e a famosa dupla jornada de trabalho, além do trabalho fora de casa, temos que cuidar da casa, mesmo quando temos uma empregada que faz isso para gente. Um exemplo interessante foi a assinatura de uma lei que promove a igualdade salarial entre homens e mulheres nos Estados Unidos nessa semana que passou. O presidente Barack Obama, sem entrar em discussões de genêro, apenas disse:

“É muito simbólico que o primeiro projeto de lei que assino fale de um dos princípios fundadores deste país; que somos todos iguais e que cada um pode perseguir a sua própria versão de felicidade” (Fonte: Folha Online – Mundo)

Além de fazermos o mesmo trabalho, muitas vezes de maneira mais competente e, algumas vezes, com mais qualificação, ainda é necessário que um projeto de lei seja assinado para conferir igualdade salarial entre homens e mulheres que fazem o mesmo serviço!

Conseguir a “prórpria versão de felicidade”, é aí que eu gostaria de chegar. É isso aí que todos nós deveríamos buscar. E não apenas consumir ou assumir um papel imposto por um grupo ou mesmo por nossa sociedade. É bem certo que muitas vezes devemos dançar conforme a música, mas isso não quer dizer que para ser feliz, se sentir livre e independente, eu deva buscar um cargo de liderança numa empresa, construir uma carreira e me distanciar de tudo o que seria considerado “feminices” ou de “mulherzinha”: filmes românticos, roupas da moda, coisas cor-de-rosa, bonecas e o “príncipe encantado montado num cavalo branco”.

Não julgo quem faz essa opção de alienada ou “Amélia”. Desde que faça isso de maneira crítica, consciente da situação, não achando que isso seja uma coisa natural, determinante da essência feminina, algo como a mística feminina (qualquer semelhança com o nome do livro, não é mera coincidência). Um exemplo? Filmes e seriados, como Sexy And The City, que focam o estatuto da mulher nos anos 90-2000, mas isso é assunto para um outro post que virá em breve!

Observações:

1 – [Post resposta ao Nódoa do Universo: "Faz-se uma dona-de-casa", que é bem legal por sinal e faz pensar!]

2 – [Veja também: O Diário Meu amoóór da Sra. Joven Nerd. Quem acompanha o Nerdcast vai entender a crítica à vida meu amoór e serve como introdução para os próximos posts meus! Divirta-se, tá f*da o vídeo!)

Lugar de Brasileiros é no Brasil
Por Afrânio Souza em 17/03/2009 - Categorias: Brasil, economia, polêmica, política

Em nenhuma atividade a diplomacia brasileira foi e continua sendo tão incompetente como na área humanitária em relação aos próprios brasileiros. Nenhuma outra dívida moral e econômica, no passado ou no presente, cai tão pesada sobre nossos diplomatas, sobre o governo e sobre toda a sociedade brasileira como a que adquirimos perante milhares de brasileiros que nos últimos vinte anos, fugindo do desemprego e da miséria, se auto-exilaram no estrangeiro em busca de oportunidades que lhe são negadas em sua pátria. Estrangeiros lá fora, imigrantes forçados e não desejados pela maioria das nações que os receberam, estes heróis durante vinte anos vêm enfrentando as mais adversas condições econômicas, sociais e psicológicas. Sobrevivem com honra e humildade, sem qualquer apoio ou reconhecimento da sociedade brasileira.

Pois são estes milhares de brasileiros, sofrendo as dificuldades da adaptação, muitas vezes em situação ilegal no país que os recebe, que ajudam economicamente sua pátria ingrata com enormes recursos econômicos enviados em moeda forte para suas famílias que aqui ficaram. Estes recursos, mais que ajudar as famílias, estas humildes economias diárias, fruto do suor dos filhos mais honrados que esta nação já produziu, ajudam anualmente nossa balança de pagamentos com bilhões de dólares enviados do Japão, dos Estados Unidos, da Europa ou de qualquer parte do mundo onde haja um imigrante brasileiro que tenha aqui família. Tão forte e lucrativa para nossa economia tem sido a ajuda de nossos exilados econômicos que o Banco do Brasil abriu agência em Tóquio que se nutre do produto de seus trabalhadores locais e das quantias enviadas aos seus familiares. O Brasil precisa resgatar esta divida moral e econômica com estes anônimos brasileiros.

Existem demagogos que se dedicam a nos acusar pelos erros de nossos antepassados. Existem sociólogos e filósofos de bibliotecas que pesquisam crimes sociais cometidos séculos atrás querendo que a sociedade do Século XXI resgate dívidas prescritas das sociedades brasileiras dos séculos XVIII e XIX. Existem Ongs e advogados apoiados em estranhas pesquisas geradoras de palavras inventadas como quilombolas -  um derivativo sociológico bastante tóxico – que buscam sangrar o Estado com indenizações e direitos aos descendentes de escravos e índios cujos ancestrais – exploradores e explorados – já morreram há séculos. Mas não existe nenhum programa que incentive nossos irmãos a regressar a pátria. Não foi criado sequer um bordão de forte  apelo e óbvio afirmando que lugar de brasileiro é no Brasil.

Enquanto isto a crise econômica mundial atinge estes brasileiros em cheio em todas as nações onde se encontram. São os primeiros a serem demitidos. No momento continuam desamparados e economicamente desesperados. Recente reportagem de uma rede de televisão mostrou brasileiros desempregados, morando debaixo de pontes no Japão. Certamente existem outros  na mesma situação sendo discriminados nos Estados Unidos e na Europa. E o que a reportagem informa é que o governo brasileiro só oferece passagem de volta para quem comprovar seu estado de extrema necessidade e mesmo assim largando-os em Cumbica  certamente para morar debaixo dos inúmeros viadutos de São Paulo.

Não é à toa que os brasileiros descendentes de terceira geração de imigrantes europeus, mesmo considerados de classe média ou acima, estão buscando ansiosamente a nacionalidade de seus ancestrais para obter um passaporte europeu. Parece que ser brasileiro tanto lá fora como aqui, deixou de valer a pena. Os  principais responsáveis por termos chegado a este estado de coisas são os três poderes da republica: Executivo, Legislativo e Judiciário e especialmente o Itamaraty responsável por assistir os brasileiros no exterior. E enquanto permanecerem  calados, a imprensa e toda a sociedade brasileira.

Como diria Boris Casoy se fosse o autor deste artigo: Isto é uma vergonha!

Pirataria 6 – Respeito ao Consumidor
Por Antonio Carneiro em 25/02/2009 - Categorias: economia, editorial, polêmica

Bom atendimento x “Compre, pague e não reclame”

Muito bem, atualmente a chamada pirataria é ilegal, todo mundo sabe. Mas a forma como as empresas legítimas tratam seus consumidores seria legal? Desrespeito, ganância e “Lei de Gérson” são comuns, enquanto atenção, respeito e inteligência parecem ser características cada vez mais raras.

Será que se estas empresas agissem de forma diferente não conseguiriam combater a terrível ameaça pirata de maneira muito mais eficiente do que através de pesados lobbies junto aos governos e ameaças truculentas junto ao público? Está parecendo que essas mega-corporações contratam qualquer um, pessoas sem preparo ou bom senso, para cuidar do assunto. Ou talvez na Universidade de Harvard e em Oxford não ensinam que se pega mais moscas com mel do que com vinagre.

É óbvio para qualquer um (que tenha meio cérebro e um diploma de Administração auto-colante tirado por correspondência) que a pós-venda é tão importante quanto a venda. O serviço de atendimento, as promoções que fidelizam e outras estratégias para conquistar definitivamente a preferência do consumidor são essenciais em um mercado competitivo.

No entanto, você já tentou entrar em contato com uma produtora ou distribuidora a respeito de um produto adquirido com defeito? Você enfrenta má vontade, burocracia, desorganização ou simplesmente um silêncio sepulcral, sem obter nenhuma resposta para seus emails e ligações. Falo por experiência própria: Essas empresas querem que você morra. Mas depois que adquiriu seu produto, é claro. Elas até poderiam ter sua razão se cada pessoa só comprasse uma única vez. Mas como o consumidor adquire mais de um produto, essa “estratégia” é um incentivo à pirataria maior do que qualquer preço convidativo de camelô. O produto pirata prolifera na preguiça do empresário acomodado. E no desrespeito deste com o seu cliente.

Preço justo x “Vamos arrancar o máximo enquanto podemos”

A respeito do preço, o produto oficial costuma ser caro. Evidente que o genérico não paga impostos, portanto será sempre mais barato. Mas será que existem motivos mesmo para que o oficial custe tão mais caro? Se ele custasse menos, ainda que acima do produto de camelô, a maioria absoluta dos consumidores pagaria feliz a diferença para ter a segurança, qualidade e suportes oficiais. Essa lei econômica, mais forte que qualquer constituição federal ou código de leis, chama-se “Custo x Benefício“. É o preço que você admite pagar para obter determinado benefício.

E é claro que o benefício tem que existir de fato e não apenas na teoria.

Mas como mencionei antes, em termos de pós-venda o camelô é muito melhor. “Tá com defeito, madame? Aqui, eu troco na hora, pode levar”. Enquanto na compra oficial é notinha, prazo, CPF, não troco, liga pro SAC, reclama por e-mail, reclama com o jornal, com o bispo…

Benefícios como uma qualidade melhor do produto (ou serviço), durabilidade e beleza também podem fazer o consumidor optar por pagar mais. Conteúdo exclusivo também. Assim, um cinéfilo pagaria mais por um dvd triplo recheado de extras, áudio original digital, dublagem original de época (para clássicos) e embalagem especial. Mas se lançam um único disco chinfrim cujos extras são “sinopse e seleção de cenas”, estão pedindo para o consumidor baixar o filme da internet.

Outra coisa irritante e que demonstra falta de visão ocorre quando lançam uma nova edição golden deluxe plus e não criam nenhuma promoção para o cliente que já possui uma versão lançada anteriormente. O consumidor se sente otário: ou gasta mais dinheiro na nova edição melhorada (ficando com sua versão vagabunda em duplicidade na prateleira) ou gasta em remédio pra úlcera, pela raiva de ter gasto seu rico dinheirinho para comprar um dvd oficial sem extras lançado alguns meses antes do lançamento da edição golden collector definitive edition.

Democracia x “Pirataria é ilegal: Cumpra-se.”

Acho importante fazer um parêntesis para explicar um aspecto dessa série de posts a respeito da pirataria. Não se discute se pirataria é ilegal ou não. As leis devem ser cumpridas, não estão abertas ao debate, sob o risco de se cometer apologia ao crime. Entretanto, a Moral não é imposta de cima para baixo: ela vem da sociedade e não é tão rígida ou universal como a lei. A Moral permite que existam discussões sobre o que é certo ou não.

E qual seria a base das leis? Exatamente os valores morais da sociedade. Dessa forma, considero que debater o assunto de forma racional não só não é um crime como pode trazer reformas e alterações nas leis, tornando-as mais justas e em sintonia com a sociedade a qual esse código legal deve reger e proteger.

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